“A democracia está sob ataque”, o cinismo de Rodrigo Janot

Rodrigo Janot, atual Procurador Geral da República, tem um extenso currículo de participações, ativa e passivamente, em cada passo do golpe de Estado. Golpe que retirou Dilma Rousseff da presidência da república e agora avança sobre os direitos dos trabalhadores.

Esse mesmo Janot teve o cinismo de afirmar que “a democracia está sob ataque”, sendo ele mesmo um dos principais opositores aos parcos direitos democráticos que existem no Brasil.

Janot fez esta afirmação ao se dirigir aos não menos golpistas integrantes do Ministério Público Federal (MPF), agradecendo o trabalho dos amigos do MPF e fazendo elogios aos resultados das delações da Odebrecht.

“As revelações que surgem dos depoimentos, embora já fossem presumidas por muitos, lançadas assim à luz do dia, em um procedimento formal perante a nossa Suprema Corte, nos confrontarão com a triste realidade de uma democracia sob ataque e, em grande medida, conspurcada na sua essência pela corrupção e pelo abuso do poder econômico e político”, diz a carta redigida por Janot aos integrantes do MPF.

Os depoimentos, ditos assim por Janot, parecem um esforço de determinados setores para se chegar à conclusão de algum acontecimento. Mas, na verdade, essas delações estão sendo conseguidas através da mais pura chantagem, pressão, e tortura. É uma conversa que uma determinada pessoa é obrigada a ter com o judiciário, e o judiciário, por sua vez, a ameaça de alguma punição se a pessoa não falar exatamente o que o judiciário e os golpistas querem ouvir.

As quase oitenta delações sob coerção resultaram em “320 providências requeridas ao STF, assim distribuídas: 83 pedidos de instauração de inquérito, 211 pedidos de declínio de atribuição, 7 promoções de arquivamento, 19 outras providências”, diz a carta de Janot.

Ou seja, com base em conversa, se instaurou todo um processo de perseguição à várias pessoas. Perseguição abertamente política, pois se tudo não passa de delação, quer dizer, de declaração extraída sob coação ou tortura, sem prova alguma, é o retorno da Idade Média, da Inquisição.

Com base nisso, em sede de conclusão, Janot afirma: “gostaria de publicamente empenhar meu sincero agradecimento e respeito aos colegas do Grupo de Trabalho – PGR e da Força-Tarefa – Curitiba”. Essa mesma força tarefa que quer levar para prisão toda a direção do Partido dos Trabalhadores (PT), em especial, Lula, além do resto da esquerda.

Pode parecer estranho às pessoas comuns que a operação Lava Jato e seus funcionários sejam encarados como representantes da democracia. Se o fossem, não haveria milhões nas ruas protestando neste 15 de março contra todas as maldades do golpistas e contra o próprio golpe.

Mas nem por isso Janot perde o cinismo e afirma, meio que se auto delatando: “é preciso ficar absolutamente claro que, seja sob o ponto de vista pessoal – sou um democrata congênito e convicto –, seja sob a ótica da missão constitucional do MP de defender o regime democrático e a ordem jurídica, o trabalho desenvolvido na Lava Jato não tem e jamais poderia ter a finalidade de criminalizar a atividade política”. Está muito claro que a Lava Jato não tem essa finalidade, Janot, nem precisava dizer.

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A lei contra Lula

Uma das principais, se não a principal acusação que se pode fazer ao juiz Sérgio Moro, que julga as ações derivadas da operação Lava Jato, é que ele atua com total abuso de poder. Toda a operação golpista, e outros juízes e integrantes do Poder Judiciário e do Ministério Público poderiam ser acusados de abuso de poder.

Para chegar a esta conclusão, não precisa ser jurista ou advogado. Basta para qualquer pessoa ver os áudios e vídeos das audiências que instruíram os processos e se chegaria rapidamente à conclusão de que os juízes, e, em especial Sérgio Moro, significam a plenitude do termo abuso de autoridade.

Lula, um dos principais alvos dos golpistas, protocolou queixa-crime contra Sérgio Moro, juiz da 13ª Vara Federal de Curitiba. O pedido foi rejeitado por unanimidade pela 4ª Seção do Tribunal Regional Federal da 4ª Região.

O ex-presidente e sua família argumentaram que foi abuso de poder o fato de Moro ter quebrado seu sigilo telefônico, no caso envolvendo a conversa entre Lula e Dilma; tê-lo conduzido à força e expedido e realizado mandado de busca e apreensão na casa de Lula e de seus filhos.

Em sua manifestação, o advogado de Lula e da família do líder petista afirmou que a ação de Moro foi “sem fundamento legal, com motivações políticas, ao arrepio da lei, promovendo um espetáculo midiático que tinha por objetivo humilhar o ex-presidente”.

A esposa de Moro, Rosângela Wolff Moro, disse que o que Lula pretendia fazer era intimidar o Poder Judiciário. Rosângela foi a advogada de Sérgio Moro no julgamento da queixa-crime apresentada por Lula.

O representante do Ministério Público generalizou o abuso de autoridade e disse que a prática é comum e legal, “adotada diariamente por magistrados de todo o país, que apenas cumprem sua função junto à sociedade”.

Contra Sérgio Moro não valeu nem mesmo as provas e os fartos indícios de abuso de autoridade para que o crime fosse investigado. Tudo que foi argumentado pela defesa de Lula foi jogado no lixo. Isso quando todo o País observou horrorizado a conduta do juiz em quebrar sigilos e conduzir mandados de busca e apreensão. Além da tentativa de condução coercitiva, quando nem Lula nem ninguém se opôs a prestar depoimento aos golpistas do judiciário.

Por outro lado, o Superior Tribunal de Justiça (STJ), através do ministro Felix Fischer, negou pedido do ex-presidente, que apresentou habeas corpus para suspender mais uma investigação sem fundamento. É um processo que acusa Lula de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, sem quaisquer provas.

Uma vez mais, os argumentos da defesa jurídica de Lula foram colocados de lado: “fica evidente que a autoridade coatora [Moro] já prejulgou o paciente [Lula], fazendo referência até mesmo à sua ‘responsabilização’”, afirma os advogados de Lula.

Fica claro que aqui não se trata mais da existência ou não de leis. O que surgir na cabeça dos golpistas, vira lei. Isso é necessário para que o golpe de Estado consiga tirar de campo todos os seus adversários políticos, especialmente Lula, que não consegue sequer ter seus pedidos analisados junto ao Poder Judiciário.

Por outro lado, é fácil perceber que a luta contra o golpe precisa impor uma dura derrota às instituições golpistas, especialmente o Ministério Público e o Poder Judiciário. A manutenção destes juízes, desses órgãos, da maneira como estão, é a manutenção do golpe de Estado.

Holiday se finge de Martin Luther King, mas é Mussolini

A última do direitista Movimento Brasil Livre (MBL) e de Fernando Holiday, vereador de São Paulo, pelo DEM, foi lançar uma camisa com uma imagem onde três pessoas negras aparecem com os dizeres “Três gerações. Um sonho.” estampado.

As três pessoas são: Martin Luther King Jr. líder negro de fama mundial e que levou adiante uma proposta de resistência pacífica diante do regime segregacionista norte-americano. Os protestos pacíficos, as marchas pacíficas que eram reprimidas sem resistência; os negros que se sentavam em lanchonetes racistas, como forma de protesto, eram linchados sem resistir. São algumas imagens que resultaram da política de King.

Contudo, nem mesmo esse tipo de manifestação era permitida pelo regime racista dos Estados Unidos. King, após ser investigado por quase a vida inteira, foi assassinado pelas forças de repressão do país, que até os dias de hoje não permite a resistência nem do negro pacifista, nem do negro organizado para a tomada violenta do poder.

A segunda personalidade estampada na camisa do racista MBL é o economista, defensor do capitalismo, Thomas Sowell. É um Holiday norte-americano, que foi financiado para defender o regime capitalista e, como negro, fazer um papel semelhante ao que Holiday faz no Brasil. Aparentemente estudou mais que Holiday, o que não é difícil tendo em vista o grau zero de conhecimento sobre qualquer coisa de Holiday. Sowell é da “escola” de Von Mises, ou “O Guru dos Imbecis”. (https://afonsoteixeira.wordpress.com/2014/08/20/von-mises-o-guru-dos-imbecis/

Por fim, dando a entender uma espécie de continuidade na foto, aparece Fernando Holiday. Já bem denunciado pelo movimento negro, Holiday é contra os direitos do negro, acredita que não existe racismo, e que o melhor jeito do negro sair de sua situação de esmagado da sociedade é colaborar com a opressão racial, lamber botas e servir de capacho. É o negro de alma branca.

É difícil saber qual seria a reação de King Jr, mesmo sendo pacifista, diante de Holiday, ou mesmo de Sowell. Isso sem mencionar outros, como Malcolm X, que chamaria Holiday de “negro da casa”, o negro servil, para dizer o mínimo.

É preciso destacar que, apesar dos métodos, King enxergava e buscava combater o racismo da maneira que lhe parecia correta. Dedicou boa parte de sua vida a esta luta e teve o final de tantos outros que ousaram se organizar contra o racismo. Inclusive, King foi favorável às chamadas ações afirmativas, ao contrário de Holiday.

Não é o caso de Holiday. Este está no polo exato oposto de King. No polo oposto, mas sem a mesma importância política, teórica, nem nada semelhante. Holiday não representa nenhuma luta do negro, nenhuma forma de resistência do negro. Não representa sequer uma determinada base social e política do negro. Sua política resume o que há de mais selvagem e bárbaro da política coxinha golpista. Na verdade, a camisa não deixa de mostrar o que Holiday representa: uma farsa. Holiday não tem sonho nenhum. Não está no contrato dele ter sonho. O que tem no contrato de Holiday é falar, em toda oportunidade, contra a luta, as organizações e os direitos do povo negro.

Mais um “pai João” nas fileiras do MBL

Ser negro não é garantia que este fato o leva a defender os interesses do povo negro. Ao longo da história de luta da população negra se desenvolveu, por exemplo, uma expressão: “entre Zumbi e pai João”.

Essa expressão serve para denunciar alguém que está em dúvida em levar adiante a luta do povo negro (Zumbi) ou se acanhar, se entregar ao racismo do regime e colaborar com o senhor para a manutenção da opressão do negro, é o “pai João”.

No caso do MBL (Movimento Brasil Livre), a direita resolveu contratar a maior quantidade possível de “pais joão” disponível. Até o momento são dois. O primeiro é mais famoso, o fraudulento Fernando Holiday, que, ao ser questionado sobre algum direito do negro, ele rosna contra em seguida. Saliva, cospe, grita freneticamente contra os direitos do negro.

Um segundo “pai joão” surgiu no horizonte golpista. A nova contratação do MBL é uma angolana que, em publicação impulsionada pelo MBL, tem como título “Angolana Destrói Movimento Negro Vitimista”. Só a chamada do vídeo cheira ao fascismo dos coxinhas que saíram na Paulista, em defesa do golpe de Estado.

O interessante mesmo é o cinismo do MBL e seu esforço em contratar negros para colorir o movimento golpista, movimento que, por sinal, patrocinou manifestações onde os negros só apareceram como trabalhadores, vendedores ambulantes, etc. Ou manifestações majoritariamente brancas, logo em Salvador… Bahia, a África brasileira.

Por outro lado, o conteúdo do vídeo merece algumas palavras. A angolana se utiliza do episódio do turbante para criticar o movimento negro e chegar à conclusão que, na verdade, todos sofrem, que o problema é social, que o movimento é “vitimista”, etc.

O caso do turbante foi o seguinte: uma pessoa negra falou para uma branca que ela não pode usar turbante, sob pena de “apropriação cultural”. É uma acusação besta, policialesca, sem sentido e revela a loucura que a pequena-burguesia pode chegar quando o estômago está mais ou menos forrado.

Porém, isso não quer dizer que o negro não deve reagir da maneira que achar conveniente diante do racismo. É daí que toda reação do negro diante da opressão racial está sendo classificada de “vitimista” pela direita coxinha. Quando mais de 100 pessoas são mortas, decapitadas no sistema penal e o movimento negro protesta, esse protesto é vitimismo. Vitimismo significa falso sofrimento.

O protesto, a manifestação política, é um exemplo democrático que o negro pode fazer, demonstrar politicamente que está insatisfeito. Mas ele pode se cansar da manifestação democrática, arrumar uns facões – pois usar armas pode alarmar a repressão -, e comandar um levante sangrento, como justificadamente o fez, dentre outros milhares de líderes negros, Nat Turner, o Zumbi dos Palmares dos Estados Unidos.

Se a direita está impaciente com os “vitimistas” e insiste em contratar pai joão, é bom aproveitar o quanto for possível.

Amanhã ou depois, o movimento negro e os trabalhadores “perdem a boa”, como se diz, e a direita golpista sentirá saudades dos “vitimistas”; também é preciso ficar claro: o “pai joão”, colaborador do racismo, capacho do patrão, tradicionalmente recebe o mesmo ou pior tratamento que o destinado aos racistas, posto que é um infiltrado, um agente da confusão dentro do movimento, o caso de Fernando Holiday demonstra que não pode mesmo ser diferente.

Ameaça: “Se a reforma da Previdência não sair, tchau Bolsa Família”, diz PMDB

Um dos principais métodos de fazer política utilizado pelos golpistas é a chantagem. É assim, por exemplo, que eles conseguem as delações, com ameaças, dossiês, ou até mesmo falsas denúncias.

É daí que o governo golpista do PMDB anunciou que “se a reforma da Previdência não sair, tchau Bolsa Família, adeus Fies, sem novas estradas, acabam programas sociais”, segundo um post feito pelo partido em suas redes sociais.

É uma chantagem, uma ameaça. Se trata de uma campanha do governo golpista em torno de uma das principais medidas da direita, que é acabar com a previdência social, acabar com a aposentadoria do povo.

Essa chantagem serve para o Congresso Nacional, onde mesmo entre os golpistas a reforma da previdência não é bem aceita, pois é um ataque enorme às bases sociais, inclusive, dos parlamentares golpistas.

O PT criticou a campanha, através do líder do partido na Câmara dos Deputados, Carlos Zaratini, que afirmou em entrevista à Folha de S. Paulo que essa campanha do PMDB “é uma campanha terrorista. (…) estão desesperados porque precisam aprovar a reforma da Previdência, que é um verdadeiro atentado contra os mais pobres”. O parlamentar conclui: “com isso, querem fazer os pobres optarem entre aposentadoria ou programas sociais. Uma picaretagem”.

Ao bem da verdade, tanto a previdência quanto os programas sociais, como o Bolsa Família estão na mira dos golpistas, para que sejam encerrados e a população mais pobre suporte a crise e o golpe de Estado da maneira que for.

O recado serve também para a esquerda pequeno-burguesa, que insistiu que não era golpe de Estado e que, na verdade, toda política desenvolvida pelos golpistas é pura continuidade do governo Dilma.

Se fosse apenas uma continuidade, não haveria necessidade de derrubar o governo do PT. O golpe de Estado foi uma imposição do imperialismo, e que conta com lacaios no Brasil, dentre partidos e políticos.

Os ataques são generalizados e são resultado do golpe. Nesse sentido, é preciso lutar, em primeiro lugar, contra o golpe, contra suas medidas, suas ações. Derrotar o golpe de conjunto, para que esta derrota surta efeito nas medidas anti-povo adotadas pelos direitistas.

Ameaça: “Se a reforma da Previdência não sair, tchau Bolsa Família”, diz PMDB

Um dos principais métodos de fazer política utilizado pelos golpistas é a chantagem. É assim, por exemplo, que eles conseguem as delações, com ameaças, dossiês, ou até mesmo falsas denúncias.

É daí que o governo golpista do PMDB anunciou que “se a reforma da Previdência não sair, tchau Bolsa Família, adeus Fies, sem novas estradas, acabam programas sociais”, segundo um post feito pelo partido em suas redes sociais.

É uma chantagem, uma ameaça. Se trata de uma campanha do governo golpista em torno de uma das principais medidas da direita, que é acabar com a previdência social, acabar com a aposentadoria do povo.

Essa chantagem serve para o Congresso Nacional, onde mesmo entre os golpistas a reforma da previdência não é bem aceita, pois é um ataque enorme às bases sociais, inclusive, dos parlamentares golpistas.

O PT criticou a campanha, através do líder do partido na Câmara dos Deputados, Carlos Zaratini, que afirmou em entrevista à Folha de S. Paulo que essa campanha do PMDB “é uma campanha terrorista. (…) estão desesperados porque precisam aprovar a reforma da Previdência, que é um verdadeiro atentado contra os mais pobres”. O parlamentar conclui: “com isso, querem fazer os pobres optarem entre aposentadoria ou programas sociais. Uma picaretagem”.

Ao bem da verdade, tanto a previdência quanto os programas sociais, como o Bolsa Família estão na mira dos golpistas, para que sejam encerrados e a população mais pobre suporte a crise e o golpe de Estado da maneira que for.

O recado serve também para a esquerda pequeno-burguesa, que insistiu que não era golpe de Estado e que, na verdade, toda política desenvolvida pelos golpistas é pura continuidade do governo Dilma.

Se fosse apenas uma continuidade, não haveria necessidade de derrubar o governo do PT. O golpe de Estado foi uma imposição do imperialismo, e que conta com lacaios no Brasil, dentre partidos e políticos.

Os ataques são generalizados e são resultado do golpe. Nesse sentido, é preciso lutar, em primeiro lugar, contra o golpe, contra suas medidas, suas ações. Derrotar o golpe de conjunto, para que esta derrota surta efeito nas medidas anti-povo adotadas pelos direitistas.

Não gostam de carnaval, nem de futebol, como podem sair de verde amarelo?

A direita golpista saiu às ruas trajando um uniforme peculiar, o uniforme da Seleção Brasileira. Ou camisas amarelas, ou brancas, fazendo referência ao Brasil, como se estivem em uma luta patriótica, numa luta em defesa da nação.

Essa farsa foi apresentada e amplamente divulgada pela imprensa burguesa como “os brasileiros” que foram às ruas “protestar contra a corrupção”, sem partidos, independentes, com seus familiares, e utilizando camisa da seleção.

Depois do impeachment e o conforme caminha o golpe de Estado, fica muito evidente que esse pessoal supostamente nacionalista pode ser qualquer coisa, menos defensor do Brasil, em absolutamente em nenhum aspecto.

Mesmo antes – é importante lembrar – toda essa trupe fez enorme campanha contra a Copa do Mundo realizada no Brasil, em 2014, e fizeram questão de torcer contra a seleção, o que culminou na derrota do time.

Com a subida de Temer e o assalto ao Congresso Nacional promovido pelos golpistas, é até difícil acompanhar a quantidade de ataques realizadas pelos golpistas, agora comandando o regime político.

Os ataques são todos contra o povo brasileiro e contra a soberania brasileira, contra a independência nacional. É um esforço concentrado em devolver o Brasil à condição de colônia.

Por um lado estão atacando as indústrias e empresas brasileiras. É parte do plano de entregar os respectivos setores de atuação para a mão dos imperialistas e das grandes empresas internacionais. O caso mais escandaloso é o da Petrobras. Correios, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e outras empresas também estão no alvo dos golpistas, para serem vendidas, destruídas, e a atividade ser entregue aos monopólios internacionais.

Por outro, atacaram e vão atacar os direitos elementares do povo. Desde o elementar direito à habitação até o direito à aposentadoria. Direito das mulheres e negros brasileiros também foram atacados. A repressão ao povo está aumentando a cada dia que se passa. E o Congresso Nacional, eleito pelo povo (por pior que seja a eleição) está sendo chantageado todos os dias e corre sério risco fechar.

Eles, os golpistas, atacaram o país inteiro, culminando nos recentes ataques ao Carnaval, festa tradicional, de massas, do povo brasileiro. Com toques de recolher, limites de horário, repressão, etc.

O verde e amarelo usado pelos golpistas é uma falcatrua, uma fraude descarada, encomendada pela direita, justamente quem mais odeia o Brasil, seu povo e tudo que faz referência a ele. Eles deviam usar vermelho, azul e branco.

Aécio Neves, delatado não delatado

O golpe de Estado se valeu do velho lema direitista do “combate à corrupção”. O problema é que se for levar a sério esse combate, os primeiros da fila seriam os políticos, partidos e organizações da direita (PSDB, DEM, Polícia Militar, etc.).

É por isso que as delações precisam ser bem direcionadas, bem encaminhadas. Quando se fala em PSDB ou Aécio Neves, por exemplo, a delação não serve, devendo ser arquivada, ou o investigador muda de assunto, quem sabe, com “tudo bem!! mas e o PT? E a Dilma, e o Lula?”.

Foi justamente o que aconteceu com as delações da Odebrecht. O ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Herman Benjamin, por exemplo, nesta terça feira, 2, ao colher o depoimento de Odebrecht Benedicto Júnior, interrompeu o depoente quando este falava do caixa dois de Aécio Neves.

Em oportunidade anterior, quando Marcelo Odebrecht prestava depoimento, um juiz auxiliar também impediu o depoente de continuar com sua declaração quando se tratava de Aécio Neves, dizendo que o Marcelo deveria falar apenas sobre o objeto da investigação, no caso, a chapa das Eleições de 2014, Dilma e Temer.

As justificativas para essas arbitrariedades são ridículas ao ponto de defenderem que o juiz precisa ser objetivo, apurar “especificamente as denúncias”, como afirmam pseudo juristas contratados pela imprensa burguesa.

São várias as delações da Odebrecht que foram colhidas pelo TSE e, agora, estão em segredo de justiça, para que ninguém fique sabendo onde o PSDB e a direita entram na história do combate à corrupção.

Da mesma forma, está claro que esse processo tem o objetivo de derrubar Temer e colocar na presidência, através da maneira que for, algum político mais intimamente ligado aos golpistas internacionais, que usualmente são do PSDB.

Diante do golpe de Estado, as leis não possuem valor algum, a não ser que sejam para perseguir os opositores políticos. A justiça está quase totalmente controlada pelos golpistas, que fazem o que bem entendem, enxergam crimes apenas onde querem enxergar, o que culmina nessas arbitrariedades, de não ouvir e apurar os crimes da direita.   

Os crimes da direita, tradicionalmente, não são apurados nem julgados. O principal exemplo disso são os crimes cometidos pela PM, e, agora, com o golpe de Estado, esse aspecto do regime ficou ainda mais escancarado, tendo à frente as cortes superiores brasileiras.

Acadêmicos do Tatuapé homenageia África e leva o título do samba de São Paulo

Levou o troféu do samba de São Paulo em 2017, do Grupo Especial, a Acadêmicos do Tatuapé, em decisão que levou em consideração os critérios de desempate, tendo em vista a mesma pontuação da escola com a Dragões da Real. O critério de desempate determinado para o desfile era a pontuação no samba-enredo. A Acadêmicos do Tatuapé havia sido vice-campeã em 2016.

A escola de samba teve como tema “Mãe África Conta a Sua História: Do Berço Sagrado da Humanidade à Abençoada Terra do Grande Zimbabwe” E somente nos últimos instantes os membros e torcedores da escola puderam comemorar o resultado, pois até o final quem liderava era a Dragões da Real.

Na página da escola, é possível ver a sinopse do desfile e do samba-enredo, do qual pode ser extraída a seguinte passagem:

“Da África do Sul ao Zimbabwe, meus filhos festejam e clamam com a sua cultura o amor e orgulho de serem a “África”! De serem os Filhos desta Mãe-África!

O elo que une nossos ancestrais nos unifica ao Brasil, e com os braços fortes de meus filhos, ergueram um gigante amigo, um mastodôntico que tem a forma de um coração e mora nas minhas mais profundas lembranças. Um pouco de mim existe nesse gigante varonil chamado Brasil!

Já fomos exaltados, louvados, aclamados por nossos amigos brasileiros, que há anos exaltam a mim e a meus filhos, em sua maior festa popular, e que com certeza é o maior espetáculo da Terra, e que muito honrosamente, entrego aos braços desse Brasil, mais um filho a ser exaltado: meu Zimbabwe!

Esse filho fiel, sofrido, e que hoje será exaltado…

Aplausos…”

Confira abaixo o samba-enredo da escola, em homenagem à Mãe África, e ouça aqui a composição:

RAIOU… NO HORIZONTE MEU DESTINO
A VIDA NESSE SOLO VI BROTAR
SOU EU …. A NEGRA MÃE DA HUMANIDADE
EM MEU VENTRE A VERDADE… HUMILDADE E AMOR
A FORÇA DE UM FILHO GUERREIRO
HERANÇA DE LUTA E DOR
ABRAÇA A LIBERDADE… A IGUALDADE EM COMUNHÃO
A REALEZA ESTAMPADA NA PELE
COROADA NUM SÓ CORAÇÃO
BATE O TAMBOR… DEIXA GIRAR
PRA EXALTAR MEUS ORIXÁS
UM CANTO LIVRE DE AMOR
NA FÉ… NA RELIGIÃO
SOMOS TODOS IRMÃOS
VEJO MEUS FILHOS TRILHANDO CAMINHOS
COM A PROTEÇÃO DE OBATALÁ
EM POESIA… BRILHA A CULTURA NO OLHAR
NA GINGA O BATUQUE ESPALHA MAGIA
MEU SAMBA HOJE VAI EXALTAR
TAÍ O MENINO DA TERRA DO OURO… UM VENCEDOR
LEVO A  MENSAGEM… LIÇÃO PARA O MUNDO
TOLERÂNCIA… PAZ E AMOR
É DE ARERÊ… ILÊ, IJEXÁ
ESSA KIZOMBA DE UM POVO FELIZ
EU SOU A ÁFRICA… DERRAMO MEU AXÉ
CANTA TATUAPÉ

Holiday e MBL: “dane-se a cor da pele”

O badalado vereador negro da direita, eleito para a câmara de São Paulo, Fernando Holiday (DEM), afirmou em entrevista à Folha de S. Paulo, para justificar sua tese de que o negro não deve ter direito, que no Brasil “É impossível dizer que haja descendentes diretos de escravos por conta da grande mistura (…) Somos todos brasileiros e dane-se a cor da pele e se você se sente ou não parte de um determinado grupo”.

Uma das principais características da direita golpista é o fato de que ela é avessa à qualquer tipo de estudo, leitura, conhecimento, cultura, etc. Isso é o que destaca essa intervenção de Holiday durante toda entrevista concedida. Tudo que ele sabe dizer é defender a meritocracia, ou seja, que não precisa de direitos que ajudem os mais pobres, os negros, as mulheres, bastam que eles se esforcem e serão bem-sucedidos.

Ao contrário do que diz Holiday, na verdade, no Brasil, é difícil saber quem não é descendente de escravo. Muito embora tenha havido “grande mistura”, os que se misturaram com os negros são tratados como tal. Por outro lado, aí estão os números do desemprego, a quantidade de negros presos, de negros mortos pela PM, etc. Se Holiday não sabe quem é descendente de escravo, a repressão sabe.

Holiday ainda apresenta a grande política da direita golpista para os negros: “somos todos brasileiros e dane-se a cor da pele”. Significa que dane-se o negro e suas reivindicações, suas organizações e suas lutas históricas, e isso é tudo que a direita golpista tem para apresentar para o negro.

Para Holiday, contratado pela burguesia, ser negro é só aparência, não quer dizer absolutamente nada. Não existe racismo e, por isso, as cotas raciais e outras reivindicações devem ser atacadas. “Não deve haver política separada para os negros nem os LGBT”, afirma o direitista. Ou seja, tudo deve continuar como está.

Ao contrário do que pensam alguns setores da esquerda pequeno-burguesa, como Djamila Ribeiro, Holiday por suas posições deve ser energicamente combatido pelo movimento negro e o movimento operário de conjunto, justamente por representar um elemento ativo de confusão para a população negra.

A política de Holiday é parte essencial do golpe de Estado, que visa acabar com os direitos sociais, os direitos democráticos e os poucos direitos do negro, e por isso deve ser combatida com todas as forças.

Não deve haver espaço para confusões difundidas pela pequena-burguesia, pelo contrário. Os setores que estão com medo dos golpistas e capitulando vergonhosamente, também precisam ser criticados por suas posições políticas. A luta contra o golpe de Estado passa, necessariamente, pela imposição de uma derrota à política que defende Holiday.