A “organização criminosa” de Cabral

Deu no “Estadão” que a caçada a Sérgio Cabral (leia-se, PMDB) continua. Deflagrada nesta terça-feira, 14, a Operação Tolypeutes pegou a Secretaria de Transportes, segunda área estratégica do governo do peemedebista. Em novembro de 2016, a Operação Calicute já havia prendido Hudson Braga, secretário de Obras do peemedebista, enviado para o presídio de Bangu 8. Desta vez o alvo é Luiz Carlos Velloso, subsecretário de Transportes no Governo Cabral, hoje subsecretário de turismo do estado.

O “Estadão” já noticiara também a captura, na nova etapa da Lava Jato, do diretor de Engenharia da Companhia de Transportes sobre Trilhos do Estado do Rio de Janeiro (Riotrilhos), Heitor Lopes: “Estamos trabalhando para ver a extensão da organização criminosa”, afirmou em entrevista o procurador Sérgio Pinel, da força-tarefa da Operação Lava Jato, no Rio.

Deixando um pouco de lado a questão moral e policial acerca da culpabilidade de Cabral e da real extensão de sua ‘organização criminosa’, caberia se perguntar acerca do porquê dessa perseguição implacável, de um ponto de vista estritamente político. Se Cabral sempre foi tão corrupto, por que “só agora” é tão atacado, chegando a ser preso?

Uma boa hipótese é a do PSDB estar querendo entrar no Rio a todo custo, e não sendo Cabral fiel a eles… Cabral e o PMDB do Rio de Janeiro representam a ala mais próxima deste partido ao PT (mesmo tendo sido a favor de impedimento de Dilma).

De todo modo, realizada sem que nem mesmo um processo tenha sido iniciado, a prisão do ex-governador já foi um claro indício de que o chamado Estado Democrático de Direito tem no Brasil uma existência mais formal do que real, e de que a Justiça, longe de por aqui ser cega, tem na verdade é olho grande.

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