Agora são os partidos, amanhã serão os sindicatos

Na última sexta-feira, dia 10, veio à tona uma lista de partidos de todos os matizes que tiveram suas contas de 2011 rejeitadas pelo parecer técnico do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). São nada mais nada menos do que 23 partidos.

Logo que o STE divulgou a lista, a imprensa golpista colocou em funcionamento sua metralhadora de mentiras e cinismo, acusando os partidos, ora insinuando ora dizendo abertamente que todos os partidos são corruptos e que fazem “mau uso do dinheiro público.” Por trás de toda a campanha há logicamente o ataque golpista com o objetivo de modificar o regime político. Atacam todos os partidos, exigem o controle estatal das contas partidárias e no final os que serão prejudicados serão os partidos de esquerda e oposicionistas.

Os motivos para a rejeição das contas de todos os partidos são vários. Tomando por base o caso mais gritante, que é justamente o do PCO, o partido que menos recebe fundo partidário e que é reconhecidamente um partido ideológico, os motivos são absurdos. Os técnicos do TSE exigem coisas como a descrição detalhada do que faz um advogado contratado pelo partido para defende-lo justamente no TSE. Ou seja, tomando por base isso, está claro que os motivos encontrados nos demais partidos também são absurdos, guardados à devida proporção. O que está no fundo dessa perseguição é o pretexto para que o Tribunal intervenha nos partidos políticos.

Toda a movimentação financeira de um partido deveria ser controlada pelo Tribunal. Isso acaba com a autonomia do partido político, que fica à mercê das arbitrariedades do Judiciário. Quem deve controlar as contas do partido são os próprios filiados. Os órgãos de controle devem ser estabelecidos pelo próprio partido, de acordo com os interesses dos seus membros.

O TSE está acabando com a autonomia e independência dos partidos políticos, que é a condição sine qua non para que se tenha um regime democrático.

Essa tentativa de sufocar os partidos financeiramente abre o caminho para que ocorra o mesmo com os sindicatos e organizações populares em geral. O objetivo do golpe é sufocar todas as organizações da população. Se os golpistas forem bem sucedidos nos ataques aos partidos, os sindicatos estão seriamente ameaçados. O País corre o risco de retornar à época dos sindicatos controlados pelo Estado e não pelos próprios trabalhadores, ou seja, os sindicatos estariam nas mãos dos patrões que são quem dominam o Estado.

 

Anúncios