A campanha política golpista de Janot

Nessa terça-feira, dia 14, a tão esperada – pelos golpistas – lista de Rodrigo Janot foi finalmente revelada e enviada para o STF. Ali, o Procurador Geral da República pede a investigação de 83 políticos que seriam acusados pelos delatores da Odebrecht de receber recursos em troca de favores políticos.

A imprensa golpista divulgou a lista, dando destaque aos nomes que mais interessavam, como Lula, Dilma e membros do governo golpista do PMDB. Do ponto de vista Jurídico, a lista de Janot não dignifica nada. Como já virou praxe nas operações golpistas realizadas pelo Judiciário, que passa por cima dos direitos democráticos do povo, as acusações não são nada mais do que isso: acusações. Não há provas, apenas as delações dos empresários da Odebrecht. Mas a lista serviu ao seu objetivo: promover mais um espetáculo para a campanha de calúnias da imprensa golpista.

Os noticiários mostram a lista como se os nomes ali já fossem criminosos. Esse é o método tradicional dos golpistas desde pelo menos o julgamento do mensalão em 2012. O Judiciário comete uma série de ilegalidades, passa por cima de direitos democráticos fundamentais, como a presunção de inocência, por exemplo, para promover um cenário político para que a imprensa faça a campanha política golpista.

A campanha dessa vez tem dois objetivos. O primeiro é o de sempre: atacar o PT, principalmente Lula e Dilma. O segundo é acuar o governo de Michel Temer, que tem cinco menistros, senadores e deputados ligados a ele na lista. O setor mais direitista dos golpistas, que é justamente quem domina o Judiciário, está na ofensiva contra o PMDB.

Os golpistas precisam chantagear o governo golpista para força-lo a aprovar as reformas da Previdência e Trabalhistas e todas as medidas de devastação econômica previstas nos planos da direita. Ao mesmo tempo, preparam o terreno para derrubar o PMDB e estabelecer um governo com o domínio da ala direita do golpe, PSDB e DEM, com ou sem Michel Temer.

Por fim, a lista de Janot ainda cumpre um objetivo ainda mais perigoso. Ela serve como instrumento de campanha dos golpistas contra os partidos, usando o pretexto das doações financeiras. Com esse pretexto, os golpistas pretender realizar uma destruição do sistema partidário no País, eliminando os partidos de esquerda. Isso ficou claro com a recente rejeição das contas de 23 partidos pelo TSE, com critérios totalmente absurdos e que coloca sob risco praticamente todos os partidos da esquerda, do PT ao PCO.

A direita pró-imperialista precisa aprofundar o golpe para colocar em prática seus planos. As medidas impopulares do governo não serão aprovadas sem que haja um ataque às liberdades democráticas do povo e das organizações populares. Os enormes atos desse dia 15 mostraram claramente a impopularidade dos golpistas.

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“Golpistas deformam o ensino médio”

“Apesar do pomposo título de “Reforma do Ensino Médio” a medida provisória recentemente aprovada pelo Congresso nada tem de positiva. Poderíamos até substituir a palavra “reforma” por “deforma”, pois na verdade o que querem os golpistas com esta medida é atacar o povo trabalhador que depende dos serviços públicos. Feita sem consultar a sociedade e os principais interessados (os estudantes) a “reforma” aparece na grande mídia como solução, mas sabemos bem qual o seu verdadeiro objetivo: sucatear a escola pública e aumentar ainda mais o abismo entre ricos e pobres.

Na propaganda que o Ministério da Educação vem apresentando na TV vemos jovens felizes dizendo que a reforma é muito boa afinal agora existe a liberdade de escolher aquilo que eu quero estudar. Está exatamente ai a armadilha: ao ser obrigado a escolher apenas um bloco e não estudar todo o conjunto de conteúdos o estudante da rede pública dificilmente conseguirá competir com alunos da rede particular, já que estes últimos continuarão estudando todas as disciplinas como sempre se fez. A Associação Nacional das Escolas Particulares já anunciou que não vai haver redução na grade curricular de suas escolas, pois isso atrapalharia seus estudantes em exames oficiais como vestibulares e ENEM. Em suma: quem tem condições de pagar uma escola particular será o grande favorecido. Aos filhos da classe trabalhadora restam duas opões: aceitar esta maldade passivamente ou lutar de forma organizada e aguerrida contra o golpe e todos os seus tentáculos demoníacos.

Outro objetivo da reforma é reduzir os custos com a educação, ou seja, ela está intimamente atrelada a PEC da Morte que congela gastos com serviços públicos durante 20 anos. Além disso, disciplinas essenciais para a formação de uma população crítica e politizada como a Filosofia e a Sociologia deixarão de ser obrigatórias, favorecendo assim a proliferação de analfabetos políticos que aceitam bovinamente serem explorados, manipulados e massacrados pelo sistema econômico e politico.

No final de 2016, como justa reação à esta medida absurda, centenas de escolas foram ocupadas por estudantes Brasil afora. Numa bela aula de resistência um sonoro recado foi dado: o movimento estudantil está atento às artimanhas dos golpistas. Com as ocupações ficou claro que os estudantes não aceitam essa mercantilização da educação. Se essa “reforma” for mesmo efetivada ter educação de qualidade será cada vez mais um privilégio reservado às elites. Com certeza é isso mesmo que querem os golpistas, pois se “saber é poder” um povo refém de sua própria ignorância nunca será livre e autor de sua história.

  Atualmente Comitês formados por professores, pais e alunos surgem nas escolas públicas para combater o golpe. Esses grupos de resistência mostram o caminho certo, afinal o maior pesadelo de um golpista é um povo politicamente consciente e organizado lutando contra todo poder ilegítimo e opressor. Nesses Comitês uma constatação foi feita: Lutar contra a Reforma do Ensino Médio e a precarização da Educação Pública é lutar contra o Golpe. Então sigamos firmes na luta!”

Carta do leitor Everton Moraes, Professor de Filosofia na Rede Pública do Distrito Federal

Por que lutar pela reforma agrária

Para os marxistas, a questão agrária diz respeito a um problema democrático. Isso significa dizer que a reforma agrária é uma tarefa da revolução burguesa que não foi realizada nos países atrasados. O problema é que não foi e nem será realizada pela burguesia desses países.

Na época das grandes revoluções burguesas nos Países de capitalismo avançado, a burguesia ainda era uma classe revolucionária que ascendia ao poder, deixando para trás a nobreza e todos os resquícios do sistema econômico feudal. O grande latifúndio é, portanto, um resquício feudal. As revoluções burguesas elimiram a latifúndio e distribuiram as terras para os camponeses.

Nos Países atrasados, no entanto, as burguesias nacionais não fizeram suas revoluções, se tornaram dependentes das burguesias dos países que hoje formam o seleto grupo de países imperialistas. A opressão imposta pelo imperialismo nesses países atrasados impede a burguesia de realizar as tarefas democráticas da revolução burguesa. A burguesia, tanto nos Países imperialistas como nos países atrasados, há muito já se tornou uma classe contrarevolucionária. Por isso, é a classe operária, através de suas organizações, que precisa levar adiante a luta pela reforma agrária e demais tarefas da revolução burguesa.

De um ponto de vista geral, esse é o motivo pelo qual os marxistas, ou seja, o partido da classe operária, precisa incorporar ao seu programa a luta pela reforma agrária. Se acabar com o latifúndio não é possível avançar nas tarefas da própria revolução proletária. A ditadura do proletariado tem como tarefa central lutar em unidade com os camponeses para acabar com o tatifúndio e realizar a reforma agrária. Nos países atrasados, a revolução proletária deve ao mesmo tempo realizar as tarefas democráticas que deveriam ter sido feitas pela revolução brugeusa.

Como diz o programa do PCO: “A oligarquia agrária é uma classe parasitária, pois seus rendimentos e sua riqueza derivam de um monopólio da propriedade do solo. Esta oligarquia constitui um dos principais laços sociais com o capital financeiro imperialista”.

Para realizar tal tarefa, o partido revolucionário, precisa organizar, sob a direção política da classe operária, a luta no campo. Por isso, o PCO levanta em seu programa o interesse incondicional dos camponeses. Vejamos alguns pontos do programa do partido.

A expropriação do latifúndio

Como dissemos, o latifúndio representa o que há de mais reacionário na sociedade. É preciso expropriar os latifúndios e a grande empresa agroindustrial, sem indenização, distribuindo as terras para que nelas trabalha. Mais do que isso, é preciso que as organizações operárias controlem as empresas agrícolas.

Financiamento dos agricultores

Além de distribuir a terra, é preciso assentar imediatamente todos os camponeses sem-terra que estão ocupados e colocar em prática um programa econômico que dê condições para que os camponeses possam desenvolver sua atividade. Por isso, o PCO propõe financiamento para os assentados e pequenos agricultores para a compra de máquinas e fertilizantes, além de garantir condições para a distribuição dos produtos agrícolas.

 

Fim da repressão aos sem-terra, direito à autodefesa

Além de tudo isso, é preciso garantir aos sem-terra, que sofrem a ameaça de morte constante da classe mais reacionária que é são os latifundiários, o direito de se auto defender e se armar. Basta de massacres no campo.

Só assim, os interesses dos componeses estarão ligados à luta da classe operária e demaais trabalhadores da cidade.

 

 

Acompanhe a cobertura deste dia de paralisações nacional

Hoje, uma onda de mobilizações contra as medidas do governo golpista tomará o Brasil. Atos, paralisações de categorias e assembleias, como a dos professores de todos os estados, tomam a frente da luta neste dia.

O Diário Causa Operária Online fará um acompanhamento da mobilização de hoje com notícias exclusivas. Acompanhe pelo diário operário e socialista os atos deste 15 de março:

19h49: O ato na avenida Paulista começa a se dispersar. Acampanhe o balanço completo das manifestações nas próximas edições do DCO e na Análise Política da Semana, com o companheiro Rui Costa Pimenta, sábado, a partir das 11h30.

19h20: Nesse momento, o ex-presidente Lula discursa no carro de som no ato da Paulista. Assista ao vivo no link abaixo:

https://www.facebook.com/redetvt/?hc_ref=PAGES_TIMELINE

 

18h43: Paulista lotada, dezenas de milhares contra o golpe e a reforma da Previdência.

18h35: Rio de Janeiro: Polícia Militar usa balas de borracha e bombas de gás contra alguns manifestantes. A manifestação é enorme e ocupa três quateirões da avenida Presidente Vargas.

18h11: Veja mais imagens do ato da avenida Paulista desse enorme dia nacional de mobilização. Abaixo o golpe! Anulação do impeachment! Não à Reforma da Previdência! Não à destruição da CLT!

18h00: Ato desse dia 15 já deve ser o maior desde os grandes atos contra o impeachment de Dilma Rousseff no ano passado. A própria imprensa golpista informa que pelo menos seis quarteirões da avenida Paulista estão cupados pelos manifestantes.

17h40: Repressão em Santos. Polícia Militar reprime violentamente com balas de borracha e bombas de gás estivadores que realizam paralisação e protesto contra o golpe e a reforma da Previdência. Pelo menos três trabalhadores foram detidos.

17h09: Manifestações aconteceram em pelo menos 24 estados: São Paulo, Rio de Janeiro, Goiás, Porto Alegre, Acre, Alagoas, Amapá, Bahia, Amazonas, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Maranhão, Pará, Paraíba, Paraná, Piauí, Pernambuco, Rio Grande do Norte, Roraima, Rondônia, Santa Catarina, Sergipe e Tocantins! Abaixo o golpe! Não à Reforma da Previdência!

16h58: Dezenas de milhares de pessoas já fecham as duas vias da Avenida Paulista. O Ato já é gigantesco e daqui a pouco milhares de professores se juntam à manifestação. Abaixo o golpe, anulação do impeachment já, não à reforma da Previdência

16h30: Na praça da República, assembleia dos professores estaduais também aprova greve a partir do dia 28. Os professores vão para a avenida Paulista se juntar com milhares de pessoas que já fecham as duas pistas da avenida em frente ao MASP

16h: Assembleia dos professores municipais de São Paulo decidiu: greve pelo menos até a próxima terça-feira, buscar unidade com outros sindicatos e participação do ato em Brasília dia 28. Agora vão se juntar aos professores estaduais pra subir para a avenida Paulista.

13h: Veja imagens do ato em Goiânia, que aconteceu de manhã:

 

12h: Veja algumas fotos da ocupação doMinistério da Fazenda, em Brasília

 

11h: Professores de Bauru e Campo Grande aderem à mobilização. Em todos os 26 estados, os professores marcaram assembleias para decidir por greves contra as reformas golpistas e os governos estaduais de direita.

11h: Motoristas de ônibus de Sorocaba também paralisam contra a Reforma da Previdência

10h: Estudantes da USP e outras universidades, como a Federal de Sergipe, aderiram também às paralisações e fazem atos nas faculdades. Os professores da Universidade de São Paulo também lançaram, segundo informações da Rede Brasil Atual, uma campanha contra o reitor tucano Marco Zago.

9h: Bancários de São Paulo também aderem à Mobilização Nacional e param agências

 

 

 

 

 

 

 

 

 

7h: Em Porto Alegre, vias são bloqueadas e escolas paralisadas.

4h: Ministério da Fazenda, em Brasília, é ocupado pelo MST contra o programa golpista.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

4h: Motoristas de ônibus e metroviários paulistanos realizam paralisação contra a Reforma da Previdência do governo golpista e os ataques dos governos tucanos de Geraldo Alckmin e João Dória. O metrô segue paralisado em sua maioria e os ônibus voltaram parcialmente a funcionar.

 

 

 

 

 

 

 

Atividade policialesca e de espionagem contra os partidos

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) rejeitou as contas relativas à 2011 de 23 partidos, entre eles, o PCO. Para se ter uma ideia, as contas do partido foram rejeitadas por que o TSE inventou que há uma exigência de que cada detalhe da movimentação do partido deveria ser especificada. Na prática, o que o TSE está fazendo é acabar com a autonomia dos partidos políticos.

A intervenção do Judiciário nos partidos chegou a tal ponto que a atividade do Tribunal se tornou policialesca. Ao controlar cada passo do partido o Tribunal, ou seja, o Estado, está efetivamente espionando os partidos. As atividades políticas que deveriam ser decididas pelos membros do partido que deveria ter total independência para deliberar o que melhor convêm à sua política está nas mãos do Estado.

Se os partidos não têm garantia de que serão independentes do Estado, a democracia é inviável. O regime político democrático pressupõe que existam partidos e que esses partidos possam ter completa autonomia em relação às instituições estatais, como o Judiciário e a polícia. Por exemplo, um partido de oposição, mesmo sendo ele burguês, não terá nenhuma garantia se sua ação está controlada pelo Estado dominado prelos seus inimigos. É um princípio democrático que os golpistas estão destruindo justamente porque o regime político em decomposição não permite mais partidos de oposição como o PT. Por isso estão modificando o regime político, tornando-o antidemocrático, atacando os partidos políticos. O alvo principal são justamente os partidos de esquerda, por isso o ataque ao PCO.

É preciso denunciar a atividade policial e inconstitucional que o TSE está tentando impor aos partidos.

 

O sentido do golpe

A cada dia que passa se torna muito claro o objetivo do golpe. A cada medida dos golpistas, fica mais claro sentido do golpe.

Do ponto de vista econômico, a Reforma da Previdência e a Reforma Trabalhista, leia-se destruição da Previdência e destruição da CLT, fica claro que a direita golpista, a serviço do imperialismo, está promovendo o roubo do século contra o povo brasileiro. Para tirar os capitalistas estrangeiros do atoleiro, a política é espoliar o povo brasileiro até que se cause uma devastação no País.

Do ponto de vista político, os ataques promovidos pelo Judiciário, dominado pela direita pró-imperialista, revelam que está em curso a modificação do regime político para uma ditadura, velada ou não. Os direitos democráticos mais básicos do cidadão estão sendo atropelados sem dificuldades pelos golpistas. A operação Lava Jato, que permite que um juiz de primeira instância passe por cima de direitos democráticos, intervenha no Congresso Nacional, coloque na cadeia lideranças políticos, é um dos aspectos desse ataque dos golpistas no sentido de transformar o regime político.

O mais recente ataque, que está nas páginas dos jornais golpistas, é a campanha contra os partidos políticos. Sob o pretexto do “caixa 2” iniciou-se a campanha que logo se estendeu para o “caixa 1”, ou seja, mesmo se uma doação foi feita legalmente, ela estaria sujeita, de acordo com as arbitrariedades do Judiciário, a investigações. Tudo pode se tornar “crime”, depende da imaginação dos juízes.

A partir daí, foi a vez das contas de 2011 de 23 partidos serem rejeitadas pelo TSE. Do PSDB até o PCO, guardadas as diferenças de milhões de um para outro, o TSE afirma que há irregularidades que na maioria dos casos são apenas exigências que mais do que absurdas são inconstitucionais. Claro que a presença dos partidos da direita servem aí para a cobertura para que o Tribunal ataque os partidos de esquerda. Mas o objetivo é muito claro: promover uma demolição do sistema partidário através da intervenção ilegal do Judiciário.

Soma-se a todo esse cenário ainda a possibilidade nenhum pouco remota de uma intervenção militar. A direita já colocou na mesa essa opção, caso as medidas tomadas até agora não sejam suficientes para garantir que os planos do imperialismo sejam colocados em prática.

Enquanto os golpistas aprofundam o golpe e suas medidas, a esquerda pequeno-burguesa se embriaga no éter chamado eleições. Uma parte dessa esquerda, como é o caso do PSTU e de boa parte do PSOL, até agora se nega a enxergar que estamos sob um golpe de Estado. Outra parte da esquerda, principalmente setores do PT, o PCdoB, abandonam a luta contra o golpe para uma política de conciliação com os golpistas, o que os leva ao apoio ao golpe. As eleições são a desculpa para essa política, que se expressa também no método extremamente errado de tentar mobilizar contra cada uma das medidas do governo, como se fosse um problema de reformar o regime golpista, influir no governo, e não de derrota-lo.

O único problema é que os golpistas não estão dispostos a jogar suas fichas nas eleições. A direita está tratando de garantir o seu domínio agora, à força, usando o Judiciário, a imprensa golpista e o Congresso reacionário. As eleições, se acontecerem, serão um terreno dominado pela direita e a vitória da esquerda, por mais que Lula seja popular e realmente é, será muito difícil.

É preciso derrotar os golpistas em primeiro lugar. Sem uma mobilização nas ruas, contra o golpe e suas medidas de conjunto, a direita vai continuar atropelando o povo e aprofundando todas as medidas de destruição do País.

Agora são os partidos, amanhã serão os sindicatos

Na última sexta-feira, dia 10, veio à tona uma lista de partidos de todos os matizes que tiveram suas contas de 2011 rejeitadas pelo parecer técnico do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). São nada mais nada menos do que 23 partidos.

Logo que o STE divulgou a lista, a imprensa golpista colocou em funcionamento sua metralhadora de mentiras e cinismo, acusando os partidos, ora insinuando ora dizendo abertamente que todos os partidos são corruptos e que fazem “mau uso do dinheiro público.” Por trás de toda a campanha há logicamente o ataque golpista com o objetivo de modificar o regime político. Atacam todos os partidos, exigem o controle estatal das contas partidárias e no final os que serão prejudicados serão os partidos de esquerda e oposicionistas.

Os motivos para a rejeição das contas de todos os partidos são vários. Tomando por base o caso mais gritante, que é justamente o do PCO, o partido que menos recebe fundo partidário e que é reconhecidamente um partido ideológico, os motivos são absurdos. Os técnicos do TSE exigem coisas como a descrição detalhada do que faz um advogado contratado pelo partido para defende-lo justamente no TSE. Ou seja, tomando por base isso, está claro que os motivos encontrados nos demais partidos também são absurdos, guardados à devida proporção. O que está no fundo dessa perseguição é o pretexto para que o Tribunal intervenha nos partidos políticos.

Toda a movimentação financeira de um partido deveria ser controlada pelo Tribunal. Isso acaba com a autonomia do partido político, que fica à mercê das arbitrariedades do Judiciário. Quem deve controlar as contas do partido são os próprios filiados. Os órgãos de controle devem ser estabelecidos pelo próprio partido, de acordo com os interesses dos seus membros.

O TSE está acabando com a autonomia e independência dos partidos políticos, que é a condição sine qua non para que se tenha um regime democrático.

Essa tentativa de sufocar os partidos financeiramente abre o caminho para que ocorra o mesmo com os sindicatos e organizações populares em geral. O objetivo do golpe é sufocar todas as organizações da população. Se os golpistas forem bem sucedidos nos ataques aos partidos, os sindicatos estão seriamente ameaçados. O País corre o risco de retornar à época dos sindicatos controlados pelo Estado e não pelos próprios trabalhadores, ou seja, os sindicatos estariam nas mãos dos patrões que são quem dominam o Estado.

 

MAIS se rende à Globo

Como representantes da classe média, os grupos da esquerda pequeno-burguesa são dados a modismos. A moda da vez é elogiar a rede Globo. Apesar de todos os problemas da Globo – que em geral são deixados em terceiro plano – a emissora dos Marinho estaria se entregando à reivindicações da esquerda ou, nas palavras do MAIS – racha recente do PSTU -, a Globo está se “rendendo” às pautas do movimento.

O racha do PSTU publicou matéria em seu site com o título “Sobre Amor&Sexo: quando a Globo se rende à diversidade!”. A tese central, como o próprio título já diz, é que a toda poderosa emissora, porta-voz do imperialismo no Brasil, estaria sendo pressionada pelo movimento LGBT a falar sobre o assunto.

A ideia parece totalmente fora de sentido, mas é exatamente isso o que pensa o MAIS: “O que aconteceu só foi possível pela luta e resistência travada todos os dias, nas ruas e periferias do Brasil (…) A Globo, assim como o restante da burguesia, tem sido obrigada a nos incorporar”.

O MAIS não para por aí nos elogios à rede Globo, “sem dúvida, essa edição do programa foi um marco para a televisão brasileira”, diz a matéria.

Concepção muito semelhante já havia sido apresentada por vários setores da esquerda esquerda pequeno-burguesa ao elogiar a Globo por ter colocado roupa na Globeleza. Mas os elogias já são um pouco mais antigos, algumas novelas globais recentes deixaram a esquerda excitada por mostrar beijos gay e lésbico.

É absurdo, mas segundo o MAIS e uma boa parte da esquerda pequeno-burguesa, a Globo – principal propagandista e articuladora do golpe de Estado no País, que serviu para colocar no poder uma corja de homens reacionários e fascistoides – está adotando a política da esquerda, pelo menos no que diz respeito ao movimento LGBT.

Mas a pergunta que vem primeiro à cabeça é: o que ganha a Globo ao adotar a política da esquerda? A resposta só pode ser entendida se compreendemos o que realmente está acontecendo. Na realidade, não é a Globo que se “rende à diversidade”, mas é a esquerda pequeno-burguesa que adotou como política a ideologia da Globo e por consequência, do imperialismo mundial.

Em suma, o MAIS é um rabo que acredita estar balançando o cachorro.

A ideia totalmente insana do MAIS abre a possibilidade de mostrarmos o caráter da política da esquerda pequeno-burguesa. Essa esquerda abandonou a luta de classes para se jogar de cabeça em uma luta liberal sobre determinados temas muito específicos de movimentos minoritários, dominados por uma classe média. Assim, em vez de defender que os movimentos democráticos deveriam adotar um posição de classe e se juntar ao movimento da classe operária, a esquerda pequeno-burguesa coloca os movimentos feminista, LGBT e outros como centro de sua política.

Essa ideologia não é simplesmente um erro dessa esquerda. Na realidade é uma adaptação da própria ideologia imperialista. O imperialismo encontrou na demagogia com esses setores sociais uma cobertura para as atrocidades que comete pelo mundo. Basta ver qual era o centro da campanha eleitoral da candidata do Partido Democrático, Hilary Clinton, principal candidata do imperialismo nas eleições dos Estados Unidos.

A força desses movimentos é aparente. Ela vem justamente do apoio da burguesia imperialista que os usa como maneira de cooptação política da classe média. A política genocida do imperialismo fica encoberta pela demagogia com as mulheres e os LGBT. Enquanto isso, milhares de mulheres morrem nos países agredidos brutalmente pelas forças imperialistas.

Não é demais lembrar: a rede Globo é a principal correia de transmissão da ideologia imperialista no Brasil. É por isso, e somente por isso, que temas como LGBT e feminismo têm ganhado tanto destaque nos programas da emissora, diga-se de passagem, programas de muito mau gosto.

Diferente do que diz o MAIS, não só a Globo não se “rendeu” à diversidade, como é a esquerda pequeno-burguesa que segue e se adapta a uma ideologia imperialista.

A primeira coisa que os militantes do MAIS poderiam fazer é acordar para o fato de que há um golpe no Brasil que pretende arrancar todos os mínimos direitos que existem e as mulheres e os LGBT são alvos da direita mais reacionária. A MAIS, vindo do PSTU, ainda nega o golpe ou considera tudo como um mero “golpe parlamentar” A Globo é uma máquina que está à frente desse golpe. A segunda coisa é parar um pouco de perder tempo assistindo e levando a sério os péssimos programas da Globo.

Solzinho beija as mãos do tucano

É isso mesmo. O deputado federal, Chico Alencar, do tão combativo, esquerdista, revolucionário e principalmente ético PSOL foi um dos convidados da confraternização dos 50 anos de carreira do colunista da Globo, Ricardo Noblat, de quem o psolista diz “não ter concordância com todas as suas posições”. Daí que podemos concluir que ele não concorde com todas, mas várias das posições do jornalista da Globo.

Apenas isso já seria motivo para qualquer um que se considere minimamente progressista diante de um golpe de Estado no País ficar de cabelo em pé. Mas tudo pode piorar.

A Folha de S. Paulo, para não perder a oportunidade de mostrar que até um partido de esquerda como PSOL acha o PSDB melhor que os outros, revelou que Chico Alencar elogiou Aécio Neves e teria beijado sua mão. Não fica claro que o beijo foi um beijo figurado, mas a própria tentativa de Chico Alencar de se explicar mostra que, se não houve beijo, houve muita troca de carinhos.

Para não dizer que é exagero, com a palavra Chico Alencar: “Como é de costume meu, usei da brincadeira para descontrair clima às vezes desconfortável”. Nada como criar um clima descontraído em meio a uma corja de direitistas que estão saqueando o País.

Alencar é acusado de beijar a mão de Aécio Neves e tudo o que ele consegue explicar é que estava “descontraindo” o ambiente. Das duas uma: ou ele é o amigão dos golpistas ou o bobo da corte.

E por fim, Alencar ainda nos explica que questionou “abertamente Aécio sobre a aliança do PSDB com o PMDB”. A combatividade de Alencar é tão grande que desaprovou Aécio, na cara dele, que eles está se aliando com esse partido tão corrupto que é o PMDB. “Vem para o PSOL, Aecinho, você é mais honesto que essa corja do PMDB”.

As explicações de Alencar apenas pioraram a situação. Como diz a sabedoria popular, às vezes é melhor ficar calado.

E para terminar com chave de ouro a explicação, Alencar aproveita para reiterar sua ode à Lava Jato: “acredito que a Lava Jato precisa investigar a fundo tudo e todos. Inclusive Aécio Neves e Michel Temer”. Ninguém avisou Chico Alencar que a Lava Jato não foi feita para pegar o PSDB ou ele é como seus colegas da Globo, cínico? Depois de beijar Aécio, tudo indica que a segunda opção seja a mais plausível.

Esse é apenas mais um episódio do direitismo do PSOL. Chico Alencar entra para a lista de declarações e ações direitistas do partido amarelo. Depois do apoio da Globo a Marcelo Freixo no Rio de Janeiro, nada mais fica estranho.

Para não dizer que estamos exagerando, nem que o beijo de Alencar em Aécio é um “fato isolado”, relembramos algumas declarações de dirigentes do PSOL que resumem bem o partido.

“É um governador [Geraldo Alckmin] meio reaça, mas um homem correto”, Plínio de Arruda Sampaio – que Deus o tenha – sobre o ilibado governador de São Paulo. Para a Revista Fórum.

“O importante agora é derrotar o Haddad porque ele é incompetente e porque sua vitória fortalece o Lula e a turma do mensalão”, o mesmo Plínio de Arruda (in memoriam), sobre por que o “meio direitista” Serra deveria ganhar as eleições para prefeito de São Paulo em 2012. No site Pragmatismo Político.

“O Serra tem seus problemas. Tem um gênio difícil, é meio direitoso, mas é um homem competente”, ainda Plínio sobre a competência do homem que não consegue chutar uma bola sem perder o sapato.

“Fato lamentável”, Heloísa Helena sobre a ocupação do MLST (Movimento de Libertação dos Sem Terra) da Câmara federal em 2006, quando ela era candidata a presidência pelo PSOL. Folha de S. Paulo.

“Cabe a todos e todas que querem que as investigações e punições prossigam, doa a quem doer, sair em defesa da Lava Jato”, Luciana Genro, a atual cara do PSOL, defendendo a operação golpista em coluna para o jornal golpista Zero Hora.

“Você [Aécio (PSDB)] tudo bem, mas Renan [Calheiros (PMDB-AL)] e [Romero] Jucá (PMDB-RR), não”, Chico Alencar, segundo a Folha de S. Paulo, confraternizando com os golpistas. “Acredito que a Lava Jato precisa investigar a fundo tudo e todos”, a resposta do mesmo Chico Alencar para tentar explicar por que elogiou Aécio.

E o endurecimento das leis contra o estupro? São destinados a quem?

A imprensa capitalista tem dado destaque e feito muito sensacionalismo para casos de estupro e agressão contra a mulher em geral. A demagogia tem um objetivo muito claro: usar a mulher para aumentar a repressão.

A esquerda pequeno-burguesa, sempre pronta a engrossar a campanha da direita, caiu de cabeça na política do aumenta das penas e da repressão. O resultado foi que no Congresso Nacional, no ano passado, foram aprovadas uma série de medidas que prevêem o endurecimento de penas em casos de violência contra a mulher.

Esse jornal já chamou a atenção um sem número de vezes que a política de repressão, ou seja, de dar ainda mais poder para o Estado esmagar o cidadão, não só é ruim, como acaba se voltando justamente para os setores que foram usados como pretexto para o aumento da repressão. O Estado capitalista e seu aparato policial e jurídico estão aí para esmagar os trabalhadores, os negros, as mulheres, não para protege-los.

Um caso escandaloso que mostra bem o que significa a política do aumento de penas veio à tona justamente no dia 8 de março. Um Juiz simplesmente negou denúncia por estupro contra um ex-militar torturador, Antonio Waneir Pinheiro Lima, o Camarão, da ditadura militar.

A vítima, Inês Etienne Romeu, foi a única sobrevivente da chamada Casa da Morte, centro de tortura da ditadura em Petrópolis. O crime ocorreu em 1971.

Do que adianta aumentar as penas contra a violência contra a mulher? Nada. A direita domina todo o Judiciário e diante de um caso escandaloso como o de tortura no regime militar, o direito da mulher foi ignorado pelo Juiz.

O Juiz do caso, Alcir Luiz Lopes Coelho, ainda citou o fascista Olavo de Carvalho para justificar a sua sentença. Vejam só, esse é o tipo de gente que domina o Judiciário, que leva a sério o que diz um quadrúpede como Olavo de Carvalho.

Defender o aumento das penas é dar mais poder a esse tipo de gente.

No final das contas, fica claro que a política de aumento de penas está destinada à população pobre, como sempre. Vai ser usada como pretexto para aumentar a repressão contra os que já sofrem com ela, inclusive as mulheres.