“A democracia está sob ataque”, o cinismo de Rodrigo Janot

Rodrigo Janot, atual Procurador Geral da República, tem um extenso currículo de participações, ativa e passivamente, em cada passo do golpe de Estado. Golpe que retirou Dilma Rousseff da presidência da república e agora avança sobre os direitos dos trabalhadores.

Esse mesmo Janot teve o cinismo de afirmar que “a democracia está sob ataque”, sendo ele mesmo um dos principais opositores aos parcos direitos democráticos que existem no Brasil.

Janot fez esta afirmação ao se dirigir aos não menos golpistas integrantes do Ministério Público Federal (MPF), agradecendo o trabalho dos amigos do MPF e fazendo elogios aos resultados das delações da Odebrecht.

“As revelações que surgem dos depoimentos, embora já fossem presumidas por muitos, lançadas assim à luz do dia, em um procedimento formal perante a nossa Suprema Corte, nos confrontarão com a triste realidade de uma democracia sob ataque e, em grande medida, conspurcada na sua essência pela corrupção e pelo abuso do poder econômico e político”, diz a carta redigida por Janot aos integrantes do MPF.

Os depoimentos, ditos assim por Janot, parecem um esforço de determinados setores para se chegar à conclusão de algum acontecimento. Mas, na verdade, essas delações estão sendo conseguidas através da mais pura chantagem, pressão, e tortura. É uma conversa que uma determinada pessoa é obrigada a ter com o judiciário, e o judiciário, por sua vez, a ameaça de alguma punição se a pessoa não falar exatamente o que o judiciário e os golpistas querem ouvir.

As quase oitenta delações sob coerção resultaram em “320 providências requeridas ao STF, assim distribuídas: 83 pedidos de instauração de inquérito, 211 pedidos de declínio de atribuição, 7 promoções de arquivamento, 19 outras providências”, diz a carta de Janot.

Ou seja, com base em conversa, se instaurou todo um processo de perseguição à várias pessoas. Perseguição abertamente política, pois se tudo não passa de delação, quer dizer, de declaração extraída sob coação ou tortura, sem prova alguma, é o retorno da Idade Média, da Inquisição.

Com base nisso, em sede de conclusão, Janot afirma: “gostaria de publicamente empenhar meu sincero agradecimento e respeito aos colegas do Grupo de Trabalho – PGR e da Força-Tarefa – Curitiba”. Essa mesma força tarefa que quer levar para prisão toda a direção do Partido dos Trabalhadores (PT), em especial, Lula, além do resto da esquerda.

Pode parecer estranho às pessoas comuns que a operação Lava Jato e seus funcionários sejam encarados como representantes da democracia. Se o fossem, não haveria milhões nas ruas protestando neste 15 de março contra todas as maldades do golpistas e contra o próprio golpe.

Mas nem por isso Janot perde o cinismo e afirma, meio que se auto delatando: “é preciso ficar absolutamente claro que, seja sob o ponto de vista pessoal – sou um democrata congênito e convicto –, seja sob a ótica da missão constitucional do MP de defender o regime democrático e a ordem jurídica, o trabalho desenvolvido na Lava Jato não tem e jamais poderia ter a finalidade de criminalizar a atividade política”. Está muito claro que a Lava Jato não tem essa finalidade, Janot, nem precisava dizer.

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