Lista do Janot: a faca no pescoço do Congresso

Com grande estardalhaço, foi divulgada a nova “lista do Janot” entregue ao STF esta semana. Trata-se de um pedido de abertura de inquérito contra dezenas de políticos, baseados em 77 delações de executivos da empreiteira Odebrecht, mais uma delação que ainda não foi homologada, encaminhado pelo Procurador Geral da República, rodrigo Janot, ao Supremo Tribunal Federal (STF). A lista dos nomes que aparecem permanece secreta, embora muitos nomes selecionados já sejam conhecidos. Os ex-presidentes petistas, Lula e Dilma Rousseff, perseguidos pelos golpistas, naturalmente constam da lista.

Além dos petistas perseguidos pela direita que deu o golpe, muitas figuras proeminentes do governo golpista também aparecem na lista. Cinco ministros de Michel Temer, pelo que foi revelado até agora, estão entre eles: Eliseu Padilha (Casa Civil), Moreira Franco (Secretaria-Geral da Presidência), Bruno Araújo (Cidades), Gilberto Kassab (Ciência e Tecnologia e Comunicações) e Aloysio Nunes Ferreira (Relações Exteriores). Os presidentes do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), e da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), também estão na lista.

O golpista Michel Temer não está nesta lista, mas tem mandato ameaçado em outros processos. Dessa forma, os golpistas estão com a faca no pescoço. O Congresso está encostado contra a parede, acuado para que tome determinadas medidas e vote determinados projetos. A grande disputa no momento é em torno da Reforma da Previdência, que segundo o líder da maioria na Câmara, Lelo Coimbra (PMDB-ES), não tem votos suficientes para ser aprovada. Apesar do golpe, nem os parlamentares de direita que dominam o Congresso estão dispostos a serem os autores do fim da aposentadoria para grande parte dos brasileiros, que vão morrer antes de conseguir se aposentar com as novas regras propostas pelo governo golpista.

Para ajudar Lelo Coimbra em sua tarefa de reunir votos suficientes para aprovar a ruína da Previdência, o Congresso votará sob ameaça de processo e prisão. Diante dessa ameaça pairando sobre o Congresso pode ser que Coimbra descubra um talento persuasivo até então desconhecido para ele.

Anúncios