Mais de um milhão saem às ruas contra as reformas e o golpe

Manifestações gigantescas em diversas capitais, atos em centenas de cidades, paralisações de importantes categorias de trabalhadores e a ocupação do prédio do Ministério da Fazenda, marcaram o Dia Nacional de paralisações, realizado nesta quarta, 15 de março, em todo o País.

Previsões da Central Única dos Trabalhadores, principal promotora dos eventos (juntamente com suas entidades filiadas) apontam que mais de um milhão de pessoas participaram dos protestos, que teve como motor principal a revolta contra a “reforma” da Previdência, mas que se transformaram em atos contra o golpe e  governo golpista.

As manifestações ocorreram em todas as regiões do País, com atos massivos na maioria das capitais e importantes manifestações em cidades do interior.

No Acre, concentração no Palácio Rio Branco reuniu 7 mil manifestantes. Na Capital Federal, a manifestação reuniu mais de 20 mil pessoas e fechou via da Esplanada do Ministério. Por várias horas, mais de mil manifestantes e ocupa prédio do Ministério da Fazenda. Em Salvador, manifestação na Av. Iguatemi contou com a participação de 10 mil pessoas. Em Campo Grande, mais de 20 mil pessoas compareceram ao ato Público realizado  na Praça Ary Coelho. Passeata, ao final do ato, reúne mais de 20 mil pessoas. Em Goiânia, 25 mil participaram de manifestação, na Praça Cívica.

Recife, mais uma vez, teve a maior manifestação do Nordeste. Realizada na praça Oswaldo Cruz, de onde partiu uma passeata que reuniu cerca de 40 mil manifestantes.

Mostrando que nem mesmo na “república d Paraná”, a direita golpista tem apoio para seus ataques, Curitiba realizou uma das maiores manifestações.  Cerca de 60 mil pessoas se encontraram nas esquinas das ruas Marechal Floriano e Marechal Deodoro.

Na segunda maior manifestação do País, Belo Horizonte reuniu mais de 100 mil pessoas no Centro da Capital, sob a liderança dos professores em greve.

O maior de todos os atos, na Avenida Paulista, contou com a participação de cerca de 200 mil pessoas e foi encerrado com a intervenção do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva.  A mobilização de SP, foi embalada pela greve dos educadores da rede estadual e municipal da Capital que, juntos, levaram mais de 30 mil pessoas para as ruas. Outro destaque dia na capital paulista, foi a expressiva paralisação dos transportes. Depois de muitos anos sem participara dos atos nacionais, os metroviários (meses depois da vitória de uma chapa cutista nas eleições para a direção sindicato, que acabou com a maioria do PSTU-Conlutas) paralisaram suas atividades, provocando um clima de greve geral nas primeiras horas do dia, na capital paulista.

Em quase todos os atos, os trabalhadores da Educação em greve, formavam os maiores contigentes.

Foram as maiores manifestações populares desde março de 2016, antes da aprovação do impeachment que derrubou a presidenta Dilma Roussef e expressaram uma tendência a uma virada na situação política, marcada desde a derrota sofrida no Congresso Nacional por uma postura defensiva dos trabalhadores e suas organizações, diante da ofensiva dos golpistas contra as condições de vida do povo brasileiro e seus direitos democráticos.

“Com golpista, não se negocia”

No ato de São Paulo, o presidente nacional da CUT, Vagner Freitas, depois de destacar o “dia extraordinário”, no qual a enorme adesão  às mobilizações deixaram claro “que o povo é contra a Reforma da Previdência e trabalhista”, rejeitou qualquer negociação com o governo golpista e apontou como caminho a greve geral. “Não vamos negociar migalhas com o Temer, não vamos negociar migalhas com golpista. O Temer tem que retirar do Congresso a Reforma da Previdência. Se ele não retirar, nós vamos organizar a maior greve-geral que este país já viu”, discursou Freitas.

A fala do dirigente cutista refletiu a tônica de boa parte das intervenções e mostrou a rejeição à política de setores reacionários do movimento sindical e da esquerda que defendem um entendimento com o governo ou no congresso nacional para fazer alterações na “reforma” que como assinalou Lula, em sua intervenção, quer “acabar com as aposentadorias” dos trabalhadores ao impor que o trabalhador tenha que contribuir durante meio século com a previdência para requerer  benefício.

Contra o golpe em defesa de Lula

Mesmo com a presença ultra minoritária (algumas dezenas de pessoas) de setores que apoiaram o golpe e defendem seu fortalecimento com a prisão de Lula, com é o caso do PSTU e um dos seus satélite universitários (o MNN, Movimento Negação da Negação – que participou dos atos da direita golpista, junto com o MBL, DEM, PSDB etc.) o ato foi marcado por um gigantesco repúdio ao golpe e de apoio ao ex-presidente Lula contra a perseguição que sofre por parte dos golpistas.

Intervindo no ato, o PCO (Partido da Causa Operária), defendeu a realização de um gigantesco ato contra a prisão de Lula, n dia 3 de maio, quando o ex-presidente está intimado a depor pelo juizeco golpista, Sérgio Moro, que comanda a farsa da operação lava jato. “Vamos ocupar Curitiba e impedir a prisão de Lula”, discursou Antônio Carlos Silva, da direção nacional do Partido. O PCO, também apontou que o eixo da mobilização tem que ser a luta contra o  golpe e pela anulação do impeachment, apontando que não é possível derrotar as “reformas” por outro caminho que não seja a derrota do regime golpista por meio da mobilização popular, da greve geral.

Intensificar a mobilização

Como apontou a Corrente Sindical Nacional Causa Operária  (PCO e simpatizantes)  em sua declaração neste dia 15 de março, as tendências de luta que se expressaram nestas mobilizações precisam “ser impulsionados pelos setores que estiveram à frente da luta contra  golpe (CUT, FBP, MST, SMP, UNE, PT, PCO, PCdoB etc.). Para isso, é preciso deixar para trás as ilusões nas eleições e de que as reformas golpistas possam ser barradas por meio de articulações com o congresso golpista”.

O 15 de março foi um significativo passo, mas um dia não basta, é preciso um plano de lutas aprovado em plenárias massivas de ativistas de ativistas da luta contra o golpe, para organizar esta mobilização, com um grande 1 de Maio de luta contra o golpe e a ocupação de Curitiba contra a prisão de Lula.

http://causaoperaria.org.br/blog/2017/03/16/veja-aqui-as-imagens-do-ato-do-dia-15-contra-a-reforma-da-previdencia/

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Lista do Janot: a faca no pescoço do Congresso

Com grande estardalhaço, foi divulgada a nova “lista do Janot” entregue ao STF esta semana. Trata-se de um pedido de abertura de inquérito contra dezenas de políticos, baseados em 77 delações de executivos da empreiteira Odebrecht, mais uma delação que ainda não foi homologada, encaminhado pelo Procurador Geral da República, rodrigo Janot, ao Supremo Tribunal Federal (STF). A lista dos nomes que aparecem permanece secreta, embora muitos nomes selecionados já sejam conhecidos. Os ex-presidentes petistas, Lula e Dilma Rousseff, perseguidos pelos golpistas, naturalmente constam da lista.

Além dos petistas perseguidos pela direita que deu o golpe, muitas figuras proeminentes do governo golpista também aparecem na lista. Cinco ministros de Michel Temer, pelo que foi revelado até agora, estão entre eles: Eliseu Padilha (Casa Civil), Moreira Franco (Secretaria-Geral da Presidência), Bruno Araújo (Cidades), Gilberto Kassab (Ciência e Tecnologia e Comunicações) e Aloysio Nunes Ferreira (Relações Exteriores). Os presidentes do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), e da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), também estão na lista.

O golpista Michel Temer não está nesta lista, mas tem mandato ameaçado em outros processos. Dessa forma, os golpistas estão com a faca no pescoço. O Congresso está encostado contra a parede, acuado para que tome determinadas medidas e vote determinados projetos. A grande disputa no momento é em torno da Reforma da Previdência, que segundo o líder da maioria na Câmara, Lelo Coimbra (PMDB-ES), não tem votos suficientes para ser aprovada. Apesar do golpe, nem os parlamentares de direita que dominam o Congresso estão dispostos a serem os autores do fim da aposentadoria para grande parte dos brasileiros, que vão morrer antes de conseguir se aposentar com as novas regras propostas pelo governo golpista.

Para ajudar Lelo Coimbra em sua tarefa de reunir votos suficientes para aprovar a ruína da Previdência, o Congresso votará sob ameaça de processo e prisão. Diante dessa ameaça pairando sobre o Congresso pode ser que Coimbra descubra um talento persuasivo até então desconhecido para ele.

A ditadura dos tribunais contra os trabalhadores

Fazer greve é um direito do trabalhador. Nesta quarta-feira (15) os metroviários, assim como os condutores, paralisaram suas atividades contra a reforma da previdência. A direita golpista derrubou Dilma Rousseff para alterar o regime político contra os trabalhadores, atacando as condições de vida da população e seu direito de se organizar para resistir. A reforma da previdência é uma das mudanças para intensificar a exploração dos trabalhadores, que agora terão que trabalhar até morrer sem nunca se aposentar. A grande paralisação neste dia 15 é uma resposta contundente contra essa reforma, e por isso a burguesia se mobiliza para atacar o movimento operário em sua tentativa de impor essa reforma.

Foi nesse marco de embate entre o estado burguês, em meio ao clima reacionário instaurado pelo golpe a serviço do imperialismo, que o Tribunal Regional do Trabalho concedeu uma liminar ao Metrô contra a greve dos trabalhadores do metrô. A liminar, solenemente ignorada pelos trabalhadores em luta contra o fim da aposentadoria no Brasil, determinava que o Metrô deveria funcionar com 100% de seus funcionários nos horários de pico (6h às 9h e 16h às 19h), e 70% nos demais horários. Na prática, a justiça burguesa pretendia barrar a paralisação dos funcionários.

E é para isso que serve a justiça burguesa. Trata-se de uma ditadura contra os trabalhadores, a ditadura do Judiciário, um poder que não tem sequer a legitimidade da representação distorcida dos votos em uma eleição burguesa. Um juiz que não foi eleito por ninguém, que não trabalha no Metrô e que provavelmente sequer utiliza o Metrô pretende decidir os rumos da greve de toda uma categoria. Não por acaso, esses privilegiados a serviço do Estado para oprimir quem trabalha ganham altos salários e sequer serão atingidos da mesma forma que os trabalhadores pela infame reforma da previdência urdida contra o conjunto da população pelos golpistas que usurparam o governo federal. A falta de autoridade moral desses funcionários diante da população é compensada por uma pesada máquina de repressão, com polícias e exército permanente.

Esse aparato construído para esmagar os trabalhadores está sendo enfrentado nesta a quarta-feira em São Paulo e em outros estado (em MG, por exemplo, a justiça tomou uma decisão similar, para também ser ignorada). Contra a reforma golpista da previdência, os transportes pararam. Apesar da ameaça do Judiciário, que estabeleceu uma multa de R$ 100 mil contra o Sindicato dos Metroviários e desconto no salário dos metroviários pela paralisação. Os trabalhadores que todos os dias trabalham operando os trens, fazendo a manutenção dos trens, das escadas rolantes, limpando as estações etc., passaram por cima da ditadura daqueles que não fazem nenhum desses serviços.

 

Saudações ao novo colunista, Vladimir Lênin

O Diário Causa Operária ganhou um novo colunista neste ano especial, o grande líder revolucionário Vladimir Ilyich Ulyanov, Lênin, membro fundador, principal teórico e dirigente do Partido Bolchevique. Dirigiu o partido e os sovietes para a tomada de poder na Revolução Russa de 1917. Fundou a III Internacional Comunista, identificou o imperialismo como fase superior do Capitalismo e enfatizou o papel do partido como vanguarda da revolução.

Acompanhem todos os acontecimentos pelo ponto de vista do próprio líder da maior revolução que o mundo já viu. O Diário Causa Operária terá essa e mais outras novidades em breve, acompanhem todos os passos dos bolcheviques para a tomada do poder aqui no DCO.

Leia a primeira coluna do camarada Lênin:

http://causaoperaria.org.br/blog/2017/03/15/para-nossos-camaradas-nos-campos-de-prisioneiros-de-guerra/

 

 

 

“A democracia está sob ataque”, o cinismo de Rodrigo Janot

Rodrigo Janot, atual Procurador Geral da República, tem um extenso currículo de participações, ativa e passivamente, em cada passo do golpe de Estado. Golpe que retirou Dilma Rousseff da presidência da república e agora avança sobre os direitos dos trabalhadores.

Esse mesmo Janot teve o cinismo de afirmar que “a democracia está sob ataque”, sendo ele mesmo um dos principais opositores aos parcos direitos democráticos que existem no Brasil.

Janot fez esta afirmação ao se dirigir aos não menos golpistas integrantes do Ministério Público Federal (MPF), agradecendo o trabalho dos amigos do MPF e fazendo elogios aos resultados das delações da Odebrecht.

“As revelações que surgem dos depoimentos, embora já fossem presumidas por muitos, lançadas assim à luz do dia, em um procedimento formal perante a nossa Suprema Corte, nos confrontarão com a triste realidade de uma democracia sob ataque e, em grande medida, conspurcada na sua essência pela corrupção e pelo abuso do poder econômico e político”, diz a carta redigida por Janot aos integrantes do MPF.

Os depoimentos, ditos assim por Janot, parecem um esforço de determinados setores para se chegar à conclusão de algum acontecimento. Mas, na verdade, essas delações estão sendo conseguidas através da mais pura chantagem, pressão, e tortura. É uma conversa que uma determinada pessoa é obrigada a ter com o judiciário, e o judiciário, por sua vez, a ameaça de alguma punição se a pessoa não falar exatamente o que o judiciário e os golpistas querem ouvir.

As quase oitenta delações sob coerção resultaram em “320 providências requeridas ao STF, assim distribuídas: 83 pedidos de instauração de inquérito, 211 pedidos de declínio de atribuição, 7 promoções de arquivamento, 19 outras providências”, diz a carta de Janot.

Ou seja, com base em conversa, se instaurou todo um processo de perseguição à várias pessoas. Perseguição abertamente política, pois se tudo não passa de delação, quer dizer, de declaração extraída sob coação ou tortura, sem prova alguma, é o retorno da Idade Média, da Inquisição.

Com base nisso, em sede de conclusão, Janot afirma: “gostaria de publicamente empenhar meu sincero agradecimento e respeito aos colegas do Grupo de Trabalho – PGR e da Força-Tarefa – Curitiba”. Essa mesma força tarefa que quer levar para prisão toda a direção do Partido dos Trabalhadores (PT), em especial, Lula, além do resto da esquerda.

Pode parecer estranho às pessoas comuns que a operação Lava Jato e seus funcionários sejam encarados como representantes da democracia. Se o fossem, não haveria milhões nas ruas protestando neste 15 de março contra todas as maldades do golpistas e contra o próprio golpe.

Mas nem por isso Janot perde o cinismo e afirma, meio que se auto delatando: “é preciso ficar absolutamente claro que, seja sob o ponto de vista pessoal – sou um democrata congênito e convicto –, seja sob a ótica da missão constitucional do MP de defender o regime democrático e a ordem jurídica, o trabalho desenvolvido na Lava Jato não tem e jamais poderia ter a finalidade de criminalizar a atividade política”. Está muito claro que a Lava Jato não tem essa finalidade, Janot, nem precisava dizer.

Atividade policialesca e de espionagem contra os partidos

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) rejeitou as contas relativas à 2011 de 23 partidos, entre eles, o PCO. Para se ter uma ideia, as contas do partido foram rejeitadas por que o TSE inventou que há uma exigência de que cada detalhe da movimentação do partido deveria ser especificada. Na prática, o que o TSE está fazendo é acabar com a autonomia dos partidos políticos.

A intervenção do Judiciário nos partidos chegou a tal ponto que a atividade do Tribunal se tornou policialesca. Ao controlar cada passo do partido o Tribunal, ou seja, o Estado, está efetivamente espionando os partidos. As atividades políticas que deveriam ser decididas pelos membros do partido que deveria ter total independência para deliberar o que melhor convêm à sua política está nas mãos do Estado.

Se os partidos não têm garantia de que serão independentes do Estado, a democracia é inviável. O regime político democrático pressupõe que existam partidos e que esses partidos possam ter completa autonomia em relação às instituições estatais, como o Judiciário e a polícia. Por exemplo, um partido de oposição, mesmo sendo ele burguês, não terá nenhuma garantia se sua ação está controlada pelo Estado dominado prelos seus inimigos. É um princípio democrático que os golpistas estão destruindo justamente porque o regime político em decomposição não permite mais partidos de oposição como o PT. Por isso estão modificando o regime político, tornando-o antidemocrático, atacando os partidos políticos. O alvo principal são justamente os partidos de esquerda, por isso o ataque ao PCO.

É preciso denunciar a atividade policial e inconstitucional que o TSE está tentando impor aos partidos.

 

Agora são os partidos, amanhã serão os sindicatos

Na última sexta-feira, dia 10, veio à tona uma lista de partidos de todos os matizes que tiveram suas contas de 2011 rejeitadas pelo parecer técnico do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). São nada mais nada menos do que 23 partidos.

Logo que o STE divulgou a lista, a imprensa golpista colocou em funcionamento sua metralhadora de mentiras e cinismo, acusando os partidos, ora insinuando ora dizendo abertamente que todos os partidos são corruptos e que fazem “mau uso do dinheiro público.” Por trás de toda a campanha há logicamente o ataque golpista com o objetivo de modificar o regime político. Atacam todos os partidos, exigem o controle estatal das contas partidárias e no final os que serão prejudicados serão os partidos de esquerda e oposicionistas.

Os motivos para a rejeição das contas de todos os partidos são vários. Tomando por base o caso mais gritante, que é justamente o do PCO, o partido que menos recebe fundo partidário e que é reconhecidamente um partido ideológico, os motivos são absurdos. Os técnicos do TSE exigem coisas como a descrição detalhada do que faz um advogado contratado pelo partido para defende-lo justamente no TSE. Ou seja, tomando por base isso, está claro que os motivos encontrados nos demais partidos também são absurdos, guardados à devida proporção. O que está no fundo dessa perseguição é o pretexto para que o Tribunal intervenha nos partidos políticos.

Toda a movimentação financeira de um partido deveria ser controlada pelo Tribunal. Isso acaba com a autonomia do partido político, que fica à mercê das arbitrariedades do Judiciário. Quem deve controlar as contas do partido são os próprios filiados. Os órgãos de controle devem ser estabelecidos pelo próprio partido, de acordo com os interesses dos seus membros.

O TSE está acabando com a autonomia e independência dos partidos políticos, que é a condição sine qua non para que se tenha um regime democrático.

Essa tentativa de sufocar os partidos financeiramente abre o caminho para que ocorra o mesmo com os sindicatos e organizações populares em geral. O objetivo do golpe é sufocar todas as organizações da população. Se os golpistas forem bem sucedidos nos ataques aos partidos, os sindicatos estão seriamente ameaçados. O País corre o risco de retornar à época dos sindicatos controlados pelo Estado e não pelos próprios trabalhadores, ou seja, os sindicatos estariam nas mãos dos patrões que são quem dominam o Estado.

 

Brexit: chegou a hora

A saída do Reino Unido da União Europeia (UE) está perto de começar. Com a regulametação terminando de passar pelo Parlamento, esperava-se que já na terça-feira (14) o processo começasse. Mas a primeira-ministra, Theresa May, adiou pelo menos até a semana que vem a ativação do Artigo 50, que iniciará formalmente o desligamento do Reino Unido do bloco europeu. A vitória do Brexit, a saída do Reino Unido da UE, no ano passado, expôs a dimensão da crise política britânica.

Diante da iminência do começo do processo de separação, nesta segunda-feira (13) a primeira-ministra da Escócia, Nicola Sturgeon, anunciou um novo referendo sobre a independência da Escócia. A maioria dos escoceses votou contra o Brexit. Na Irlanda do Norte a maioria também foi contrária a sair da UE e a reunificação da Irlanda colocou-se na ordem do dia. Uma crise total da unidade do Reino Unido, alimentada pelo Brexit.

Por ocasião da vitória do Brexit, a extrema-direita mostrou uma grande força eleitoral, depois de ter crescido em diversas eleições municipais e ter alcançado um grande número de votos absolutos, apesar de ter conquistado apenas uma cadeira no Parlamento. O partido de extrema-direita UKIP (Partido da Independência do Reino Unido) fez campanha sozinho pela saída da UE, contra os dois principais partidos do regime e contra os partidos mais importantes dos países menores do Reino Unido. O crescimento da extrema-direita é um resultado da crise do regime político e só pode ser enfrentado pela classe operária. Desde que os sindicatos impuseram seu candidato para comandar o Partido Trabalhista, Jeremy Corbyn, a extrema-direita tem sido forçada a recuar.

CUT convoca paralisação nacional dia 15, “para não morrer trabalhando”

O  presidente nacional da Central única dos Trabalhadores (CUT), Wagner Freitas, gravou vídeo convocando os trabalhadores à paralisação nacional, neste dia 15 de março, contra a “reforma” da previdência e os ataques do governo golpista de Michel Temer (PMDB).

Freitas chama os sindicatos e trabalhadores a paralisarem suas atividades para mostra a congresso e governo golpistas que os explorados nã vão aceitar a liquidação da aposentadoria com a imposição de 49 anos de contribuição e 65 anos de idade como requisitos mínimos necessários para que o trabalhador se apresente.

A convocação chama a se somar à greve nacional da Educação, convocada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores da Educação (CNTE) e centenas de sindicatos de educadores de todo o País, que começa, justamente nesta data.

Na situação atual, os trabalhadores se aposentam em média cinco anos após o tempo mínimo para a aposentadoria. Assim um operário está se aposentando, em média aos 59 anos de idade. Isto significa que boa parte (cerca de 50%) dos trabalhadores só se aposenta após os 60 anos ou nunca vê a aposentadoria chegar. Na maioria dos casos, o trabalhador morre pouco anos depois de se aposentar.

Isto ocorre, em boa medida, porque desde a famigerada era FHC foram sendo imposta mudanças que retardaram aposentadoria. Ao mesmo tempo, o Brasil já tem uma das mais altas taxas de rotatividade da mão-de-obra do mundo. Por aqui, mais de 16 milhões de trabalhadores sã demitidos todos os anos e está cada vez mais difícil conseguir um novo emprego. Assim para conseguir chegar, hoje, a 35 anos de contribuição com a previdência já é preciso que tenha passado, em média, mais de 40 anos desde o primeiro emprego.

O governo golpista de Temer quer agravar esta situação por todos os lados. Além de exigir 49 anos de contribuições (inclusive para mulheres, que hoje se aposentam com cinco anos a menos do que os homens, aos 30 anos de contribuição ou menos, com no caso das professoras, com 25 anos de contribuições), está impondo o corte nos gastos públicos por 20 anos (o que vai aumentar o desemprego). Também, com a “reforma” trabalhista, vai impulsionar um aumento do desemprego e da rotatividade, pois quer permitir que os patrões possam contratar por “contratados temporários” de até 8 meses e com jornadas diárias de até 12 horas. Ou seja, o trabalhador vai ter que dar muito mais duro para sustentar a si e à sua família e trabalhar até morrer, sem se aposentar.

Para calcular o quant cada trabalhador vai ser prejudicado com o aumento do temp para se aposentar, a CUT e  Dieese, criaram  “Impostômetro“, uma calculadora on line do tempo para aposentadoria pelas regras atuais e pelas regras que os golpistas querem impor. Com ela é fácil conferir os enormes prejuízos que a “reforma” provocaria para todos os trabalhadores, inclusive os mais jovens que teriam ainda maiores dificuldades de ingressarem no mercado de trabalho.

A convocação do presidente da CUT tem assim enorme importância.

Além de mobilizar contra a reforma, é preciso ter claro que este ataque, bem como toda a ofensiva do governo golpista contra os trabalhadores só pode ser barrada por meio de uma ampla mobilização dos trabalhadores e de suas organizações contra o golpe de estado, pois não é possível derrotar isoladamente, cada uma das medidas e nem acreditar que  congresso golpista vá resolver a situação de um ponto de vista que interessas aos trabalhadores.

Assim o dia 15, precisa ser um dia de luta contra a reforma da previdência e pela derrota do golpe de estado. Para colocar para fora Temer e todos os golpistas, anular o impeachment, devolver o mandato à presidenta eleita pela maioria da população e cancelar todas as medidas já impostas contra os trabalhadores e a economia nacional, pelo regime golpista, capacho do imperialismo.

Com esta política, superando a paralisia da maioria das direções sindicais e realizando um amplo trabalho de agitação entre s trabalhadores, nos seus locais de trabalho, é possível avançar na direção da necessária greve geral contra o golpe e suas “reformas”.

Ocupar Curitiba para impedir a prisão de Lula

Está marcado pela operação golpista da Lava Jato o depoimento do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva, para o dia 03 de maio, na cidade de Curitiba.

O depoimento do ex-presidente está marcado por uma caçada implacável, da direita nacional, ao maior líder popular do Brasil.

Depois de frustradas tentativas de colocar Lula na cadeia, inclusive com o sequestro do ex-presidente, tirando-o de sua casa à força e tentando levá-lo para Curitiba em vôo que sairia de Congonhas, o Juiz golpista Sérgio Moro intimou Lula a ir para Curitiba prestar depoimentos.

Diante do cenário de barbárie que o regime político brasileiro se transformou, após o golpe de Estado, expresso na arbitrariedade dos juízes e do judiciário brasileiro de conjunto, a probabilidade de que Lula esteja sendo atraído para seu encarceramento é muito grande.

Se Lula, que foi presidente do País por duas vezes, elegendo sua sucessora pelos mesmos dois mandatos, uma personalidade conhecida no mundo inteiro, for preso, de forma arbitrária, inclusive sem ter nenhuma prova contra sua pessoa, nenhum indivíduo no Brasil estará livre das arbitrariedades dos golpistas que se apoderaram do poder no País.

Está na hora da esquerda nacional, o movimento operário, estudantil, popular entender que a prisão de Lula pela direita nacional é um ataque ao conjunto dos movimentos sociais do Brasil.

Não podemos permitir de forma alguma que Lula seja preso. É necessário organizar uma manifestação gigantesca em Curitiba, contra os golpistas e a tentativa de prisão de Lula.

Essa manifestação deve ser precedida de uma ampla campanha de propaganda junto à população dessa cidade com colagem de cartazes e panfletagem junto à população curitibana, nos locais de grande aglomeração de pessoas, nas fábricas e bairros operários.

É necessário que os movimentos sociais do Brasil inteiro, principalmente da região Sul e Sudeste do país e desloquem para Curitiba, um dia antes e aguarde Lula no aeroporto, para já dar o recado para o golpista Sérgio Moro de que não vamos deixar a Polícia Federal prender Lula. Nesse sentido, a mobilização deve estar imbuída de inclusive soltar Lula na marra caso o juizeco decida prendê-lo.

Uma manifestação de peso contra o mecanismo facistóide que existe na República do Paraná.

Governo Temer em pandarecos

O governo golpista de Temer vem se deparando a cada dia com uma nova dificuldade. O impasse de prosseguir com os ataques desastrosos à população, como a Reforma da Previdência, tem aproximado o governo Temer de seu fim. É bem claro que, a pouco tempo do período eleitoral, nenhum congressista quer ter no histórico o apoio aos ataques à aposentadoria do trabalhador, de quem dependerá logo mais para se eleger.

Michel Temer, nesse sentido, tem dobrado seus esforços para conciliar as exigências malucas da burguesia (privatizações, cortes etc.) e a falta de ânimo de um Congresso oportunista. Aliás, a força peemedebista no Congresso é o único pilar que, hoje, sustenta o governo do presidente golpista – o imperialismo já demonstrou que, na presidência, necessita de um agente mais fiel ao programa neoliberal; a imprensa burguesa passou a atacar a todo momento o governo; quanto à população, Temer atingiu uma das maiores impopularidades da história política nacional. Ou seja, Temer depende do Congresso para continuar respirando.

O que tem ocorrido nos últimos tempos, entretanto, põe em jogo a sobrevivência do Golpista – trata-se da crise interna no Congresso diante das reformas e do avanço das investigações. Com a delação da Odebrecht, A operação Lava Jato – um dos principais instrumentos do Golpe – tem adentrado o terreno peemedebista e agravado a instabilidade do governo.

Ao contrário do que possa pensar a esquerda pequeno-burguesa, a simples derrubada de Temer não é nenhuma vitória do povo, por duas razões principalmente: primeiro porque, tirando o golpista, se colocará por eleições indiretas alguém ainda mais direitista (o mais cotado é FHC); segundo porque, ao que parece, uma possível derrubada de Temer se dará pela cassação da chapa Dilma-Temer (processo encabeçado pelo PSDB), o que dificultaria a reversão do golpe contra a Dilma. Quer dizer, mais que à esquerda pequeno-burguesa (que está totalmente perdida sob o “Fora, Temer!”), é ao PSDB que interessa de fato a queda do golpista Temer.

A crise do governo, com sua instabilidade no congresso, deixa muito claro que o único modo de luta contra o golpe é exigindo a anulação do impeachment. O governo golpista está em pandarecos e abre caminho para duas possibilidades: ou o recrudescimento do golpe, ou o fortalecimento da luta verdadeiramente combativa da esquerda. É preciso, em tempos de crise, lutar pela volta da normalidade política com a volta da presidenta, lutar contra as arbitrariedades do Judiciário, lutar contra a prisão do ex-presidente Lula.

A reforma da previdência e a crise do governo golpista, na Análise Política da Semana

Assista à Análise dessa semana e os destaques políticos feitos pelo editor chefe do Jornal Causa Operária, Rui Costa Pimenta.

  • Destaque para reforma da previdência e como os golpistas tentam destruir todas conquistas feitas pelos trabalhadores.
  • O Aprofundamento do golpe com o ataque e a divisão do PMDB e a tomada do governo pelo PSDB.
  • A ida de Lula para Curitiba e a urgência da preparação de uma mobilização de massas para pressionar a direita e impedir sua prisão.
  • As bobagens ditas sobre o Brasil do “analista” Deltan Dallagnol.
  • A questão do goleiro Bruno e os direitos democráticos, assunto importante debatidos nas redes sociais. Qual seria a posição de um partido de esquerda?
  • A trapalhadas de Guilherme Boulos e como ele ajudou a dar um caráter “democrático” a Folha de São Paulo, um jornal que apoiou o golpe descaradamente.
  • O beijo de Chico Alencar na mão de Aécio Neves, e a total capitulação do PSOL a direita.
  • Um importante debate sobre o PCO e as forças armadas. Qual é o programa do partido para os militares?
  • E muito mais.

 

 

 

 

 

Tudo pode ser crime

Mostrando que não há limites na sua “interpretação” da Lei e sua disposição de colocar este entendimento acima da própria Constituição, como fez exaustivamente nos últimos tempos, o Supremo Tribunal Federal (STF) adotou a versão de que até mesmo as doações legais podem configurar recebimento de propina e, portanto, são passíveis de criminalização.

O entendimento se materializou na ultima semana, quando a segunda turma do STF aceitou denúncia contra Valdir Raupp (PMDB-RO) e dois assessores por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, diante da acusação de que ele teria recebido propina de R$ 500 mil por meio de doação oficial em sua campanha, em 2010 ao Senado em 2. Por este entendimento, qualquer político ou partido que fosse denunciado, por qualquer doação que fosse, que supostamente tivesse dito dada em troca de um suposto favor passado ou futuro poderia ser denunciado e penalidade por crime eleitoral.

Diante da situação, o líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), afirmou que isto configurava uma  “uma coisa horrorosa”, que representava a criminalização do caixa 1, o que “seja por que motivo for, aponta a necessidade da reinstitucionalização do Brasil” e acrescenta ainda que “a separação dos Poderes está com dificuldade” (O Estadão, 11⁄03⁄2017).

A direita golpista saudou a medida, que se coloca como mais um instrumento de pressão sobre os partidos e o congresso nacional no momento de uma enorme crise do regime nascido com a derrubada ilegal do governo da presidenta Dilma Roussef (PT).

Agindo por cima da Lei os ministros da Suprema Corte rejeitaram o argumento da defesa de que nã caberia a existência de crime uma vez que se tratava de doação oficialmente declarada.

A decisão é ainda uma ameaça, como assinala em seu voto o ministro Ricardo Lewandowski, que considerou ser necessário “saber se os acusados tinham conhecimento de que o dinheiro aparentemente por eles solicitado possuía origem ilícita” e agiram de forma premeditada para “dar-lhe aparência lícita”, o que seria “matéria a ser resolvida no campo probatório ao longo da instrução criminal”.

Mas, uma vez mais, ficou aberta a porta – bem larga – para eliminar a “presunção de inocência” e aceita-se a possibilidade de condenação por “convicção” sem provas de um suposto ilícito não comprado.

Diante dessa situação absurda, o líder do governo na Câmara, Aguinaldo Ribeiro (PP-PB) declarou em entrevista ao Grupo Estado, declarou que quem usou caixa 2 no passado não pode ser punido, pois a prática ainda não está tipificada no Código Penal e disse  que “o Congresso precisa enfrentar e discutir o tema com o Judiciário” e que o Brasil vive uma situação de “inversão da presunção da inocência” pela “presunção da culpa”.

O STF age também cm base na ilegal retroatividade da Lei contra o acusado, uma vez que apenas a partir de 2015, o STF estabeleceu a inconstitucionalidade das doações eleitorais feitas por pessoas jurídicas; sendo permitidas esse tipo de doação ateu então. A Lei também não estabelecia qualquer responsabilidade do político ou do partido que recebia a doação em relação à origem  do dinheiro recebido, cabendo-lhe apenas declarar o recebimento da doação junto à Justiça Eleitoral. A responsabilidade pela legalidade dos valores dados cabia apenas ao doador.

 O caso Valdir Raupp, expõe o enorme contorcionismo político que a direita busca realizar, em um autêntico vale tudo para pressionar e, se possível, condenar dirigentes do PMDB, da mesma forma com fizeram com o PT e outros que integraram a base parlamentar dos governos da frente popular (PT-PMDB-PP-PCdoB etc.). Como no casos do mesalão, se a Lei não é suficiente para condenar os adversários trata-se de adotar uma nova “interpretação” da Lei.

A ação do judiciário e a campanha da imprensa golpista a favor da condenação, agora, dos políticos do PMDB, aponta no sentido de uma perseguição geral aos partidos que segundo o TSE teriam se transformado – juntamente com a própria justiça eleitoral – em meras “agências de lavagem de dinheiro”.

Como no caso das denuncias do “mensalão” e da Petrobras, para um amplo setor da direita, já não seria necessário sequer provar que houve crime (tanto no caixa 1 ou 2).

Evidentemente que, de um ponto de vista político, não há diferença se a contribuição é legal ou ilegal. Os capitalistas financiavam (e continuam a financiar) a imensa maioria dos partidos para defenderem seus interesses contra outros capitalistas e contra a maioria da população.

No entanto, que  que pretende o Judiciário não é realizar um julgamento moral e condenar tês os partidos burgueses por suas vinculações com os capitalistas, o que colocaria todos eles em uma situação de ilegalidade.

O que se vê aqui é que, em primeiro lugar, diante de uma situação na qual o governo se vê claramente ameaçado de nã conseguir aprovara suas medidas no Congresso Nacional, se intensificam os ataques, na imprensa e pelo judiciário contra elementos do maior partido do parlamento.

O fundamental e mais grave ainda, é que essa chantagem evidencia que há um setor do golpe que está disposto a colocar abaixo o regime político em um sentido cada vez mais ditatorial  que pode incluir o fim dos partidos políticos (da maioria ou até de todos eles) e do próprio  congresso nacional para estabelecer uma ditadura semelhante às das décadas de 60 à 80, onde subsistiam apenas dois partidos  (Arena x PMDB) conviventes com o regime ditatorial.

Temer “faz cortesia com chapéu alheio” e é hostilizado

O golpista Michel Temer, além de fazer parte de um esquema com a burguesia internacional que realizou um golpe de Estado no Brasil, quando usurpou o cargo da presidenta Dilma Rousseff, não consegue parar de se apoderar de coisas que não são suas e foi até Campina Grande (PB) fazer papel de bom moço e de presidente popular visitando as obras concluídas de transposição do Rio São Francisco.

Para o líder da Minoria na Câmara, José Guimarães (PT-CE), o presidente tenta se apropriar politicamente de um feito que seria dos governos anteriores. Ao mesmo tempo que coloca a culpa das crises, recessões e corte de gastos na política do PT, ou seja, por mais que isso não seja verdade, o golpista só pega para si aquilo que é mais interessante para tentar elevar o moral diante da população brasileira.

Porém em seu discurso, Temer fez o papel do “democrático”, e disse que o pai desse empreendimento é “o povo”, que pagou impostos para que ele pudesse acontecer, e não Lula ou Dilma. Essa obra, contudo, foi pensada  elaborada por anos, e só foi iniciada em 2007. A conclusão da transposição estava originalmente planejada para 2012, mas atrasos mudaram a data prevista para 2016 e concluído em 2017.

Mesmo assim, os golpistas que rodeiam Temer com a hipocrisia que lhes cabem, disseram que: quem terminou a obra foi Temer, mas isso passou por vários governos. Vários governos que merecem o aplauso de todos — disse Temer, complementando em seguida: — Esta obra, se pudermos falar em paternidade dela, devemos dizer que a paternidade é do povo brasileiro. Não pensem que tem um dinheiro público e outro que vem dos impostos. O dinheiro vem dos impostos. Esta era uma dívida que o governo tem com o povo, e que agora está pagando.

O deputado Afonso Florence (PT-BA) se disse “perplexo” com a declaração de Temer:  — Estamos perplexos com essa declaração. Isso é uma tentativa de manipulação, de ludibriar a opinião pública. Uma obra tão robusta como essa não se conclui em meses. Não reconhecer a influência de Dilma e Lula é uma tentativa de ludibriar a opinião pública e o povo nordestino sabe disso. O governo de Temer só tem agenda negativa, aí tenta transformar em agenda positiva as obras da antecessora dele.

Porém o governo golpista de Temer é incrivelmente impopular, e a população trabalhadora que assistia a encenação golpista não deixou que Temer fizesse festa com o trabalho alheio e o golpista foi vaiado, mais uma vez. Os trabalhadores e a população pobre brasileira já não se deixa mais enganar por Temer, o golpista ataca de todas as formas os direitos da classe trabalhadora, portanto não adianta o que Temer faça, ou diga que fez,  nada fará com que suba sua popularidade diante do povo pobre e os trabalhadores brasileiros.

 

A revista IstoÉ faz uma revelação. É o fim do mundo

Reportagem publicada ontem, 10.3.2017, às 18 horas, pela revista IstoÉ, expõe, ao mesmo tempo, a canalhice do jornalismo brasileiro e o plano do imperialismo.

A revista procura dar uma cara democrática à reportagem que o leitor tem diante dos olhos, afirmando que o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, trabalha incansavelmente para divulgar a lista de delações da construtora Odebrecht. Ao final do primeiro parágrafo, mostra o quanto é democrática dizendo que a lista deve contemplar políticos do PMDB e do PSDB. Antes, porém, menciona “petistas de alto calibre, como os ex-presidentes Lula e Dilma Rousseff”.

A menção ao PSDB é apenas episódica. Na foto que ilustra a reportagem, nenhum político desse partido aparece. E, ao centro, estão obviamente Lula e Dilma Rousseff. A foto é uma paródia do “Juízo Final” de Michelangelo. Mais do que a reportagem, a comparação é reveladora.

Qualquer pessoa com um pouco de juízo (e não precisa ser um juízo final) sabe o quanto essa revista é venal e que ela é financiada pelo PSDB. Para se ter certeza, basta olhar na coluna ao lado da reportagem e ler ali o nome de Marco Antonio Villa, uma figura abjeta que se vende por qualquer dinheirinho.

Mas, chegou a hora de mudar de discurso, pois a reportagem esbarra – sem querer, é claro – num ponto central da política internacional. Não se trata apenas de abalar a estrutura política do Brasil. É um plano do imperialismo mundial para extinguir a classe política.

Durante o século XVII na Inglaterra e nos Estados Unidos, e o século XVIII na França, a burguesia lutou arduamente para acabar com uma classe social que a parasitava, a aristocracia. E aconteceram as revoluções burguesas, com sucessos e retrocessos. No final, a burguesia prevaleceu e os parasitas foram varridos do mapa.

Hoje, a burguesia, em sua fase imperialista, encontra-se em uma situação semelhante. Tem de sustentar uma classe parasitária que é a classe política. Diferentemente do que acontecia em meados do século passado, isso tem hoje um custo altíssimo. Uma eleição custa rios de dinheiro e precisa ser financiada pela burguesia para que não perca seus privilégios. E não são apenas as eleições que saem caras. A manutenção dessa classe política no poder demanda, também, rios de dinheiro.

Um candidato ao Senado custa, por exemplo, R$2 milhões em média, oficialmente. Isso sem contar aquilo que não é declarado. E, mais, entre salários, despesas e benefícios, consome do Estado mais do que R$ 150 mil por mês. As campanhas são pagas com dinheiro da burguesia. Os salários e despesas, com dinheiro dos impostos.

É preciso acabar com esses parasitas! É o que pensa a burguesia.

O problema é que não é fácil. No Brasil, a burguesia apoiou o golpe de Estado e anda meio arrependida. Sabe que não se pode diminuir os gastos públicos se não atingir diretamente a classe política. Tenta convencer a população de que isso é necessário. Usa o sistema judiciário contra a classe política. Procura acabar com o foro privilegiado. Determinar quem pode se manter no cargo e quem não pode. Mas tudo o que consegue são progressos lentos e tímidos.

Uma segunda, e desesperada tentativa, foi lançar candidatos de seu próprio meio. E apresentou uma série de “gestores” – leia-se membros da própria burguesia – para ocupar cargos públicos. O sucesso é lastimável. Basta ver a atuação ridícula de João Dória em São Paulo e de Donald Trump nos Estados Unidos.

A burguesia não pode brincar com fogo. Se tentar excluir da direção do Estado políticos profissionais, vai dar passo para o avanço da classe operária, que é seu verdadeiro antagonista.

De qualquer forma, o plano é esse. Temos o exemplo dos golpes de Estado que vêm ocorrendo no mundo todo, numa escalada sem precedentes na História. Empresas de grande porte, como a Odebrecht e a Samsung, estão envolvidas em escândalos justamente por financiarem políticos em seus países. Isso revela que a política adotada pelo imperialismo promove não apenas uma luta por assentos nos parlamentos, mas também uma luta interna dentro da própria burguesia.

A eleição de Donald Trump entristeceu o imperialismo. Foi uma balde de água fria em seus planos de dominação. Mas, mais do que isso, mostrou, também, que a ideia de colocar empresários para dirigir nações é um equívoco. Pelo menos para dirigir nações imperialistas.

Ao imperialismo restaria apenas continuar lutando, vagorosamente, para minar ainda mais a credibilidade da classe política e, quem sabe, um dia, diminuir os gastos que tem com ela. Por enquanto, ela continuaria como está. No poder, e com dores de cabeça.

Mas não é assim. O imperialismo não tem tempo nem paciência. Como não é possível eliminar a classe política, para impor controle sobre ela será preciso aumentar o controle sobre os partidos. Em primeiro lugar, haverá de diminuir substancialmente a quantidade de partidos. Ao fim e ao cabo, será como na época da ditadura militar. Dois partidos apenas. Dessa forma, fica mais fácil submeter os políticos, diminuir os custos com eles, aumentar a forma de oprimi-los (como ocorria na época, em que os políticos, se dissessem alguma coisa que destoasse da política do governo, ou era cassado ou desaparecia do mapa).

E isso já está acontecendo.

Previdência: chantagem para “garantir o futuro”, dos banqueiros

Em editorial com o título pomposo de “Verdades que têm de ser ditas”, publicada nesta sexta (dia 10), o  reacionário jornal O Estado de S. Paulo procura explicar e convencer seus leitores de algumas das principais mentiras sobre a questão da reforma da previdência que o governo golpista de Michel Temer encaminhou ao Congresso Nacional.

O texto foi produzido para elogiar a atuação do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles – justamente quem detém as “chaves do cofre” que vem se abrindo cada vez mais para patrocinar a imprensa golpista –  que assumiu a liderança da campanha de chantagens do governo na Câmara dos Deputados, em favor da aprovação, sem mudanças, da reforma. Segundo  o Estadão,  ministro “não podia ser mais claro quanto à urgência da reforma da Previdência”, ressaltando a participação do ex-banqueiro no Fórum dedicado ao assunto, realizado na véspera.

“Necessidade para quem?”

Falando para um público admirador da ofensiva que o governo, a mando do imperialismo, realiza contra as aposentadorias e todos os serviços sociais de interesse da população trabalhadora, Meirelles – segundo o jornal – apresentou a reforma como uma “necessidade”, afirmando que a “questão não é se a reforma é boa ou ruim. A questão fundamental é se a sociedade brasileira pode pagar os custos crescentes de um sistema que já não tem racionalidade”, que atacou com a repetida chantagem que vem sendo apresentada aos parlamentares e toda sociedade que “não realizar a reforma, tal como apresentada pelo governo, é comprometer o próprio futuro do País”.

De acordo com os números apresentados pelo ministro no Fórum do Estadão, “os gastos com a Previdência saltaram de 3,3% do Produto Interno Bruto em 1991 para 8,1% hoje. Se nada for feito, essas despesas chegarão a 17% do PIB em 2060”. Considerando que isso seja verdade, isso seria realmente um problema, mas para quem? “Comprometeria o futuro, mas de quem?

Por certo uma situação assim seria um problema, para os banqueiros representados pelo ministro que, hoje, levam quase 50% dos recursos do orçamento público e somam cerca de 30 famílias que dominam o mercado financeiro, ganhando bilhões por ano às custa das altas taxas de juros, mantidas por “homens de bom senso” como o ministro-banqueiro. A previdência sustenta hoje cerca de 30 milhões de aposentados e pensionistas. De onde então deveriam ser cortados os gastos? Das 30 famílias abastadas dos banqueiros ou dos 30 milhões de dependentes da previdência?

 

“Todo apoio ao golpe”

 

Entusiasta do golpe, O Estado de S. Paulo não se contém em contrariar a enorme maioria da população e exaltar governo Temer, exultando que “o Brasil tem autoridades dispostas a dizer o que a sociedade tem de ouvir, verdades que foram escamoteadas por governos e políticos irresponsáveis na última década”. Ao mesmo tempo em que se apresenta com um verdadeiro pasquim da direita atacando quem quer que seja que se oponha à reforma que garante o “futuro” dos banqueiros. Para os trombeteiros  do apocalipse, do “desastre se avizinha rapidamente” (e que virá se previdência não for destruída) é preciso atacar “o PT e seu chefão, Lula da Silva, [que] continuam a tratar do tema de maneira inconsequente, afirma ao citar que  ex-presidente anunciou em reunião com s sindicalistas que “essa proposta parece que remonta aos tempos da escravidão”

Cinicamente, o editorial do jornaleco direitista finge conclamar a “Michel Temer e seus principais auxiliares” que sejam “francos, como foi Meirelles em sua fala no Fórum Estadão, ao abordarem publicamente a questão da Previdência”. O que significaria isto? Que o governo deveria contar ao povo que praticamente ninguém mais conseguirá se aposentar com vencimento integrais, caso a reforma passe, pois em uma situação de desemprego crescente e elevadíssima rotatividade da mão-de-obra será praticamente impossível que alguém alcance 49 anos de contribuição? É dessa sinceridade e franqueza de que fala o Estadão?

Ou será que o jornal está querendo que Temer e Cia. diga “francamente” que o “rombo da previdência” é provocado pela política de isenções e subsídios concedidos a grandes capitalistas (cada vez mais dependentes do Estado) e pela política de rapina de Desvinculação das Receitas da Uniã (DRU) que garantem que  governo possa desviar (e desvia) todos os anos até 30% da receitas do regime de seguridade social, para garantir os juros e serviços exorbitantes da dívida pública, para  deleite dos banqueiros, com denuncia a AFIP (Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Previdência) e outros órgãos dos trabalhadores?

Veja s números da ANFIP, que resumem o falso dficit da Previdência Social:

 

Passando por cima da realidade, O Estadão assinala que – segundo o ministro -, “todas as demais despesas do governo representam hoje 45% do total, mas mesmo que fossem reduzidas para 33%, naquele cenário não seria possível cobrir os gastos com a Previdência. Claro, se isto acontecesse faltaria dinheiro para continuar fazendo a farra dos banqueiros ou seria preciso matar boa parte do povo de fome, fechar todas as escolas, postos de saúde, para todas as obras, demitir todos os funcionários públicos, o que poderia dar lugar a revolta popular, uma revolução. O Estado de S. Paulo e Meirelles não querem isso. Matar a galinha dos ovos de ouro, acabaria com a fonte das reservas douradas dos banqueiros e seus aliados, com a imprensa golpista. Querem portanto que se imponha a reforma da previdência e outras tantas que faça as condições de vida e de trabalho da maioria retroceder como nunca, mas mantendo os escravos vivos.

Derrotar a chantagem

Vendo a crescente insatisfação popular e a vacilação dos deputados de enfrentar a rejeição que a aprovação dessa reforma pode provocar partiram para a simples chantagem, usando da falsificação e de tudo mais que têm à mão para tentar continuar enganando o povo.

Não só querem a aprovação da reforma, mas querem que os parlamentares a prevê sem mudança alguma (com querem manobrar certos deputados).  O jornal cita e apóia o secretário da Previdência Social, Marcelo Caetano, também presente ao Fórum Estadão, segundo quem “se a reforma não for aprovada pelo Congresso tal como foi encaminhada pelo Executivo, será necessário ‘realizar reformas mais fortes no futuro para compensar o que deixou de ser feito agora’.

Deixa claro que a “reforma da previdência” bem como as demais atrocidades do governo contra os trabalhadores e a economia nacional, só podem ser derrotadas por meio da derrota do golpe de Estado, pondo fim nã só ao governo Temer, mas a todo o regime golpista de conjunto, com seu congresso nacional, capacho do imperialismo e a monopólio dos meios de comunicação que mentem e chantageiam descaradamente para defender os interesses de um punhado de banqueiros nacionais e estrangeiros e outros tubarões capitalistas, dependentes do Estado e da expropriação do povo brasileiro.

Para conquistar esta derrota é preciso mobilizar os principais pelotões do exército da classe trabalhadora, principalmente, a classe operária e sua organizações de luta, realizando uma intensa trabalho de pragana e agitação nos locais de trabalho que esclareça as reais intenções dos chantageadores e convoque a mobilização, como a greve geral contra o golpe.

Vendepatrias: o encontro de Aloysio Nunes e Mauricio Macri

Nesta quinta-feira (9) o golpista Aloysio Nunes, que saiu do Senado para substituir José Serra como chanceler, foi recebido na Casa Rosada, sede do governo da Argentina, pelo presidente Mauricio Macri, em visita oficial. Um encontro que reuniu dois governos entreguistas para vender seus países a preço de banana. Pelo Twitter, o golpista Nunes disse o seguinte: “Foi uma conversa muito boa e produtiva sobre como destravar limitações do Mercosul – não só alfandegárias e tributárias, mas regulatórias”. O que isso significa na verdade é que os dois governos estão preparando o desmantelamento da política do Mercosul de aproximação econômica entre vizinhos para torná-lo uma ferramenta de exploração dos países da região pelo imperialismo.

No Brasil, Aloysio Nunes participou do golpe que colocou a direita no poder a serviço do imperialismo. Na Argentina, o imperialismo impulsionou uma campanha golpista contra Cristina Kirchner, que acabou levando à vitória eleitoral de Mauricio Macri no meio da campanha, encurtando o caminho. Tanto em um caso com no outro, trata-se de políticos golpistas a serviço do imperialismo e que agora se empenham em implementar o programa do imperialismo para os países atrasados em seus respectivos países.

O programa do imperialismo para os países atrasados diante da crise do capitalismo é de liquidação da economia nacional, exploração ainda mais intensa dos trabalhadores, ataques às condições de vida da população, privatizações e ataques ao direito da população de se organizar. É a serviço desse programa que os golpistas de todo o continente trabalham. Logo que assumiu o cargo, Aloysio Nunes aproveitou para atacar a Venezuela. O golpismo dos lacaios do imperialismo na região se estende também até os países vizinhos, onde quer que a direita esteja tentando derrubar um governo em benefício dos monopólios econômicos estrangeiros.

Não à destruição dos direitos trabalhistas

Os golpistas preparam o fim de todos os direitos dos trabalhadores. A reforma trabalhista proposta pela direita pretende acabar com as garantias legais conquistadas pela classe operária ao longo de mais de um século de história, como o seguro-desemprego, as férias, o décimo terceiro. Isso sem mencionar a proposta dos golpistas de aumentar a jornada de trabalho para até 12 horas diárias.

Os golpistas querem ainda aprovar o chamado predomínio do negociado sobre o legislado, o que  dará um cheque em branco para os patrões explorarem ainda mais os trabalhadores, diminuindo os salários, aumentando a carga horária e retirando direitos.

Segundo declaração do presidente golpista da Câmara de Deputados, Rodrigo Maia do DEM, a própria Justiça do trabalho não deveria existir. Ou seja, para a direita, os patrões devem ter total liberdade para massacrar e escravizar os trabalhadores.

Há ainda o projeto de lei que pretende terceirizar todas as atividades. Criado em 1998 e aprovado no Senado em 2002, o projeto de lei 4.302 tramita na Câmara e se aprovado irá para sanção do presidente golpista  Michel Temer, depois de .quase 20 anos n Congresso.

A terceirização irrestrita é mais um duro ataque as condições de trabalho. O trabalhador terceirizado não possui nenhum direito garantido e não conta com qualquer estabilidade, podendo ser demitido a qualquer momento sem contar com qualquer garantia.

Diante desse quadro de de liquidação dos direitos trabalhistas, é preciso mobilizar a classe trabalhadora a lutar em defesa de suas conquistas e contra o golpe de estado. É preciso formar em cada fábrica e em cada local de trabalho comitês de luta contra o golpe.

Somente a mobilização da classe operária e de toda a população pode derrotar  golpe, anular o impeachment e barrar a ofensiva golpista.

Novas arbitrariedades do MP: uma orientação ilegal para eliminação dos partidos

No último mês, o Vice Procurador-Geral Eleitoral, Nicolau Dino, enviou parecer ao Tribunal Superior eleitoral pedindo a rejeição das contas do Partido Causa Operária, referentes a 2011 e  a abertura de investigação para “apuração de crimes, em especial à eventual ocorrência de crimes e atos de improbidade administrativa na gestão de recursos de natureza pública (Fundo Partidário), que são de alçada do Procurador-Geral da República (…) para que adote as providências que julgar devidas e pertinentes, em tese atribuíveis a Rui Costa Pimenta.”

A rejeição das contas tem como punição a devolução ao TSE de toda a verba recebida no período a que as contas se referem e a suspensão de recebimento do Fundo Partidário por até 1 ano. Um enorme prejuízo ao PCO, pois através de uma condenação o partido assume automaticamente uma enorme dívida, na medida em que novas cotas do Fundo Partidário não podem ser usadas para pagamento da dívida, além do desfalque provocado na atividade rotineira do partido.

Além do ataque financeiro à agremiação neste caso ainda pretende-se a abertura de processo de natureza criminal contra o presidente do PCO.

Diante de tão duras punições imagina-se que o partido tenha  cometido as mais graves irregularidades financeiras e administrativas com verba do Fundo Partidário.

Nada mais longe da realidade, todo este fervor punitivo se deve à pura vontade do representante do Ministério Público, pois nenhuma única lei foi violada e nem há o menor indício de utilização do Fundo Partidário para fins alheios ao funcionamento e à atividade partidária do PCO.

O Ministério Público e a unidade técnica que analisa as contas no TSE alegam que o PCO deve ser punido por não ter fornecido relatórios relativos à atividades específica dos prestadores de serviços do Partido, não ter fornecido recibos referentes à gastos com alimentação de cerca de R$ 2 mil, além de relatórios a respeito de acordos judiciais em processos públicos, os quais poderiam ter sido conferidos pela internet e outras solicitações na mesma linha. Relatórios esses que sequer constam na legislação.

O principal montante se refere aos relatórios sobre atividades de prestadores de serviços (advogados, auxiliares administrativos e pasmem o presidente do PCO). Segundo o TSE, seria necessário demonstrar, por exemplo, porque o PCO pagou advogados!

Trata-se de verdadeiro absurdo jurídico, uma vez que é evidente a função destes prestadores e dos baixos valores recebidos, quando recebidos… (aliás as informações poderiam ser confirmadas através de pesquisa pela internet mostrando o patrocínio dos advogados em inúmeros processos no próprio TSE e das atividades do presidente do PCO de caráter público), mas é ainda mais absurda a rejeição da prestação de contas em função de uma exigência que não é prevista em lei, nem resolução do TSE, que exige somente recibos fiscais ou recibos comuns.

A Resolução 21.841 deste Tribunal Superior Eleitoral, que regula a documentação necessária para prestação de contas estabelece  em seu artigo 9º, incisos I e II, que:

“A comprovação das despesas deve ser realizada pelos documentos abaixo indicados, originais ou cópias autenticadas, emitidos em nome do partido político, sem emendas ou rasuras, referentes ao exercício em exame e discriminados por natureza do serviço prestado ou do material adquirido:

I – documentos fiscais emitidos segundo a legislação vigente, quando se tratar de bens e serviços adquiridos de pessoa física ou jurídica; e

II – recibos, contendo nome legível, endereço, CPF ou CNPJ do emitente, natureza do serviço prestado, data de emissão e valor, caso a legislação competente dispense a emissão de documento fiscal”.

Toda legislação foi integralmente cumprida, não havendo qualquer motivo legal para reprovação das contas partidárias, nem punição à agremiação, muito menos ao seu presidente nacional. Nem falar da possibilidade de criminalização por improbidade administrativa de uma pessoa conhecida pela total dedicação ao PCO desde sua fundação, quando não se cogitava o recebimento de qualquer recurso à título de fundo partidário ou de qualquer recurso público.

Esta ofensiva abertamente ilegal contra o PCO segue a linha geral de ataques em regra à liberdade partidária no país. A vida interna dos partidos jamais poderia ser objeto de microscópica avaliação pelo Judiciário como atualmente se faz. Se trata de uma política de características policialescas fascistas, onde o Estado se imiscui nas decisões dos membros do partido, inclusive decidindo o que é certo e errado, nas decisões administrativas cotidianas.

Esta política de abertamente intervir na vida interna dos partidos visa a ter um banco de informações de seu funcionamento, através da “lei”, além de criar cada vez mais exigências para estrangular financeira e políticamente todos os partidos opositores – e, também, os não opositores – total ou parcialmente aos planos do governo de plantão.

Não é segredo, neste momento, a luta entre o governo e parte expressiva de sua base partidária em torno de problemas como a reforma da previdência e sindical.

Os partidos são objeto constante do ataque dos meios de comunicação, da legislação e particularmente do Ministério Púbico, pois são, obviamente, mesmo nos piores casos um contra-peso ao poder absoluto dos elementos abertamente ligados ao imperialismo e aos planos de liquidação da economia nacional, representados no atual governo e no judiciário.

É preciso organizar uma campanha contra a defesa indireta da ditadura do judiciário, através do ataque sistemático aos partidos, como instituições representativas e de políticas de estrangulamento partidário através de processos aos seus dirigentes e de cortes de recursos.

Para Gilmar Mendes, “caixa dois” pode, mas só para tucanos

Muito se tem noticiado a respeito do uso do “caixa dois” nas campanhas eleitorais, principalmente depois da delação da Odebrecht, na qual centenas políticos dos partidos cm assento no Congresso Nacional, teriam recebido dinheiro da empreiteira.

Recentemente, o ex-presidente golpista, Fernando Henrique Cardoso, defendeu o PSDB de acusações a respeito do “caixa dois”, relativizando seu uso. Para FHC, há diferença entre dinheiro recebido para financiar campanha e dinheiro para enriquecimento ilícito.

Há dois dias, Gilmar Mendes (guardião político de Aécio Neves e do PSDB) veio a corroborar a relativização do caixa dois, dizendo o mesmo que FHC. É evidente que toda essa campanha de relativização pelos golpistas veio à tona porque o problema começou a adentrar em terrenos tucanos.

Em 2012, quando os petistas Zé Dirceu e Delúbio Soares foram acusados de operar um caixa dois, toda a agitação em cima do tema se deu pela negativa – de que seria crime, de que seria traição, de que seria isso e aquilo.

O próprio Gilmar Mendes, ao tratar dos petistas nesse ano, apresentava uma postura extremamente incisiva, diferente da brandura com que hoje trata o tema.

Sim, é fato que não se deve condenar ninguém pelo uso de caixa dois; mas é preciso ficar claro que todo posicionamento desses políticos e ministros visa blindar os nomes peessedebistas e outros golpistas de maiores problemas. Esse é o intento.

Seria mais ou menos assim a estratégia: tira-se de cima do caixa dois o peso moral e criminal, limpa-se dos golpistas a barra dos problemas relacionados a ele, e os petistas e outros ligados ao governo deposto com o golpe que se defrontem com a arbitrariedade do judiciário.

Afinal, nós sabemos que, em se tratando dos petistas e de seus antigos aliados, os direitos e o código penal não têm lá tanta relevância para a Lava Jato.

Repressão comprova que lei antipichação é perseguição política

O caso da estudante de direito multada pela lei antipichação instituída pelo prefeito coxinha de São Paulo, João Doria Júnior, revela que a política de repressão contra os pichadores e grafiteiros da cidade tem com pano de fundo um viés político. Maira é filiada ao PT, e foi pega enquanto fazia uma pichação no Brás, em São Paulo. A multa contra a estudante pode chegar a casa dos 10 mil reais.

A política de repressão e criminalização das pichações e grafites na cidade de São paulo levada adiante por Doria, além de ser um ataque frontal contra a juventude mais pobre e à liberdade de expressão, carrega consigo também um objetivo político. Por meio da lei, Doria e a direita política pretendem impor uma verdadeira caçada aos militantes, filiados e simpatizantes de organizações de esquerda, nesse sentido, o caso de Maira é muito esclarecedor. Querem acabar com as manifestações políticas. 

É necessário que a juventude e toda a população de São Paulo se mobilize contra a verdadeira ditadura implantada em São Paulo pelo tucano João Doria. Vale lembrar que essa é a mesma política adotada pelos golpistas a nível nacional, é a política do golpe de Estado, de tentar impor a mordaça, acabar com qualquer forma de liberdade de expressão por meio leis e ações repressivas.

Michel Temer e o lugar da mulher na sociedade

O Palácio do Planalto tentou fazer demagogia com o Dia Internacional da Mulher. O problema, porém, é que chamou como orador o palhaço do Planalto, o próprio Michel Temer.

E no papel que deveria estar reservado ao Deputado Tiririca, estava Temer melhor do que nunca. “Tenho absoluta convicção… do quanto a mulher faz pela casa, do quanto faz pelo lar.” Traduzindo: Lugar de mulher é na cozinha. E, depois, “ninguém é mais capaz de indicar os desajustes… no supermercado.” Ou seja, o grande papel da mulher na sociedade é servir a casa, o marido. E Temer, como presidente, acredita que seja ele um grande homem. Pois, tendo o papel de dirigir o Brasil, pensa que ninguém é mais importante do que ele.

Mas, por que Michel Temer dirige o País, afinal? Chegou ele ao poder pelo voto? E, mais, pelo voto das mulheres? Não! Precisou dar um golpe justamente numa mulher para chegar à presidência.

E, depois de dizer essas bobagens em público, no Dia das Mulheres, teve de se justificar. E coube à secretária de Política para as Mulheres (diga-se de passagem, um outro peão) justificar a fala do presidente: “O Presidente Michel é muito mais do que palavras.” Ficou pior a emenda do que o soneto. De fato, ele é mais do que palavras, pois ninguém se fia nas palavras dele. É mais do que palavras: é um golpista; uma pessoa em quem ninguém pode confiar.

E, além de ser desajeitado com as palavras é, também, desajeitado com as mulheres. Casou-se com um bibelô, pois a mulher só tem para ele uma função: ser admirada na sociedade e servir como moeda de troca nas relações espúrias da política.

Mas a mulher de Temer não é qualquer mulher. É a Primeira Dama. E, sendo a primeira dama, é a mulher mais importante do país e exemplo para todas as outras. A mulher não pode ser presidente da república, ela tem de ser bonita, recatada e do lar.

A grande lição que o ditador do Brasil deu ao mundo no dia da mulher foi a certeza de que, em seu governo, a mulher será tão respeitada quanto um capacho na porta de uma cozinha.

A imprensa, igualmente golpista, tentou amenizar a fala de Temer. Tudo o que conseguiu foi tornar-se mais ridícula do que já era. Encobrir as intenções de Temer foi pior do que a famosa frase “bonita, recatada e do lar”.

E, para coroar o Dia da Mulher, a GloboNews apresentou uma entrevista com a mulher de Sérgio Moro, outra recatada. Quanto a ser bonita e do lar, ninguém sabe, ninguém viu. Foi apresentada como advogada. Deve estar chovendo clientes na sua horta.

E ninguém sabe mais do que ela sobre os preços no supermercado. Mas, nesse caso, o marido teve participação especial. Foi protagonista.

Eleições: a desorientação da esquerda pequeno-burguesa

No último dia 3, Leonardo Attuch, principal editor do portal Brasil 247, publicou um artigo com o seguinte título: “Só eleições gerais podem salvar o país”. A tese defendida pelo jornalista já está claramente exposta em seu título. No entanto, uma análise do texto demonstra que a posição de Attuch não é um mero equívoco político descontextualizado – é o resultado de uma crise da esquerda pequeno-burguesa.

Attuch começa seu texto reconhecendo que a luta da esquerda deve ir além do que gritar “Fora, Temer” no carnaval. Contudo, em seguida, Attuch afirma que é necessário “construir uma saída legítima para o maior impasse institucional da história do País, que arrastou a economia para o fundo do poço”. Assim, se por um lado o jornalista reconhece uma falha na política que vem sendo defendida pela esquerda, por outro, ele se mostra completamente descrente em qualquer luta contra o golpe. Uma “saída” para o “impasse institucional” significa que Leonardo Attuch resolveu esquecer “essa história de golpe”.

A negligência para com a luta contra o golpe era uma coisa esperada. Depois de derrotas sucessivas da esquerda pequeno-burguesa, que optou por lutas parciais ao invés de uma luta política contra o golpe, um estado de desânimo atingiu em cheio Leonardo Attuch.

Após essa introdução, Attuch aponta alguns fatos recentes, expondo a confusa situação da burguesia. No entanto, ao invés de apresentar a causa a partir da luta de classes, Attuch recorre a argumentos morais – a crise dentro do regime golpista seria apenas o resultado do “mau-caratismo” dos golpistas. E é justamente esse o grande problema: ao ignorar que a crise advém dos movimentos de uma classe dominante, Attuch ignora, ingenuamente, a limitação de uma política eleitoreira.

A classe trabalhadora não pode cair mais uma vez nas ilusões da democracia burguesa. O golpe de Estado dado contra Dilma Rousseff deixou claro que não é a eleição para um cargo que permitirá que as massas tenham suas aspirações saciadas. Apenas um governo operário, sem qualquer dependência da burguesia, poderá dar à classe trabalhadora o poder político necessário para que suas reivindicações sejam atendidas.

A cobertura das manifestações do 8 de Março

Acompanhe, pelo Diário Causa Operária (DCO) a cobertura dos atos do Dia de Luta da Mulher, com informações, momento a momento, da manifestação. O PCO está no ato com um grande bloco contra o golpe, pela anulação do impeachment, que vai atacar os direitos mais elementares das mulheres.

19h30 – Atos estão se encerrando. Os professores municipais e estaduais terminaram a passeata em frente à Câmara Municipal, já os manifestantes que iniciaram o ato na Praça da Sé estão encerrando o ato em frente à prefeitura.

19h06 – Atos dos professores vai se encaminhando para o final, em frente à Câmara Municipal de São Paulo. Os professores estaduais e municipais aprovaram a greve a partir do dia 15 de março, quarta-feira, acompanhando o calendário nacional aprovado pela Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE).

18h48 – Passeata dos professores estaduais e municipais em greve chega até a Câmara Municipal de São Paulo

Aos poucos, manifestantes chegam na Câmara Municipal

18h39 – Companheiras do bloco “Anula STF”, que pede a anulação do impeachment, estão presentes no ato do Dia de Luta da Mulher na Praça da Sé

18h32 – Companheiro Vitor Teixeira desenhou uma charge especial para o Dia 8 de Março, lembrando a necessidade de lutar contra o golpe e pela anulação do impeachment

 

18h20 – Além de São Paulo, pelo menos em mais 10 estados ocorrem atos do Dia de Luta da Mulher: Minas Gerais, Alagoas, Bahia, Rio de Janeiro, Tocantins, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Sul, Paraná e Pará

Ato em João Pessoa, na Paraíba

18h10 – Um mar de gente toma conta das ruas do centro de São Paulo. Os professores municipais e estaduais vão se encontrar com outras milhares de pessoas que estão na Praça da Sé no ato do Dia de Luta da Mulher

17h47 – Passeata com dezenas de milhares de professores em greve já se encontra na metade da avenida Brigadeiro, em breve estarão na Praça da Sé

17h21 – Coxinhas vermelhos do PSTU e seus grupelhos não querem participar do ato unificado do Dia de Luta das Mulheres, já que são a favor do golpe. Por isso, deixaram a assembleia da APEOESP para formar um micro ato, que vai na rabeira da enorme passeata. Isso sim é vontade de defender a Reforma da Previdência, do golpe e contra as mulheres

17h20 – Veja as imagens da enorme passeata dos professores estaduais e municipais em greve que estão indo para a Praça da Sé se juntar ao ato do Dia de Luta das Mulheres, contra o golpe!

17h09 – Ativistas da luta pela moradia também estão presentes no grande ato do Dia de Luta das Mulheres, contra o golpe!

17h08 – Jovem ativista declara: “para retomar os direitos, é preciso tirar Temer”

17h00 – Dezenas de milhares de professores estaduais e municipais partem em uma enorme passeata pela Avenida Paulista até a Praça da Sé

16h48 -SIMPEEM (Sindicato dos Professores Municipais de São Paulo), após declarar greve, chega ao MASP para se juntar aos professores estaduais da APEOESP

16h37 – Paulista está tomada pelos professores, que podem decidir pela greve em instantes se juntando aos professores municipais, que já aprovaram a greve. Essa multidão vai em passeata até a Praça da Sé, lutar pelos direitos das mulheres, lutar contra o golpe de Estado

16h17 – Companheira fala sobre o ato e a luta contra o golpe

16h17 – Professores estaduais tomam as duas pistas da avenida Paulista

16h15 – Professores municipais de São Paulo declaram greve! A assembleia vai se encontrar com os professores da APEOESP e todos vão em passeata até a Praça da Sé!

 

16h01 – “Fora Alckmin! Fora Alckmin!”, é o grito de dezenas de milhares de professores na Assembleia da APEOESP.

Assista aqui: IMG_2215

 

15h50 – Assembleia da APEOESP lotada no vão do MASP. O PCO está presente

15h47 – Ativista dá o seu recado: “para derrotar os ataques, é preciso derrotar os golpistas e anular o impeachment”

15h47 – Assembleia da APEOESP lotada no vão do MASP. Esse mar de gente vai se juntar ao ato na Praça da Sé, que está começando agora

15h36 – Trabalhadora de Ferraz de Vasconselos, na Grande São Paulo, dá seu depoimento contra a Reforma da Previdência dos golpistas

15h30 – A Praça da Sé já está bastante cheia. Os manifestantes ainda aguardam os professores que vêm das assembleias da APEOESP e do SINPEEM.

 

15h24 – Mulheres dos movimentos por moradia, contra o golpe. Assista:

15h18 – Centenas de mulheres da CUT, MST, e outros grupos se aglomeram em frente à Catedral da Sé contra o golpe!

 

15h10 – Mulheres do MST chegam ao ato do Dia de Luta das Mulheres, contra o golpe. Assista ao vídeo:

15h00 – Manifestantes começam a chegar ao ato de 8 de Março na Praça da Sé, em São Paulo. O ato começa oficialmente às 16 horas. Os companheiros podem visitar a barraca do PCO na Praça da Sé.

14h45 – No MASP, na Avenida Paulista, começou a Assembleia dos professores estaduais de São Paulo, que pode deflagrar greve geral para o dia 15 de março. Após a assembleia, milhares de professores vão em passeata até a Praça da Sé, se juntar ao ato do Dia de Luta das Mulheres. Militantes do PCO estão presentes na assembleia.

 

Aloysio Nunes já avisou que apoia o golpe na Venezuela

Terça-feira (7), o novo ministro das Relações Exteriores do Brasil, Aloysio Nunes, fez seu primeiro discurso no cargo. Logo de cara, o golpista anunciou seu apoio irrestrito à direita golpista venezuelana. Nas palavras do golpista, “solidariedade do Brasil com aqueles que lutam para restaurar a democracia”, contra o que ele chamou de “escalada autoritária”. A única escalada autoritária que existe na região é nos países em que a direita tomou o poder, como fez no Brasil por meio do golpe. O novo chanceler golpista é tão autoritário que quer derrubar governo de outros países.

A chanceler venezuelana, Delcy Rodríguez, reagiu às palavras do golpista, dizendo que não esse tipo de diplomacia que os povos precisam. No Twitter, Rodríguez afirmou: “O novo chanceler do Brasil, Aloysio Nunes, começou com o pé esquerdo suas funções, atacando a Venezuela. Enviei para ele o ABC da Diplomacia”.

Aloysio Nunes substituirá José Serra, golpista que deixou o cargo alegando problemas de saúde. Em 2015, o golpista já tinha ido, com uma comitiva de senadores, apoiar a direita golpista na Venezuela. O então senador não conseguiu, no entanto, ir muito além de alguns quilômetros adiante do aeroporto. Recebida por um protesto popular, a comitiva recuou e pegou um avião de volta para o Brasil, onde tramavam o golpe para derrubar o governo do PT.

“Era o Dia Internacional da Mulher…” Aqui começa a nossa cobertura da Revolução Russa de 1917

Rui Costa Pimenta

Editor do Diário Causa Operária Online

 

“O dia 23 de janeiro era o Dia Internacional da Mulher.” Assim começa Leon Trótski, na mais importante obra jamais escrita sobre a revolução que realiza no dia de hoje um século do seu acontecimento, a narração dos acontecimentos do primeiro capítulo do ano revolucionário que foi a Revolução de Fevereiro de 1917.

O 23 de fevereiro é, logicamente, o dia 8 de março, no velho calendário russo eliminado pelo governo revolucionário.

A partir de hoje, vamos fazer uma minuciosa “cobertura” deste acontecimento crucial da história da sociedade humana que representa o umbral entre a pré-história e a história verdadeira da humanidade no dizer de Karl Marx.

Cabe falar de “cobertura” de um acontecimento de cem anos atrás? Nosso objetivo não é apenas discutir problemas fundamentais relacionados com a Revolução, mas oferecer todas as informações possíveis, acompanhando o desenvolvimento da própria Revolução. Mereceria menos um acontecimento desta importância? Obviamente, é uma grande ambição e um desafio.

Nosso objetivo é publicar um amplo material sobre a Revolução, sobre os seus atores principais, sobre as questões políticas envolvidas nesta luta revolucionária, revisar as polêmicas mais importantes destes 100 anos.

Muito já se escreveu sobre a Revolução Russa. Nesse sentido, não estamos nos propondo a repetir determinados fatos, mas apresentar a defesa da Revolução por meio dos próprios acontecimentos, da explicação e da interpretação revolucionária, marxista deste episódio extraordinário da luta de classes.

 

A importância do estudo da Revolução

 

1917 é o principal laboratório revolucionário de toda a história humana. Diferentemente das revoluções do passado, como a grande Revolução Francesa de 1789, os revolucionários de 1917, os bolcheviques, atuaram com uma consciência dos problemas políticos até então nunca vista e nunca igualada posteriormente. Para Lênin, a Revolução Russa foi, nem mais nem menos, o “ensaio geral da revolução socialista mundial”. Desta concisa definição podemos extrair múltiplas conclusões.

Em primeiro lugar, que a Revolução Russa era apenas o começo e não o último capítulo da revolução mundial. A propaganda reacionária da burguesia procurou estabelecer que a Revolução Russa e o seu destino eram, não a primeira, mas a última palavra do proletariado mundial para que uma eventual derrota da revolução criasse o ilusionismo da inviabilidade da revolução e do futuro socialista da humanidade. Os marxistas russos consideraram o seu trabalho gigantesco como um trabalho preparatório.

Nossa segunda conclusão decorre da primeira. A importância fundamental da Revolução está em que foi o grande laboratório da revolução mundial, sendo esse o significado fundamental da idéia de “ensaio geral”. Marx indicou que a insurreição é uma arte, ou seja, que era preciso conhecer suas leis e regras para poder realizá-la. Isso significa que a revolução em seu conjunto é uma arte e como tal deve ser dominada em suas leis gerais e aspectos particulares. A Revolução Russa de 1917 revelou com toda a clareza o mecanismo complexo da revolução da nossa época e, de modo mais geral, de toda a luta revolucionária a partir de então. Este é o valor e a atualidade absoluta deste acontecimento centenário. O que temos aqui não é um monumento, mas uma escola da estratégia revolucionária.

Nestes 100 anos, não faltaram os revisionistas e inimigos do marxismo de todas as cores e plumagens para dizer o oposto, ou seja, que a importância da Revolução Russa estaria em muitos aspectos menos no fato de que seria um modelo a ser seguido. Tudo o que é necessário dizer sobre isso é que justamente esta consideração é a pedra de toque de todo o revisionismo após 1917, do stalinismo em diante.

 

Trótski e a Revolução Russa

 

Se a Revolução de 1917 é uma escola e Lênin foi o seu mestre indiscutível, o livro de Trótski, História da Revolução Russa é, acima de qualquer dúvida, o seu “livro didático” fundamental. Assim como Lênin foi o artífice da revolução, Trótski foi o seu grande intérprete. A História é a síntese de uma vasta experiência e uma ampla luta política em defesa desta obra revolucionária e dos seus princípios. Coube a Trótski mostrar a aplicação da estratégia revolucionária aos acontecimentos cruciais do Século XX: China, Espanha, França, Alemanha. Infelizmente, em meio a derrotas colossais causadas pelos revisionistas dos ensinamentos de 1917, a burocracia stalinista. Tais derrotas, que levaram às mais desastrosas consequências para a humanidade, serviram para completar a comprovação das teses leninistas, agora pela negativa.

Trótski explicou que a obra de Lênin era uma enciclopédia de marxismo. Os oitos meses de luta que conduzem à tomada do poder pelos bolcheviques em 7 de novembro (25 de outubro) são a sua culminação e, em grande medida, sua síntese.

Este é o sentido do trabalho que nos propomos a realizar em torno destes 100 anos. No decorrer do período, o leitor do Diário Causa Operária deverá ter um panorama diversificado que contribua para a compreensão da estratégia revolucionária de Lênin e Trótski e para a organização do partido da classe operária no Brasil e no mundo.

 

É hoje! Dia de luta das mulheres, contra o golpe

Estamos em pleno 8 de março. Foi em um Dia Internacional da Mulher, 100 anos atrás, que as russas saíram às ruas em Petrogrado dando início ao que seria a grande Revolução Bolchevique.

Após a Revolução Russa de 1917 o mundo não seria o mesmo. A Revolução que foi iniciada pela revolta das mulheres contra a miséria; mulheres comuns, operárias, que ocuparam as ruas em busca de pão mostraram ao mundo a possibilidade do poder operário e tudo o que isso significa. Para as mulheres significou muito.

Para os trabalhadores do mundo todo a Revolução Russa foi um exemplo a ser seguido, para as mulheres não é diferente.

Além dos direitos gerais dos quais foram beneficiadas, como os direitos trabalhistas, garantia de acesso à saúde, educação, moradia, terra, desenvolvimento social, científico, econômico e cultural, resultado de muito investimento e superação de séculos de atraso impostos pelo Czar, do embargo imposto pelos países imperialistas, da guerra civil e mundial; foi garantida às mulheres nos primeiros dias e anos da Revolução igualdade jurídica, acesso ao divórcio, ao voto e direito de aborto, participação direta e representação no poder revolucionário.

Em 2017 no Brasil as mulheres também enfrentam um momento de necessária luta e mobilização. Aqui também o desemprego, a miséria e a fome que faz das mulheres as principais vítimas está sendo revivida. Além disso, há a ameaça de retrocesso em direitos trabalhistas, na Previdência, na educação, saúde, até o direito ao aborto para mulheres que sofreram estupro.

Neste 8 de março, lembremos as mulheres russas e ocupemos as ruas em defesa dos nossos direitos. Se em 1917 o objetivo começar a mudança vencendo o Czar; hoje a luta é contra o golpe, os golpistas e seu programa neoliberal de ataques às condições de vida da população e entrega das riquezas e patrimônio nacional.

Ocupar as ruas e lutar contra o golpe é a tarefa deste 8 de março, o primeiro Dia Internacional da Mulher desde que a primeira mulher eleita presidenta no Brasil foi destituída do poder.

Golpistas levam o País à recessão

Nessa terça-feira, dia 7, os jornais burgueses deram destaque à recessão no Brasil. Segundo dados do IBGE, o País estaria na pior recessão desde 1930. No ano passado, a economia recuou 3,6%, que chega a uma queda de 7,2% se somado ao resultado de 2015.

Fica evidente que os dados são resultado da política recessiva que os golpistas vêm impondo ao País desde que decidiram derrubar o governo do PT. Colocar a culpa em Dilma Rousseff, inclusive, vai ficando cada vez mais difícil, à medida que o atual governo vai se distanciando do governo derrubado.

A população também empobreceu, segundo a mesma pesquisa. O PIB per capita, ou seja, a divisão do PIB por habitantes, caiu 9,1% de 2014 para 2016.

Essa política econômica está levando ao desempregado em massa e ao retrocesso enorme na indústria, a ponto de setores da própria burguesia ligados ao setor produtivo que apoiaram o golpe, agora pedirem a mudança na política econômica.

Fato é que, a depender dos golpistas e de sua política de destruição da economia nacional, o País será levado à miséria nunca antes vista.

A divulgação dos dados alarmantes revela também a crise do próprio governo golpista, que será obrigado a aprofundar essa política econômica para não ser derrubado pelos setores mais pró imperialistas, os verdadeiros donos desses planos de devastação.

 

 

Vice da FIESP golpista, “chora” por juros brasileiros : “piada global”

Em coluna na Folha de S.Paulo, Benjamin Steinbruch, empresário golpista, diretor-presidente da CSN, presidente do conselho de administração e 1º vice-presidente da Fiesp, apresenta aquelas que seria, supostamente suas “propostas” para que segundo ele  “para cultivar com cuidado” o que para ele seriam os “primeiros sinais de reativação da economia”, a qual ele demonstra e suas anotações que está longe de acreditar que esteja acontecendo, de fato.

Dirigente de um setor em que os resultados mostram uma acelerada retração, o industrial, o empresário e dirigente de uma das principais entidades patronais “nacionais” que apoiaram o golpe, descobre, agora, que – além dos trabalhadores – os capitalistas brasileiros também estão “pagando o pato” que a sua FIESP (Federação das Indústrias do Estado de Sã Paulo) espalhou pela Avenida Paulista, na Esplanada dos Ministérios etc. para apoiar a derrubada da presidenta Dilma Roussef. E revela que os maiores beneficiários da política econômica daqueles que, de fato, estão “dando as cartas” no regime golpista são os banqueiros e especuladores “nacionais” e estrangeiros.

Mesmo defendendo a famigerada reforma da previdência (que pretende acabar com a grande maioria das aposentadorias e obrigar os trabalhadores brasileiros a lutarem até morte), Steinbruch assinala que “a maior responsabilidade pelo aprofundamento da recessão…. é da política absurda de juros”,  a qual – segundo ele – “desestimula investimentos, impede o funcionamento saudável de sistema de crédito e aumenta os gastos do governo”, destacando o fato de que “no ano passado, a União gastou R$ 407 bilhões para pagar juros da dívida”.

Nestas condições, o empresário advoga a necessidade de uma luta “reforma”,  para se opor às taxas do sistema financeiro que chegam a “mais de 400% ao ano”,  que ele chama de “piada global”.

Cinicamente, o capitalista do setor que mais demitindo no País, lamenta que “infelizmente, 13 milhões de brasileiros estão desempregados”, mas defende as medidas do seu governo golpista que estão impulsionando as demissões, ao apoiar, por exemplo, a “emenda constitucional que impõe um teto para os gastos públicos”, ou seja, a política de corte dos investimentos públicos, reconhecidamente um dos motes do relativo crescimento nacional dos últimos anos.

Concordando também com a “reforma da Previdência”,  capitalista se mostra claramente a favor da política de expropriação dos trabalhadores em favor dos banqueiros, que vão ter novos ganhos com  incentivo governamental à previdência privada e que foram os maiores beneficiários da política de rumo dos recursos da seguridade social, sua conta o governo golpista quer apresentar para os trabalhadores, para que eles “paguem o pato”.

Steinbruch defende ainda a reforma trabalhista, como um verdadeiro escravocrata para quem o trabalhador brasileiro tem “vida mansa”, reforçando suas declarações do ano passado: “Aqui [no Brasil] a gente tem uma hora de almoço. Normalmente, não precisa de uma hora de almoço. Você vai nos Estados Unidos, você vê o cara comendo sanduíche com a mão esquerda e operando a máquina com a direita. E tem 15 minutos para o almoço.”

O empresário expressa bem a crise e até um certo desespero que toma conta de setores empresariais do País que bancaram os “patos” e viraram eles mesmos mito de piada por parte dos imperialismo golpista: acreditar que o golpe seria capaz de lhes trazer benefícios e agora vem que os golpistas avançam na destruição da economia nacional e na política de favorecimento dos banqueiros e de outra poderosa monopólios internacionais.

 

Preparando a queda de Temer

A imprensa golpista está expressando o que uma parte da burguesia quer: estão abandonando o barco de Michel Temer e fala-se até mesmo que o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) só não cassa o presidente usurpador se não quiser. O único jornal que visivelmente ainda não está entregando Temer de bandeja é O Estado de S. Paulo, seja por que motivo for.

Nos últimos dias os depoimentos de executivos da Odebrecht a ministros do Tribunal foram destaque. Temer teria pedido pessoalmente doações da empresa para a campanha eleitoral de 2014.

O PMDB está se esvaindo e do governo o PSDB vai ganhando cada vez mais espaço. Com a possibilidade de cassação da chapa Dilma-Temer pelo TSE, abre-se o caminho para a eleição indireta, FHC (o principal candidato extra-oficialmente) poderia ser escolhido.

A cassação pelo TSE também seria bom para os golpistas pois além de contribuir com a eliminação da influência do PMDB no governo, diminui as possibilidades de anulação do impeachment STF (Supremo Tribunal Federal), ou qualquer outra medida que tenha como objetivo reverter o impedimento de Dilma Roussef.

A falência dos estados e a crise econômica são um grave problema. O desemprego cresce, o PIB (Produto Interno Bruto) despenca. Capitalistas dão mostras de que a política recessiva do governo está sacrificando setores inteiros. Está se tornando comum artigos de capitalistas nos jornais defendendo a volta do investimento do Estado (as empresas sem a ajuda do Estado estão falindo).

O governo Temer está enfrentando muitas dificuldades para levar adiante seu programa. No Congresso as possibilidades de barganha com os parlamentares é pequena, tendo em vista que a contrapartida é pequena e o desgaste é muito grande. Apesar da propaganda em favor da reforma da Previdência, da sua necessidade seja muito grande, a população está muito descontente com as mudanças propostas. Há uma desconfiança dos golpistas, suas propostas e medidas. É generalizado descontentamento popular com Temer e outros. Tudo isso dificulta a vida, ou sobrevida, de Temer e do próprio PMDB.

Não é possível dar certezas sobre o destino do presidente usurpador. Inclusive porque o tempo urge e falta menos de dois anos para as eleições de 2018. O certo é que os golpistas não estão dispostos a colocar em risco seus planos para salvar Michel Temer. Ele foi útil e deu sua colaboração ao golpe.

Edição de hoje, Diário Causa Operária Nº 4843

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08 de março: dia de luta pela anulação do impeachment

O dia 8 de março deste ano, data em que se celebra o Dia Internacional da Mulher, será marcado como o primeiro 8 de Março depois do golpe contra a primeira mulher eleita para a Presidência da República no Brasil.

É fundamental, portanto, que os atos que serão realizados nesta quarta-feira (8) coloquem o problema do Golpe de Estado contra a presidenta Dilma Rousseff como ponto central. Afinal, qual a validade das lutas e das conquistas femininas se a primeira mulher eleita presidenta é destituída do poder por uma cambada de picaretas?

Sem lutar diretamente contra o Golpe, é impossível derrotar seus ataques. Diversos Comitês Regionais de Luta contra o Golpe estão organizando, para o Dia da Mulher, atos que unifiquem a luta contra os ataques à Previdência, à educação e aos direitos da classe trabalhadora com a luta pela anulação do impeachment.

O comitê de Brasília contra o Golpe, por exemplo, está organizando um ato das 17 às 19 horas, em frente ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Em São Paulo, os professores estaduais estarão reunidos no Vão do MASP, na Avenida Paulista, para a realização de uma assembleia que irá discutir a greve geral da categoria para o próximo dia 15. Os professores se reunirão ao movimento de mulheres que estará concentrado na Praça da Sé a partir das 16h.

Em todos os estados serão realizados atos neste dia 8.  Todos aqueles dispostos a lutar contra a direita golpista devem comparecer e somar braços na luta pela anulação do impeachment, contra os ataques à população, contra a prisão do ex-presidente Lula.

Quem é João Doria?

Assista à incrível explicação feita pelo companheiro Rui Costa Pimenta na última Análise Política da Semana sobre o prefeito tucano de São Paulo, João Doria.

João Doria, segundo Rui, representa a escória da burguesia e da classe média de São Paulo que quer saquear a cidade.

Como a pequena-burguesia vê a classe operária e a revolução, Rui Costa Pimenta

Rui Costa Pimenta

Tive a oportunidade, recentemente, de ouvir uma preleção do deputado do PSOL, Jean Willys sobre a situação política brasileira muito esclarecedora do pensamento da esquerda pequeno-burguesa brasileira e internacional no seu conjunto.

Procurando explicar suas concepções sobre a situação nacional e o golpe de Estado no Brasil, o parlamentar do Rio de Janeiro foi questionado por um dos presentes sobre se havia sido feito um esforço de mobilizar os trabalhadores para derrotar o golpe.

Diante do questionamento, Willys sorriu e assinalou que aquela era uma posição da “velha esquerda”, que hoje há novas forças em ação como os movimentos feministas e LGBT. Acrescentou ainda que os trabalhadores, em muitos casos, batem nas esposas, são machistas e “homofóbicos”.

O dirigente do PSOL deixou claro com estas afirmações que considera que os trabalhadores não são revolucionários – conclui-se não seriam nem mesmo democráticos! – porque não teriam, da maneira como ele os vê, uma mentalidade liberal, ou seja, burguesa, sobre determinados temas, típica de uma parcela insignificante da classe média brasileira, os quais seriam os verdadeiros revolucionários.

Até certo ponto, tendo se declarado diante da audiência como o “único homossexual assumido do Congresso Nacional”, é natural que Jean Willys coloque tais questões como a pedra de toque daquilo que seria ou não revolucionário, do que é importante ou desimportante no que diz respeito à transformação da sociedade brasileira e do mundo. Cada indivíduo, assim como as classes sociais, tende a ver a realidade do ponto de vista dos seus interesses.  Sua posição, no entanto, nada mais é do que a transformação de uma determinada causa, a sua, no centro dos problemas políticos de hoje. É a transformação de uma circunstância em uma concepção universal. O feminismo, o movimento LGBT etc., principalmente do modo como o parlamentar carioca os vê, estão longe de ter a importância que ele lhes atribui e, por consequência, o poder transformador que ele pretende que tenham.

A criação desta verdadeira miragem política é possível porque nem o partido a que pertence o deputado, nem o próprio deputado orientam a sua atividade por meio de um programa político real, ou seja, de uma concepção objetiva, científica, da sociedade em que vivem. Seu ponto de vista é puro impressionismo político: como a classe operária atravessa uma etapa em que não aparece diretamente no primeiro plano da política mundial e do Brasil, ela deixou, para os Jeans Wyllis, de ser um fator já não digamos revolucionário, mas nem mesmo significativo.

O impressionismo conduz à ingenuidade política e a extravagâncias. A classe operária mundial e brasileira são infinitamente mais poderosas que quaisquer movimentos por questões tais como LGBT e feminismos diversos, em geral, uma fração minúscula, como já dissemos da classe média. Muito da força aparente desses movimentos vem diretamente da burguesia e, em particular, da burguesia imperialista, que os usa como uma válvula de escape das pressões sociais no interior das classes médias e um meio importante de cooptação política. A política brutal, genocida e profundamente opressora do imperialismo, inclusive e particularmente para as mulheres e homossexuais, fica encoberta por esta demagogia. As classes médias, como se sabe, são instrumento fundamental na dominação  da classe operária e do povo em geral pelos grandes capitalistas.

No panorama econômico e político da chamada era “neoliberal” e “globalista”, algumas parcelas intelectuais das classes médias viram-se como grande beneficiários. Enquanto que  o capitalismo globalizado paga uma miséria ao operário chinês que monta um computador, os programadores e técnicos de diversa ordem obtêm uma participação muito mais significativa, ainda que insignificante diante dos lucros estratosféricos dos capitalistas. A especulação financeira  apoiou-se em grande medida nas últimas décadas sobre os setores de alta tecnologia, os quais conseguiam abrir novos mercados diante da crise de superprodução que explodiu nos anos de 1970.

A ilusão de força que tais segmentos sociais têm – e que o nosso deputado expressa com grande convicção e otimismo – apoia-se neste fenômeno econômico transitório.

O movimento dos trabalhadores – que viram a contrapartida deste ascenso econômico na forma de um mercado de trabalho “global”, que promoveu a maior desvalorização da mão de obra mundial em toda a história – só pode ver as coisas com extremo pessimismo. O que também é um outro caso de impressionismo.

A ordem global estabelecida pelo Consenso de Washington cai aos pedaços. Este é o principal dado objetivo da situação. Os vitoriosos do Brexit, Trump, Marine le Pen, Geert Wilders e muitos outros representantes da extrema direita dos países imperialistas são a fratura exposta do regime mundial imperialista. A neutralização da classe operária mundial, a completa capitulação da esquerda em todos os seus matizes, e o enorme ônus da política globalista, agora protegida pelo escudo da democracia (Hollande, Obama etc.) conduzem ao crescimento da extrema-direita e ao colapso do sistema econômico em crise aberta desde 2008.

O esquema político que Jean Willys apresenta como sendo o futuro está praticamente morto e é apenas um reflexo do passado. O mundo todo caminha para uma imensa confrontação destes grande maciços sociais que são a classe operária e a burguesia mundiais. É para este desenvolvimento da situação política mundial que devemos nos preparar.

A pergunta do companheiro que queria saber da situação dos sindicatos e da classe operária no Brasil não é apenas pertinente, é, na realidade, a pergunta essencial. O golpe brasileiro demonstra por um lado, o acirramento das condições da luta de classes em um país de primeiro plano na cena mundial, mas, também, serviu para revelar a completa incapacidade da pequena-burguesia esquerda de responder à altura a este acontecimento histórico. Esta incapacidade chegou a um ponto tal que, na sua esmagadora maioria, esta esquerda pequeno-burguesa sequer conseguiu compreender que ocorreu um golpe de Estado no País

O grande fracasso do PT na luta contra o golpe foi o de não conseguir trazer à luta os grandes contingentes da classe operária cujas organizações dirige. Este fracasso tem um sentido político e está diretamente relacionado à predominância dos elementos pequeno-burgueses no aparato partidário. A direção deste aparato sobre a classe operária revela-se um freio absoluto.

A conclusão surge automaticamente na análise. A luta democrática no Brasil (e no mundo) depende fundamentalmente da classe operária e das suas organizações e a tarefa central de todo o próximo período é o trabalho para organizar uma vanguarda da classe operária detrás de uma perspectiva política de classe. O partido operário, ao contrário do que pensam os líderes da esquerda pequeno-burguesa, está na ordem do dia.

Em dois meses de governo, quais os piores ataques de Doria?

O prefeito milionário, João Doria, em sua campanha eleitoral, tentou pintar a si mesmo como um “trabalhador”, um homem que acorda cedo e sempre teve que batalhar muito por sua própria vida. No entanto, tal história contada por um homem dono da revista Caviar Lifestyle, filho de um grande burguês, logo caiu por terra. Doria ainda ganhou as eleições municipais graças à fraude garantida pelos golpistas que estão dominando a Justiça.

Doria tomou posse no primeiro dia do ano ainda com a propaganda demagógica de “trabalhador”, fantasiando-se de gari, jardineiro, pedreiro, servidor municipal etc.

Enquanto faz demagogia, Doria aplica duros ataques à população. O prefeito de São Paulo que está há pouco mais de dois meses no cargo já lançou várias medidas repressivas e antipopulares. Neste artigo, vamos relembrar alguns deles:

1. O programa Cidade Cinza

Doria, vaidoso, lançou como uma das principais bandeiras de sua campanha o programa “Cidade Linda”. O prefeito “gourmet” acha totalmente estranho e não consegue entender as manifestações populares, para ele coisa de verdadeiros criminosos, estúpidos e trogloditas. Portanto, tapando um buraco ali e acolá, o prefeito travou uma guerra contra os artistas de rua, principalmente os pichadores e grafiteiros.

Colocou a Guarda Civil Metropolitana para varrer os artistas que cantam e divertem o público pelas avenidas da cidade; a mesma coisa, só que com um pouco mais de agressividade, fez com os vendedores ambulantes.

Com os pichadores, o tratamento foi bem mais agressivo: colocou avisos de caça aos pichadores, instituiu prisão a eles e multas altíssimas. Além disso, manda os servidores pintarem todos os muros, principalmente do centro, com os grafites que já são simbólicos e tradicionais na cidade.

Tirando a questão da política repressiva, não dá para entender o ódio que o prefeito tem dos pichadores. Talvez algum tenha pichado o muro de sua casa, no Jardim Europa, com boas verdades, chamando-o, por exemplo, por sua alcunha merecida de João Dólar.

2. Doria quer controlar e confinar o carnaval, deixando bem longe das ruas

Assim que ganhou as eleições, Doria anunciou que a Virada Cultural, tradicional e popular evento paulistano onde os cidadãos têm direito por alguns dias inteiros a shows gratuitos com grandes artistas nas ruas da cidade, seria remanejada. O evento, que tem distribuição por toda a zona central de São Paulo, se limitaria apenas ao Autódromo de Interlagos.

Ao que tudo parece, levando em conta o que Doria fez no seu primeiro carnaval como prefeito, tudo indica que vai transferir a grande festa popular também para Interlagos.

Durante todo o carnaval, Doria procurou reprimir as festividades. Usou da manipulação à la DataFolha para justificar um “excedente” de foliões em um bloco de rua, alegou a sujeira da cidade após as festas, sugeriu a diminuição de blocos, tudo isto com o único objetivo de acabar com o carnaval.

Acabar mesmo com o carnaval. Transformar a cidade dos blocos de rua, dos tradicionais cordões carnavalescos em eventos sem graça pagos em lugares fechados. O problema principal é ser uma festa popular. Toda festa popular tem uma tendência à manifestação política contra a direita, e de fato, diante dos ataques de Doria ao carnaval, foi isso o que aconteceu. Criaram blocos contra Doria – o triste é não ter acontecido, por receio dos organizadores de processos do caviar –, marchinhas zombando o prefeito golpista etc. Veja uma das marchinhas abaixo:

3. Tira leite até das crianças

O PSDB é o partido da miséria. FHC depois de oito anos de uma política neoliberal ferrenha, deixou grande parte da população na fome; os tucanos de São Paulo, ano passado, protagonizaram o escândalo da merenda, em que roubavam verbas destinadas à alimentação dos alunos da rede pública de ensino.

Doria, em seu primeiro mês, seguiu a tradição peesedebista: anunciou um corte que é praticamente o fim da distribuição de leite gratuito para os alunos da rede municipal.

A notícia em si é uma aberração e simboliza a política de terra arrasada dos golpistas contra a população pobre. Para a burguesia, não importa se a população come ou não.

4. Privatização: Doria venderá até postes

Antes mesmo de tomar posse, o prefeito golpista anunciou a privatização de vários lugares de domínio municipal, como o Autódromo de Interlagos e o Sambódromo do Anhembi.

Diante disso, no primeiro mês de seu governo, Doria viajou para o exterior para negociar a venda da cidade. O saldo das negociações foi impressionante, de tão ruim. A prefeitura anunciou a venda de toda São Paulo, desde os pontos de ônibus até os cemitérios.

Doria está entregando São Paulo para a burguesia árabe, norte-americana e sul-coreana, assim como o golpe está entregando todo o Brasil para o imperialismo.

Militantes do MST continuam presos pelos golpistas no Paraná

No governo golpista do Estado do Paraná a justiça não se preocupa mais em fazer média com os direitos democráticos da população. Sem nenhuma prova, apenas com muita convicção mantém preso sete militantes do Movimento dos Trabalhadores Sem-Terra (MST) desde novembro de 2016.

Os sete presos políticos são Fabiana Braga, Antonio Clovis Ferreira, Claudir Braga, Claudelei Torrente de Lima, Daniel Ferreira de Almeida, Tiago Cleiton Ferreira, Valdemir Xalico de Camargo. Todos os presos foram enquadrados como integrantes de uma organização criminosa por uma megaoperação da polícia batizada de Operação Castra.

Os militantes lutam há anos para assentar mais de três mil famílias nas terras férteis do oeste paranaense. Terras essas que foram griladas pela empresa Araupel Celulose, que possui mais de 80 mil hectares de terras na região Oeste do Estado.

A perseguição política é tão evidente que dentre os presos está o vereador mais votado do município de Quedas do Iguaçu, Claudelei Torrente de Lima (PT), militante da luta pela terra. A prisão preventiva é tão absurda que não houve nenhuma prova das acusações infundadas realizadas pela polícia e a justiça paranaense.

A Operação Castra, foi realizada pela Policia Civil do Paraná contra o MST por ocupar terras griladas pela empresa Araupel. Pela segunda vez na sua história o MST foi tachado de organização criminosa, sendo que as duas foram após o golpe de Estado realizado no ano passado. A operação também serviu para atacar duramente a luta pela terra, pois resultou na invasão da Escola Nacional Florestan Fernandes. A escola é referência na formação do trabalhadores sem-terra.

Complô golpista para caçar os integrantes do MST

As prisões dos integrantes do MST foi uma ação conjunta entre os golpistas: Deputado golpista, justiça burguesa e a policia. Autoridades representantes destes três setores vinham se reunindo há meses para arquitetar a perseguição. Dentre eles estava o chefe da Casa Civil do Paraná Valdir Rossoni, que é deputado federal pelo PSDB, e que recebeu R$ 50 mil da empresa Araupel para sua campanha eleitoral.

Os golpistas estão atuando abertamente contra os movimentos de luta pela terra desde o golpe. O golpe de Estado levantou a cabeça da direita fascista e permite as ações conjuntas entre os latifundiários, justiça e policia contra a população, principalmente contra as lideranças. As acusações são infundadas e sem nenhuma prova, mas mesmo assim mantém os integrantes presos e sem perspectiva de liberdade.

É preciso denunciar para toda a população essa situação e a imposição de um Estado de exceção contra os trabalhadores.

Liberdade para os presos políticos do MST no Paraná!

Fora golpistas!

Veja aqui as imagens do ato do dia 15 contra a reforma da Previdência

Manifestações gigantescas ocorreram em diversas capitais, atos em centenas de cidades, paralisações de importantes categorias de trabalhadores e a ocupação do prédio do Ministério da Fazenda, marcaram o Dia Nacional de paralisações, realizado nesta quarta, 15 de março, em todo o País.Previsões da Central Única dos Trabalhadores, principal promotora dos eventos (juntamente com suas entidades filiadas) apontam que mais de um milhão de pessoas participaram dos protestos, que teve como motor principal a revolta contra a “reforma” da Previdência, mas que se transformaram em atos contra o golpe e  governo golpista.

As manifestações ocorreram em todas as regiões do País, com atos massivos na maioria das capitais e importantes manifestações em cidades do interior. Em quase todos os atos, os trabalhadores da Educação em greve, formavam os maiores contigentes.

Foram as maiores manifestações populares desde março de 2016, antes da aprovação do impeachment que derrubou a presidenta Dilma Roussef e expressaram uma tendência a uma virada na situação política, marcada desde a derrota sofrida no Congresso Nacional por uma postura defensiva dos trabalhadores e suas organizações, diante da ofensiva dos golpistas contra as condições de vida do povo brasileiro e seus direitos democráticos.

 

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Ato contra a Reforma da Previdência em Goiânia

Na manhã dessa quarta-feira (15), aproximadamente 12,5 mil pessoas lotaram as ruas de Goiânia contra o golpe e o ataque à Previdência pelo governo golpista. A manifestação se concentrou na Praça Cívica, de onde se deslocou para a Praça do Bandeirante, por volta das 11 horas. Bancários, professores, trabalhadores dos Correios, trabalhadores da área da saúde, trabalhadores da Celg e da Saneago, centrais sindicais, milhares de estudantes e diversas categorias partidárias somaram-se no ato contra a medida golpista, cuja votação está prevista para os meses de abril e julho.

O ato evidenciou a rejeição da população (principalmente da classe trabalhadora) de todo o país à Reforma da Previdência, que destruirá a aposentadoria pública em benefício da previdência privada. Apesar de expressar o repúdio geral da população contra o Golpe de Estado, a manifestação do dia 15 canalizou a indignação contra o golpe para o presidente golpista e para a reforma em questão. É preciso, entretanto, lutar contra o golpe de conjunto e não contra cada medida.

O PCO tem feito uma assídua campanha para esclarecer que gritar “Fora, Temer!” já está sendo feito pelo PSDB, que almeja colocar por eleições indiretas um candidato seu, e pela direita que quer a derrubada de Temer por meio das forças militares. A esquerda, nesse sentido, reforça uma política direitista ao gritar tão somente contra o Golpista, fazendo coro pelo recrudescimento do Golpe de Estado. É preciso lutar contra todos os golpistas, lutar contra a ditadura do judiciário, lutar contra a Lava Jato, lutar pela anulação do golpe contra a Dilma e contra a prisão do ex-presidente Lula.

Lista de Janot: mais um espetáculo golpista

Divulgada nessa quarta-feira (15), a lista parcial do procurador-geral da República, o golpista Rodrigo Janot, que pede a abertura de 83 inquéritos contra políticos que tiveram os seus nomes citados por funcionários da empresa Odebrecht na Operação Lava Jato.

Pelo menos cinco ministros do governo golpista de Michel Temer estão relacionados nesta lista, Eliseu Padilha (PMDB), Moreira Franco(PMDB), Bruno Araújo (PSDB), Gilberto Kassab (PSD) e Aloysio Nunes(PSDB), além destes constam também o presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB), Rodrigo Maia, presidente da Câmara dos Deputados (DEM), Renan Calheiros (PMDB), Romero Jucá (PMDB), Edison Lobão (PMDB), José Serra (PSDB), Aécio Neves (PSDB); claro que não poderia deixar de faltar os nomes do ex-presidente da República, Luis Inácio Lula da Silva e da presidenta deposta por um golpe de Estado, Dilma Rousseff e os seus ex-ministro, Guido Mantega e Antônio Palocci, ambos do PT.

A crise do governo golpista de Michel Temer a cada dia vem se aprofundando. A lista que Janot montou com a delação da Odebrecht é mais um componente do aprofundamento do golpe da direita ligada diretamente com o imperialismo como parte da preparação da ofensiva contra os trabalhadores e da população em geral. A lista faz parte da pressão para levar o governo golpistas mais ainda para a direita e acelerar o andamento dos planos de austeridade, tais como a reforma da Previdência e trabalhistas, fim da CLT, privatizações, terceirização etc.

A imprensa capitalista vem dando um grande destaque para a lista de Janot num claro sinal que estão fazendo campanha direta pela derrubada do golpista Temer. A delação dos diretores da Odebrecht e a lista de Janot revela as contradições entre os interesses dos países imperialistas com a burguesia nacional, a idéia é por fim o governo do PMDB para substituir por um setor mais alinhado com os imperialistas como os partidos do PSDB e DEM.

A “organização criminosa” de Cabral

Deu no “Estadão” que a caçada a Sérgio Cabral (leia-se, PMDB) continua. Deflagrada nesta terça-feira, 14, a Operação Tolypeutes pegou a Secretaria de Transportes, segunda área estratégica do governo do peemedebista. Em novembro de 2016, a Operação Calicute já havia prendido Hudson Braga, secretário de Obras do peemedebista, enviado para o presídio de Bangu 8. Desta vez o alvo é Luiz Carlos Velloso, subsecretário de Transportes no Governo Cabral, hoje subsecretário de turismo do estado.

O “Estadão” já noticiara também a captura, na nova etapa da Lava Jato, do diretor de Engenharia da Companhia de Transportes sobre Trilhos do Estado do Rio de Janeiro (Riotrilhos), Heitor Lopes: “Estamos trabalhando para ver a extensão da organização criminosa”, afirmou em entrevista o procurador Sérgio Pinel, da força-tarefa da Operação Lava Jato, no Rio.

Deixando um pouco de lado a questão moral e policial acerca da culpabilidade de Cabral e da real extensão de sua ‘organização criminosa’, caberia se perguntar acerca do porquê dessa perseguição implacável, de um ponto de vista estritamente político. Se Cabral sempre foi tão corrupto, por que “só agora” é tão atacado, chegando a ser preso?

Uma boa hipótese é a do PSDB estar querendo entrar no Rio a todo custo, e não sendo Cabral fiel a eles… Cabral e o PMDB do Rio de Janeiro representam a ala mais próxima deste partido ao PT (mesmo tendo sido a favor de impedimento de Dilma).

De todo modo, realizada sem que nem mesmo um processo tenha sido iniciado, a prisão do ex-governador já foi um claro indício de que o chamado Estado Democrático de Direito tem no Brasil uma existência mais formal do que real, e de que a Justiça, longe de por aqui ser cega, tem na verdade é olho grande.

A campanha política golpista de Janot

Nessa terça-feira, dia 14, a tão esperada – pelos golpistas – lista de Rodrigo Janot foi finalmente revelada e enviada para o STF. Ali, o Procurador Geral da República pede a investigação de 83 políticos que seriam acusados pelos delatores da Odebrecht de receber recursos em troca de favores políticos.

A imprensa golpista divulgou a lista, dando destaque aos nomes que mais interessavam, como Lula, Dilma e membros do governo golpista do PMDB. Do ponto de vista Jurídico, a lista de Janot não dignifica nada. Como já virou praxe nas operações golpistas realizadas pelo Judiciário, que passa por cima dos direitos democráticos do povo, as acusações não são nada mais do que isso: acusações. Não há provas, apenas as delações dos empresários da Odebrecht. Mas a lista serviu ao seu objetivo: promover mais um espetáculo para a campanha de calúnias da imprensa golpista.

Os noticiários mostram a lista como se os nomes ali já fossem criminosos. Esse é o método tradicional dos golpistas desde pelo menos o julgamento do mensalão em 2012. O Judiciário comete uma série de ilegalidades, passa por cima de direitos democráticos fundamentais, como a presunção de inocência, por exemplo, para promover um cenário político para que a imprensa faça a campanha política golpista.

A campanha dessa vez tem dois objetivos. O primeiro é o de sempre: atacar o PT, principalmente Lula e Dilma. O segundo é acuar o governo de Michel Temer, que tem cinco menistros, senadores e deputados ligados a ele na lista. O setor mais direitista dos golpistas, que é justamente quem domina o Judiciário, está na ofensiva contra o PMDB.

Os golpistas precisam chantagear o governo golpista para força-lo a aprovar as reformas da Previdência e Trabalhistas e todas as medidas de devastação econômica previstas nos planos da direita. Ao mesmo tempo, preparam o terreno para derrubar o PMDB e estabelecer um governo com o domínio da ala direita do golpe, PSDB e DEM, com ou sem Michel Temer.

Por fim, a lista de Janot ainda cumpre um objetivo ainda mais perigoso. Ela serve como instrumento de campanha dos golpistas contra os partidos, usando o pretexto das doações financeiras. Com esse pretexto, os golpistas pretender realizar uma destruição do sistema partidário no País, eliminando os partidos de esquerda. Isso ficou claro com a recente rejeição das contas de 23 partidos pelo TSE, com critérios totalmente absurdos e que coloca sob risco praticamente todos os partidos da esquerda, do PT ao PCO.

A direita pró-imperialista precisa aprofundar o golpe para colocar em prática seus planos. As medidas impopulares do governo não serão aprovadas sem que haja um ataque às liberdades democráticas do povo e das organizações populares. Os enormes atos desse dia 15 mostraram claramente a impopularidade dos golpistas.

Réu por chamar golpista de golpista, a censura avança

Sistematicamente o Diário Causa Operária (DCO) tem denunciado que com o golpe de Estado o cerceamento à liberdade de expressão será ainda mais intenso, levando o país a uma ditadura aberta contra a população, seja por se manifestar, realizar greves, ou simplesmente falar o que se pensa. É a ditadura do Estado e suas instituições (regime golpista) contra os trabalhadores e todos aqueles que não compactuam com a direita.

Um exemplo desse fato é que em agosto de 2016, um servidor público federal encontrou o ex-ministro golpista Geddel Vieira Lima (PMDB) em um voo e falou umas boas, chamando-o de “Golpista! Golpista!”.  Depois do ocorrido, o ex-ministro do governo de golpistas entrou com processo na justiça contra o servidor, alegando ter “sofrido” calúnia e difamação, além de exigir mais 50 mil reais.

Como os juízes são em sua maioria reacionários, direitistas e não eleitos, uma juíza aceitou o pedido do ex-ministro, demonstrando total aberração do Poder Judiciário no Brasil. A juíza aceitou o processo, pois, segundo ela, o o que o rapaz foi uma injúria, porque os termos “golpe” e “golpistas” são muito usados devido ao descontentamento com o golpe.

O que ocorre nesse caso se trata de uma perseguição política que evidencia uma ditadura, em que uma pessoa não pode falar o que pensa e, se o descontentamento com o governo golpista for demonstrado, ela será impedida de se manifestar.  Indo até para a cadeia.

Como já foi denunciado desde o começo do golpe, as liberdades da população estão sendo retiradas de cena, uma a uma. Se não houver uma luta consequente contra o golpe, que coloque a direita para fora do governo e restitua a normalidade democrática, todos os direitos serão exterminados. Assim como na Alemanha nazista.

Na luta contra a Reforma da Previdência, movimentos ocuparam Ministério da Fazenda em Brasília

Às 4h da manhã do dia 15, mais de 1.500 pessoas ocuparam a sede do Ministério da Fazenda, na Esplanada dos Ministérios, em Brasília. A ação faz parte do Dia Nacional de Mobilização e Paralisação Contra a Reforma da Previdência, organizada por movimentos sociais do campo e da cidade que integram as frentes Brasil Popular, CUT e seus sindicatos filiados.

As Reformas promovidas pelo Golpe de Estado, como a Reforma da Previdência, são os principais motivos dos Atos que ocorreram no dia de luta em todo o País.

Os golpistas alegam que existe um rombo na previdência fiscal, o que já foi desmentido pelo DIEESE e também por especialistas em auditoria, como a Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil. Enquanto justifica a reforma com o déficit, os golpistas aplicam desonerações fiscais às empresas e perdoa a dívida de centenas de empresas que devem três vezes o valor do déficit ao INSS.

A ocupação foi realizada por movimentos da Via Campesina Brasil, MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra), Povo sem Medo, MAB (Movimento dos Atingidos por Barragens), MMC (Movimento das Mulheres Camponesas), CONAQ (Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Quilombolas), MTD (Movimento dos Trabalhadores por Direitos), MLT (Movimento de Luta pela Terra), MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem Teto) e contou com o apoio de professores da base do Sinpro/DF e de trabalhadores de diversas categorias da base de sindicatos da CUT.

Essa ocupação é um exemplo de luta dos trabalhadores e deve se refletir daqui para frente em uma política de enfrentamento com o Golpe e suas medidas.

Teto dos gastos: PEC 55 vai ser usada para atacar salário dos servidores

Durante o governo da presidenta eleita Dilma Rousseff, foi aprovado o aumento de 10% de reajuste salarial para os servidores públicos da União, entretanto, o governo golpista está fazendo uma enorme pressão para que isso não seja executado, propondo que seja feito um ataque aos salários dos servidores, típico de um governo que é inimigo dos trabalhadores.

Segundo os dados falsos do governo golpista, esse aumento de 10% “obrigará” o governo a cortar despesas em outros setores para que dê conta do aumento, o que não passa de apenas mais pretexto para atacar os trabalhadores e dar dinheiro aos banqueiros e grandes capitalistas.

Para o Governo golpista, o aumento de 10% vai ultrapassar o teto de gastos fixado para este ano, que é de 7,5%. Ou seja, a PEC 55 está sendo usada para atacar o salário dos servidores, enquanto que os grandes bancos roubam, todos os anos, praticamente 50% da arrecadação federal. Um verdadeiro escárnio.

Como esse jornal tem alertado, o Governo golpista vai arrancar o couro dos trabalhadores, enquanto que os grandes capitalistas só engordam. Quem vai pagar a conta do pato são os trabalhadores, entretanto, a única forma de impedir que o País seja espoliado e os trabalhadores sejam jogados na miséria, é através de uma luta que enfrente o golpe e os golpistas, para que as medidas de austeridade, com respaldo constitucional, sejam revogadas.

Mais e mais artistas lutando contra o golpe de Estado

A abertura da 4ª Mostra Internacional de Teatro de São Paulo, na noite dessa terça-feira (14), foi marcada por protestos contra o governo do golpista Michel Temer. Houve o recente congelamento de 43,5% do orçamento de Secretaria Municipal de Cultura, só em São Paulo, assim sendo, os artistas se rebelaram contra o governo e seus ataques ao seu trabalho e contra a arte brasileira.

Os artistas participantes do evento que ocorreu no Teatro Municipal de São Paulo, abriram sua participação pedindo o descongelamento da verba, sendo recebidos com aplausos pela plateia.

No início da cerimônia ocorreram diversas intervenções dos representantes do governo golpista e de artistas revoltados com a situação. O diretor de produção da mostra, Guilherme Marques, reagiu contra o ataque dos golpistas na forma de congelamento em gastos públicos.

Já a chefe de gabinete da Secretaria Municipal de Cultura, Giovanna de Moura Rocha Lima, que representou o secretário André Sturm, teve sua fala interrompida por gritos de “descongela!”. Também vaiado, o assessor de gabinete da Secretaria de Estado da Cultura, Rodrigo Mathias, teve que ouvir gritos de “Fora Temer” durante seu discurso.

Outra representante do governo golpistas, pelo Ministério da Cultura, a fala de Haifa Madi foi completamente abafada pela plateia que pedia a saída do presidente aos gritos de “golpistas!”. Após muitos protestos, onde os dirigentes golpistas não conseguiram falar, a atriz e mestre de cerimônias Georgette Fadel, ao pegar de volta o microfone, ouviu da plateia, “ministro covarde [o ministro da Cultura, Roberto Freire, que não compareceu]” e respondeu: “Com certeza”.

Ao fim da apresentação de “Avante, Marche”, da companhia belga Les Ballets C de la B, músicos da Banda Sinfônica de São Paulo, que participaram da apresentação, levantaram um cartaz com dizeres “SOS Banda Sinfônica” – em referência ao desmonte do grupo por “falta de recursos”.  Outros grupos também subiram ao palco ao fim da peça com faixas pedindo o descongelamento da verba da secretaria municipal.

O que não nos espanta mais, é ver, a campanha da rede Globo, golpista, em defesa do “Fora Temer”.  Agora, com essa palavra de ordem extremamente confusa vimos até mesmo a Globo encabeçando a campanha do “Fora Temer”, mas por que será?

Em outro protesto, os artistas revoltados se reuniram contra as medidas do golpe no saguão da Galeria Olindo, no centro de São Paulo, no dia 13, na sede da Secretaria Municipal de Cultura. Com danças improvisadas, batucada e palavras de ordem como: “Abaixo a baixaria, cultura não é mercadoria”, cerca de 400 profissionais de dança protestaram. Reunidos por seis coletivos de dança e teatro, os manifestantes protestaram contra o cancelamento do último edital do Programa Municipal de Fomento à Dança.

O Diário Causa Operária vem trabalhando sistematicamente para desfazer essas confusões e provar que, apenas com a mobilização nas ruas, a formação de comitês contra golpe por todo o Brasil, podemos derrotar o golpe e anular as medidas tomadas pelos golpistas contra nossa economia.

Os artistas também devem formar comitês de luta contra o golpe, e lutar pela anulação do impeachment,