Governo Temer em pandarecos

O governo golpista de Temer vem se deparando a cada dia com uma nova dificuldade. O impasse de prosseguir com os ataques desastrosos à população, como a Reforma da Previdência, tem aproximado o governo Temer de seu fim. É bem claro que, a pouco tempo do período eleitoral, nenhum congressista quer ter no histórico o apoio aos ataques à aposentadoria do trabalhador, de quem dependerá logo mais para se eleger.

Michel Temer, nesse sentido, tem dobrado seus esforços para conciliar as exigências malucas da burguesia (privatizações, cortes etc.) e a falta de ânimo de um Congresso oportunista. Aliás, a força peemedebista no Congresso é o único pilar que, hoje, sustenta o governo do presidente golpista – o imperialismo já demonstrou que, na presidência, necessita de um agente mais fiel ao programa neoliberal; a imprensa burguesa passou a atacar a todo momento o governo; quanto à população, Temer atingiu uma das maiores impopularidades da história política nacional. Ou seja, Temer depende do Congresso para continuar respirando.

O que tem ocorrido nos últimos tempos, entretanto, põe em jogo a sobrevivência do Golpista – trata-se da crise interna no Congresso diante das reformas e do avanço das investigações. Com a delação da Odebrecht, A operação Lava Jato – um dos principais instrumentos do Golpe – tem adentrado o terreno peemedebista e agravado a instabilidade do governo.

Ao contrário do que possa pensar a esquerda pequeno-burguesa, a simples derrubada de Temer não é nenhuma vitória do povo, por duas razões principalmente: primeiro porque, tirando o golpista, se colocará por eleições indiretas alguém ainda mais direitista (o mais cotado é FHC); segundo porque, ao que parece, uma possível derrubada de Temer se dará pela cassação da chapa Dilma-Temer (processo encabeçado pelo PSDB), o que dificultaria a reversão do golpe contra a Dilma. Quer dizer, mais que à esquerda pequeno-burguesa (que está totalmente perdida sob o “Fora, Temer!”), é ao PSDB que interessa de fato a queda do golpista Temer.

A crise do governo, com sua instabilidade no congresso, deixa muito claro que o único modo de luta contra o golpe é exigindo a anulação do impeachment. O governo golpista está em pandarecos e abre caminho para duas possibilidades: ou o recrudescimento do golpe, ou o fortalecimento da luta verdadeiramente combativa da esquerda. É preciso, em tempos de crise, lutar pela volta da normalidade política com a volta da presidenta, lutar contra as arbitrariedades do Judiciário, lutar contra a prisão do ex-presidente Lula.

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