A ditadura dos tribunais contra os trabalhadores

Fazer greve é um direito do trabalhador. Nesta quarta-feira (15) os metroviários, assim como os condutores, paralisaram suas atividades contra a reforma da previdência. A direita golpista derrubou Dilma Rousseff para alterar o regime político contra os trabalhadores, atacando as condições de vida da população e seu direito de se organizar para resistir. A reforma da previdência é uma das mudanças para intensificar a exploração dos trabalhadores, que agora terão que trabalhar até morrer sem nunca se aposentar. A grande paralisação neste dia 15 é uma resposta contundente contra essa reforma, e por isso a burguesia se mobiliza para atacar o movimento operário em sua tentativa de impor essa reforma.

Foi nesse marco de embate entre o estado burguês, em meio ao clima reacionário instaurado pelo golpe a serviço do imperialismo, que o Tribunal Regional do Trabalho concedeu uma liminar ao Metrô contra a greve dos trabalhadores do metrô. A liminar, solenemente ignorada pelos trabalhadores em luta contra o fim da aposentadoria no Brasil, determinava que o Metrô deveria funcionar com 100% de seus funcionários nos horários de pico (6h às 9h e 16h às 19h), e 70% nos demais horários. Na prática, a justiça burguesa pretendia barrar a paralisação dos funcionários.

E é para isso que serve a justiça burguesa. Trata-se de uma ditadura contra os trabalhadores, a ditadura do Judiciário, um poder que não tem sequer a legitimidade da representação distorcida dos votos em uma eleição burguesa. Um juiz que não foi eleito por ninguém, que não trabalha no Metrô e que provavelmente sequer utiliza o Metrô pretende decidir os rumos da greve de toda uma categoria. Não por acaso, esses privilegiados a serviço do Estado para oprimir quem trabalha ganham altos salários e sequer serão atingidos da mesma forma que os trabalhadores pela infame reforma da previdência urdida contra o conjunto da população pelos golpistas que usurparam o governo federal. A falta de autoridade moral desses funcionários diante da população é compensada por uma pesada máquina de repressão, com polícias e exército permanente.

Esse aparato construído para esmagar os trabalhadores está sendo enfrentado nesta a quarta-feira em São Paulo e em outros estado (em MG, por exemplo, a justiça tomou uma decisão similar, para também ser ignorada). Contra a reforma golpista da previdência, os transportes pararam. Apesar da ameaça do Judiciário, que estabeleceu uma multa de R$ 100 mil contra o Sindicato dos Metroviários e desconto no salário dos metroviários pela paralisação. Os trabalhadores que todos os dias trabalham operando os trens, fazendo a manutenção dos trens, das escadas rolantes, limpando as estações etc., passaram por cima da ditadura daqueles que não fazem nenhum desses serviços.

 

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