Ato contra a Reforma da Previdência em Goiânia

Na manhã dessa quarta-feira (15), aproximadamente 12,5 mil pessoas lotaram as ruas de Goiânia contra o golpe e o ataque à Previdência pelo governo golpista. A manifestação se concentrou na Praça Cívica, de onde se deslocou para a Praça do Bandeirante, por volta das 11 horas. Bancários, professores, trabalhadores dos Correios, trabalhadores da área da saúde, trabalhadores da Celg e da Saneago, centrais sindicais, milhares de estudantes e diversas categorias partidárias somaram-se no ato contra a medida golpista, cuja votação está prevista para os meses de abril e julho.

O ato evidenciou a rejeição da população (principalmente da classe trabalhadora) de todo o país à Reforma da Previdência, que destruirá a aposentadoria pública em benefício da previdência privada. Apesar de expressar o repúdio geral da população contra o Golpe de Estado, a manifestação do dia 15 canalizou a indignação contra o golpe para o presidente golpista e para a reforma em questão. É preciso, entretanto, lutar contra o golpe de conjunto e não contra cada medida.

O PCO tem feito uma assídua campanha para esclarecer que gritar “Fora, Temer!” já está sendo feito pelo PSDB, que almeja colocar por eleições indiretas um candidato seu, e pela direita que quer a derrubada de Temer por meio das forças militares. A esquerda, nesse sentido, reforça uma política direitista ao gritar tão somente contra o Golpista, fazendo coro pelo recrudescimento do Golpe de Estado. É preciso lutar contra todos os golpistas, lutar contra a ditadura do judiciário, lutar contra a Lava Jato, lutar pela anulação do golpe contra a Dilma e contra a prisão do ex-presidente Lula.

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Espetáculo sobre Cartola estreia nessa quarta no Rio de Janeiro

A partir dessa quarta-feira (15), o Rio de Janeiro receberá um musical que homenageia um dos maiores mestres do samba, Cartola. O espetáculo Cartola – O Mundo é um Moinho será apresentado no Teatro Carlos Gomes, na praça Tiradentes.

A homenagem ao ícone da música nacional estreará, no dia 15, apenas a pessoas convidadas, entre as quais está a artista Alcione. A partir do dia 16 de março até o dia 28 de maio, as portas estarão abertas ao público: de quinta a sábado às 19; e às 17 aos domingos.

O musical foi idealizado pelo ator e produtor Jô Santana e tem a dramaturgia de Arthur Xexéo. A direção e encenação é de Roberto Lage e a direção musical, de Rildo Hora. Nilcemar Nogueira, neta de Cartola, realizou a pesquisa para o projeto. A interpretação será dos atores Flávio Bauraqui, interpretando o Sambista, e Virgínia Rosa, vivendo Dona Zica.

Informações

Cartola – O Mundo é um Moinho

Temporada: de 16 de março até 28 de maio

Onde: Teatro Carlos Gomes

Capacidade: 644 lugares

Endereço: Praça Tiradentes, s/n – Centro, Rio de Janeiro

Quando: de 5ª a domingo

Horário: às quintas, sextas e sábados, 19h; aos domingos, 17h.

Classificação: 12 anos

 

Governo Temer em pandarecos

O governo golpista de Temer vem se deparando a cada dia com uma nova dificuldade. O impasse de prosseguir com os ataques desastrosos à população, como a Reforma da Previdência, tem aproximado o governo Temer de seu fim. É bem claro que, a pouco tempo do período eleitoral, nenhum congressista quer ter no histórico o apoio aos ataques à aposentadoria do trabalhador, de quem dependerá logo mais para se eleger.

Michel Temer, nesse sentido, tem dobrado seus esforços para conciliar as exigências malucas da burguesia (privatizações, cortes etc.) e a falta de ânimo de um Congresso oportunista. Aliás, a força peemedebista no Congresso é o único pilar que, hoje, sustenta o governo do presidente golpista – o imperialismo já demonstrou que, na presidência, necessita de um agente mais fiel ao programa neoliberal; a imprensa burguesa passou a atacar a todo momento o governo; quanto à população, Temer atingiu uma das maiores impopularidades da história política nacional. Ou seja, Temer depende do Congresso para continuar respirando.

O que tem ocorrido nos últimos tempos, entretanto, põe em jogo a sobrevivência do Golpista – trata-se da crise interna no Congresso diante das reformas e do avanço das investigações. Com a delação da Odebrecht, A operação Lava Jato – um dos principais instrumentos do Golpe – tem adentrado o terreno peemedebista e agravado a instabilidade do governo.

Ao contrário do que possa pensar a esquerda pequeno-burguesa, a simples derrubada de Temer não é nenhuma vitória do povo, por duas razões principalmente: primeiro porque, tirando o golpista, se colocará por eleições indiretas alguém ainda mais direitista (o mais cotado é FHC); segundo porque, ao que parece, uma possível derrubada de Temer se dará pela cassação da chapa Dilma-Temer (processo encabeçado pelo PSDB), o que dificultaria a reversão do golpe contra a Dilma. Quer dizer, mais que à esquerda pequeno-burguesa (que está totalmente perdida sob o “Fora, Temer!”), é ao PSDB que interessa de fato a queda do golpista Temer.

A crise do governo, com sua instabilidade no congresso, deixa muito claro que o único modo de luta contra o golpe é exigindo a anulação do impeachment. O governo golpista está em pandarecos e abre caminho para duas possibilidades: ou o recrudescimento do golpe, ou o fortalecimento da luta verdadeiramente combativa da esquerda. É preciso, em tempos de crise, lutar pela volta da normalidade política com a volta da presidenta, lutar contra as arbitrariedades do Judiciário, lutar contra a prisão do ex-presidente Lula.

Para Gilmar Mendes, “caixa dois” pode, mas só para tucanos

Muito se tem noticiado a respeito do uso do “caixa dois” nas campanhas eleitorais, principalmente depois da delação da Odebrecht, na qual centenas políticos dos partidos cm assento no Congresso Nacional, teriam recebido dinheiro da empreiteira.

Recentemente, o ex-presidente golpista, Fernando Henrique Cardoso, defendeu o PSDB de acusações a respeito do “caixa dois”, relativizando seu uso. Para FHC, há diferença entre dinheiro recebido para financiar campanha e dinheiro para enriquecimento ilícito.

Há dois dias, Gilmar Mendes (guardião político de Aécio Neves e do PSDB) veio a corroborar a relativização do caixa dois, dizendo o mesmo que FHC. É evidente que toda essa campanha de relativização pelos golpistas veio à tona porque o problema começou a adentrar em terrenos tucanos.

Em 2012, quando os petistas Zé Dirceu e Delúbio Soares foram acusados de operar um caixa dois, toda a agitação em cima do tema se deu pela negativa – de que seria crime, de que seria traição, de que seria isso e aquilo.

O próprio Gilmar Mendes, ao tratar dos petistas nesse ano, apresentava uma postura extremamente incisiva, diferente da brandura com que hoje trata o tema.

Sim, é fato que não se deve condenar ninguém pelo uso de caixa dois; mas é preciso ficar claro que todo posicionamento desses políticos e ministros visa blindar os nomes peessedebistas e outros golpistas de maiores problemas. Esse é o intento.

Seria mais ou menos assim a estratégia: tira-se de cima do caixa dois o peso moral e criminal, limpa-se dos golpistas a barra dos problemas relacionados a ele, e os petistas e outros ligados ao governo deposto com o golpe que se defrontem com a arbitrariedade do judiciário.

Afinal, nós sabemos que, em se tratando dos petistas e de seus antigos aliados, os direitos e o código penal não têm lá tanta relevância para a Lava Jato.

Golpistas finalizam projeto que entrega terras nacionais para o estrangeiro

Para cumprir o programa de devastação neoliberal, o golpe avança adotando por completo a receita entreguista. O procedimento golpista consiste em destruir os programas sociais e toda a esfera pública. Diante do descalabro da situação, a privatização é apresentada como a melhor (e única) proposta. A burguesia (e só ela) é quem ganha com isso.

Depois do petróleo, um novo ataque vem sendo operado pelo governo golpista: um dos alvos, agora, é a agricultura. O governo já finalizou o projeto que libera a venda de terras a estrangeiros. Segundo o Ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, em aproximadamente 30 dias será validada a permissividade da venda de terras nacionais para estrangeiros. Isso era, antes, algo fora de cogitação nos governos petistas.

Não obstante isso, o capital estrangeiro já controla fazendas em vários estados brasileiros. Consoante os dados levantados pelo Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (INCRA), o território rural brasileiro ocupado por estrangeiros soma 2,81 milhões de hectares – extensão essa um pouco maior que o estado de Alagoas, representando 1% apenas de todo o território brasileiro ocupado por atividades agropecuárias.

O governo golpista almeja abrir por completo as portas para os estrangeiros. “Mas em que medida isso pode representar um problema?” é o que possivelmente pergunta o leitor. A venda do território nacional, longe de representar (como alegam os direitistas) uma melhoria no setor do agronegócio, expressa o aumento do controle estrangeiro sobre a política e a economia nacionais.

Isso por si só já escancara o absurdo da medida, mas podemos pontuar outros problemas. O estado de Alagoas, por exemplo, é nas devidas proporções um dos estados majoritariamente agrários, sendo o maior produtor de cana-de-açúcar do nordeste e um dos maiores produtores de açúcar do mundo. A região Centro-Oeste, da mesma sorte, (principalmente o estado de Goiás) apresenta uma zona rural muito extensa. Isso para ficarmos em dois exemplos. A privatização das terras nacionais significa, em outras palavras, a venda do Estado brasileiro para outros países.

Embora a entrega das terras nacionais seja sozinha um completo absurdo, ela apenas uma das medidas que integram o pacote neoliberal do golpismo. O golpe promete a submissão total da sociedade para o jugo das grandes empresas, dos grandes capitalistas, enfim, do imperialismo mundial.