Holanda: atual primeiro-ministro lidera pesquisa de boca de urna

A extrema-direita não venceu as eleições gerais holandesas, segundo as pesquisas de boca de urna divulgadas nesta quarta-feira (15). Durante todo o dia, os holandeses teriam dado a vitória novamente ao partido no governo, do primeiro-ministro Mark Rutte, VVD (Partido Popular pela Democracia e Liberdade), de direita. O VVD teria ficado com 31 assentos no Parlamento, dos 150 disponíveis. Uma coalizão com pelo menos quatro partidos seria necessária, com a possibilidade, assim, de que Rutte continue no cargo.

A grande novidade das eleições, apesar da derrota, foi o ascenso eleitoral da extrema-direita. O PVV (Partido da Liberdade), partido de Geert Wilders, teria ficado em segundo lugar no número de assentos no Parlamento, ao lado de outros dois partidos, todos com 19 cadeiras. Com o avanço da extrema-direita, o Partido Trbalhista (PvdA) teve um desempenho desastroso, segundo as pesquisas, despencando de 38 para nove cadeiras, uma expressão do deslocamento à direita de conjunto no regime político holandês.

Esse deslocamento à direita se expressou também nas medidas do governo. Rutte passou a adotar parte da política de Wilders, em uma tentativa de disputar com a extrema-direita. Aparentemente, junto com outras manobras eleitorais, essa política funcionou no momento, mas a tendência de tal postura é só fortalecer ainda mais a extrema-direita enquanto o regime se desloca todo em sua direção. Uma tendência que tem aparecido em muitos países da União Europeia diante do colapso eleitoral de 2008 e do consequente aprofundamento da crise capitalista.

Lista do Janot: a faca no pescoço do Congresso

Com grande estardalhaço, foi divulgada a nova “lista do Janot” entregue ao STF esta semana. Trata-se de um pedido de abertura de inquérito contra dezenas de políticos, baseados em 77 delações de executivos da empreiteira Odebrecht, mais uma delação que ainda não foi homologada, encaminhado pelo Procurador Geral da República, rodrigo Janot, ao Supremo Tribunal Federal (STF). A lista dos nomes que aparecem permanece secreta, embora muitos nomes selecionados já sejam conhecidos. Os ex-presidentes petistas, Lula e Dilma Rousseff, perseguidos pelos golpistas, naturalmente constam da lista.

Além dos petistas perseguidos pela direita que deu o golpe, muitas figuras proeminentes do governo golpista também aparecem na lista. Cinco ministros de Michel Temer, pelo que foi revelado até agora, estão entre eles: Eliseu Padilha (Casa Civil), Moreira Franco (Secretaria-Geral da Presidência), Bruno Araújo (Cidades), Gilberto Kassab (Ciência e Tecnologia e Comunicações) e Aloysio Nunes Ferreira (Relações Exteriores). Os presidentes do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), e da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), também estão na lista.

O golpista Michel Temer não está nesta lista, mas tem mandato ameaçado em outros processos. Dessa forma, os golpistas estão com a faca no pescoço. O Congresso está encostado contra a parede, acuado para que tome determinadas medidas e vote determinados projetos. A grande disputa no momento é em torno da Reforma da Previdência, que segundo o líder da maioria na Câmara, Lelo Coimbra (PMDB-ES), não tem votos suficientes para ser aprovada. Apesar do golpe, nem os parlamentares de direita que dominam o Congresso estão dispostos a serem os autores do fim da aposentadoria para grande parte dos brasileiros, que vão morrer antes de conseguir se aposentar com as novas regras propostas pelo governo golpista.

Para ajudar Lelo Coimbra em sua tarefa de reunir votos suficientes para aprovar a ruína da Previdência, o Congresso votará sob ameaça de processo e prisão. Diante dessa ameaça pairando sobre o Congresso pode ser que Coimbra descubra um talento persuasivo até então desconhecido para ele.

A ditadura dos tribunais contra os trabalhadores

Fazer greve é um direito do trabalhador. Nesta quarta-feira (15) os metroviários, assim como os condutores, paralisaram suas atividades contra a reforma da previdência. A direita golpista derrubou Dilma Rousseff para alterar o regime político contra os trabalhadores, atacando as condições de vida da população e seu direito de se organizar para resistir. A reforma da previdência é uma das mudanças para intensificar a exploração dos trabalhadores, que agora terão que trabalhar até morrer sem nunca se aposentar. A grande paralisação neste dia 15 é uma resposta contundente contra essa reforma, e por isso a burguesia se mobiliza para atacar o movimento operário em sua tentativa de impor essa reforma.

Foi nesse marco de embate entre o estado burguês, em meio ao clima reacionário instaurado pelo golpe a serviço do imperialismo, que o Tribunal Regional do Trabalho concedeu uma liminar ao Metrô contra a greve dos trabalhadores do metrô. A liminar, solenemente ignorada pelos trabalhadores em luta contra o fim da aposentadoria no Brasil, determinava que o Metrô deveria funcionar com 100% de seus funcionários nos horários de pico (6h às 9h e 16h às 19h), e 70% nos demais horários. Na prática, a justiça burguesa pretendia barrar a paralisação dos funcionários.

E é para isso que serve a justiça burguesa. Trata-se de uma ditadura contra os trabalhadores, a ditadura do Judiciário, um poder que não tem sequer a legitimidade da representação distorcida dos votos em uma eleição burguesa. Um juiz que não foi eleito por ninguém, que não trabalha no Metrô e que provavelmente sequer utiliza o Metrô pretende decidir os rumos da greve de toda uma categoria. Não por acaso, esses privilegiados a serviço do Estado para oprimir quem trabalha ganham altos salários e sequer serão atingidos da mesma forma que os trabalhadores pela infame reforma da previdência urdida contra o conjunto da população pelos golpistas que usurparam o governo federal. A falta de autoridade moral desses funcionários diante da população é compensada por uma pesada máquina de repressão, com polícias e exército permanente.

Esse aparato construído para esmagar os trabalhadores está sendo enfrentado nesta a quarta-feira em São Paulo e em outros estado (em MG, por exemplo, a justiça tomou uma decisão similar, para também ser ignorada). Contra a reforma golpista da previdência, os transportes pararam. Apesar da ameaça do Judiciário, que estabeleceu uma multa de R$ 100 mil contra o Sindicato dos Metroviários e desconto no salário dos metroviários pela paralisação. Os trabalhadores que todos os dias trabalham operando os trens, fazendo a manutenção dos trens, das escadas rolantes, limpando as estações etc., passaram por cima da ditadura daqueles que não fazem nenhum desses serviços.

 

Trump e o velho golpe da corrupção

Na noite desta terça-feira (14), a Casa Branca divulgou dados relativos aos impostos pagos pelo presidente Donald Trump em 2005. A divulgação ocorreu minutos antes de um formulário vazado com o mesmo conteúdo ser apresentado na rede de TV MSNBC. O documento foi apresentado na TV pelo jornalista David Cay Johnston, em entrevista ao programa “The Rachel Maddow Show”. O formulário mostra que, em 2005, Trump teve uma renda de US$ 150 milhões, e que teve que pagar US$ 38 milhões em impostos, 80% dos quais graças à Taxa Mínima Alternativa, lei criada para evitar deduções excessivas. Durante a campanha, Trump prometeu acabar com essa lei.

Trump foi o primeiro candidato em décadas a não apresentar suas declarações de imposto de renda, o que é explorado pela imprensa de forma a insinuar que o presidente seria corrupto. Pior do que corrupto, Trump é um grande capitalista. Mas não é por corrupção, muito menos por ser capitalista, que a imprensa burguesa dos EUA começa a esboçar uma campanha “contra a corrupção” para tingir Trump. Trata-se de mais uma frente da campanha para derrubar Trump, ou encurralá-lo até que ele adapte totalmente sua política.

Já há outros motivos levantados que poderiam levar a um impeachment, como uma suposta ligação de Trump com os russos e nepotismo, entre outras acusações feitas contra Trump. Enquanto estiver no governo, Trump continuará alimentando a crise do regime político do principal país imperialista do mundo, a mesma crise que possibilitou que ele se elegesse contra o aparato de seu próprio partido e contra o conjunto da imprensa burguesa.

Kirchner também era grampeada pelos golpistas

Neste domingo (12) um canal de TV argentino divulgou novos grampos da ex-presidente Cristina Kirchner. A conversa teria sido gravada em julho de 2016, nela, Cristina conversa com Oscar Parrilli, chefe da Agência Federal de Inteligência (AFI). Entre outras coisas, o assunto são os processos abertos contra o ex-espião Jaime Stiuso. Cristina pergunta quem são os juízes ligados à causa de Stiuso, e afirma que “é preciso sair para apertar os juízes”. Stiuso, que Cristina acusa na gravação de estar ligado a Macri, é apresentado pela imprensa como um “colaborador” da promotoria no caso Amia, relativo a um atentado a bomba em uma associação judaica na década de 90. O caso Amia foi usado para atacar Cristina Kirchner com acusações de que ela teria encoberto os autores do atentado para obter vantagens comerciais junto ao Irã.

O tom da conversa entre Cristina Kirchner e Parrilli é informal, mas a imprensa burguesa procura emprestar ao caso ares de conspiração contra Stiuso e os juízes. Chama atenção que esse caos mostra como o governo argentino também era vigiado, assim como aconteceu no Brasil. Mauricio Macri acabou vencendo as eleições no meio da campanha golpista, mas também na Argentina havia um golpe em curso, a eleição de Macri foi resultado da campanha golpista, Macri também é um golpista. Assim como no Brasil, o programa dos golpistas é o programa do imperialismo para os países atrasados. Não por acaso usaram os mesmos métodos.

O programa do imperialismo para os países atrasados, como Argentina e Brasil, é aumentar a exploração dos trabalhadores, atacar as condições de vida dos trabalhadores e liquidar o patrimônio nacional. Tanto lá como aqui, a perseguição aos partidos que estavam à frente dos governos nacionalistas burgueses derrubados é parte do plano para aplicar esse programa. Para a direita e o imperialismo, é fundamental quebrar qualquer possibilidade de resistência à sua política devastadora.

Venezuelanos atravessam a fronteira e Globo culpa Maduro

Em 2016, ano do golpe, 3.252 brasileiros foram presos tentando entrar de forma ilegal nos EUA. Ou seja, sem contar imigrantes que entraram de forma legal, e todos os que tentaram entrar ilegalmente e conseguiram, 3.252 brasileiros deixaram o Brasil para tentar morar nos EUA. Nos últimos dois meses, mais 940 casos do tipo, um aumento em relação ao ano passado. Nenhuma manchete da imprensa burguesa atribuiu esse fenômeno ao governo do golpista Michel Temer, que está destruindo o país a serviço do imperialismo e em benefício de monopólios econômicos. Nenhuma reportagem para destacar gente que diga que passava fome no Brasil.

Se Nicolás Maduro, presidente da Venezuela, governasse o Brasil, o ângulo da imprensa golpista seria totalmente diferente. Em 2016, 2 mil venezuelanos pediram refúgio na Polícia Federal em Roraima. O sítio da Rede Globo G1 publicou uma matéria sob a seguinte manchete: “Pedidos de refúgio de venezuelanos em RR cresceram 22.000% em 3 anos”. A partir daí, a reportagem tira a conclusão de que a crise econômica da Venezuela provocou um surto de imigração de venezuelanos para o Brasil por causa da fome. Entrevistados confirmam que passam fome, embora as fotos, escondendo os rostos, estejam longe de mostrar pessoas magras e esfomeadas.

Um dos bem nutridos entrevistados conta que, para chegar ao Brasil, vendeu um dos dois carros que tinha na garagem de sua casa própria em Caracas. A suposta fome na Venezuela é um factoide, e apresentar o deslocamento de 2 mil pessoas (a Venezuela tem mais de 30 milhões de habitantes) como algo extraordinário é uma maneira forçada de abastecer a campanha contra o governo venezuelano. A imprensa burguesa continua em sua campanha golpista para tentar derrubar Maduro. O objetivo é substituí-lo por um lacaio do imperialismo, com um programa capaz de causar fome de fato para uma parcela da população, mas sem a comoção dos golpistas confortavelmente instaladas nas redações dos jornais.

 

Novo referendo sobre independência da Escócia aprofunda a crise do Reino Unido

Nesta segunda-feira (13), a primeira-ministra da Escócia, Nicola Sturgeon, anunciou que o País realizará uma nova consulta à população sobre a permanência no Reino Unido. Um referendo como esse foi realizado em 2014, oficialmente com um resultado de 55% pela permanência contra 45% de votos pela saída, em meio a denúncias de fraude. Ano passado, o partido de Sturgeon, Partido Nacional Escocês (SNP), conquistou a maioria no Parlamento prometendo um novo referendo caso uma grande mudança como o “Brexit” acontecesse.

O “Brexit” (saída do Reino Unido da União Europeia) venceu um referendo no ano passado no conjunto do Reino Unido, mas na Escócia mais de 60% dos votantes foram contrários à mudança. Esse resultado alimenta a crise no Reino Unido e coloca novamente na ordem do dia a independência da Escócia. Sturgeon declarou que o referendo deve acontecer entre o outono de 2018 e a primavera de 2019, “antes que seja tarde demais” mas depois que os termos do Brexit já sejam conhecidos.

A vitória do Brexit, até então apresentada pela imprensa como muito improvável, foi um resultado da crise política no Reino Unido. Uma crise política que continua agora com o fortalecimento do separatismo na Escócia e com a reunificação da irlanda de volto à pauta. Apenas na Inglaterra e no País de Gales a maioria votou pelo Brexit, o que deu argumento para os defensores da independência na Irlanda do Norte e na Escócia.

Brexit: chegou a hora

A saída do Reino Unido da União Europeia (UE) está perto de começar. Com a regulametação terminando de passar pelo Parlamento, esperava-se que já na terça-feira (14) o processo começasse. Mas a primeira-ministra, Theresa May, adiou pelo menos até a semana que vem a ativação do Artigo 50, que iniciará formalmente o desligamento do Reino Unido do bloco europeu. A vitória do Brexit, a saída do Reino Unido da UE, no ano passado, expôs a dimensão da crise política britânica.

Diante da iminência do começo do processo de separação, nesta segunda-feira (13) a primeira-ministra da Escócia, Nicola Sturgeon, anunciou um novo referendo sobre a independência da Escócia. A maioria dos escoceses votou contra o Brexit. Na Irlanda do Norte a maioria também foi contrária a sair da UE e a reunificação da Irlanda colocou-se na ordem do dia. Uma crise total da unidade do Reino Unido, alimentada pelo Brexit.

Por ocasião da vitória do Brexit, a extrema-direita mostrou uma grande força eleitoral, depois de ter crescido em diversas eleições municipais e ter alcançado um grande número de votos absolutos, apesar de ter conquistado apenas uma cadeira no Parlamento. O partido de extrema-direita UKIP (Partido da Independência do Reino Unido) fez campanha sozinho pela saída da UE, contra os dois principais partidos do regime e contra os partidos mais importantes dos países menores do Reino Unido. O crescimento da extrema-direita é um resultado da crise do regime político e só pode ser enfrentado pela classe operária. Desde que os sindicatos impuseram seu candidato para comandar o Partido Trabalhista, Jeremy Corbyn, a extrema-direita tem sido forçada a recuar.

Vazamentos da CIA: 1984 chegou

A distopia descrita pelo inglês George Orwell no romance 1984, publicado em 1949, revelou-se otimista sob um determinado aspecto na comparação com o presente. Terça-feira (7) o sítio WikiLeaks fez novas revelações sobre a CIA (Agência Central de Inteligência). Os documentos foram obtidos pelo WikiLeaks das mãos de uma empresa privada contratada pela Agência, e mostram que a Agência desenvolveu um pacote gigantesco de programas para invadir dispositivos eletrônicos como computadores, celulares e televisores, transformando-os em microfones secretos da CIA para espionar qualquer um em qualquer parte do mundo.

O otimismo de Orwell aqui consiste no fato de que as Teletelas de seu romance, que funcionavam como TV ao mesmo tempo em que filmavam o ambiente, não podiam ser desligadas, enquanto os computadores, celulares e TVs são aparelhos que nós queremos deixar ligados. Esse tipo de Teletelas em que a CIA converteu nossos aparelhos eletrônicos mantêm grande parte da população mundial sob vigilância permanente de uma agência do estado norte-americano que funciona com relativa independência diante de seu próprio governo.

Com seu enorme orçamento, a CIA montou sua própria NSA (outra agência norte-americana que vigia todo o mundo por meio dos aparelhos eletrônicos consumidos em massa). Assim o Estado norte-americano transformou o presente em um inferno sistematicamente vigiado ininterruptamente.

O presente se parece com a distopia de Orwell sob outros aspectos. Como em 1984, há um incentivo constante para que os cidadãos dedurem uns aos outros, com números de telefone especiais para denúncias de todo tipo em todos os lugares. Um exemplo recente foi dado pelo atual prefeito de São Paulo, João Doria, que fechou um acordo com taxistas para que esses denunciem pichadores acionando a Guarda Civil. Mais um nível de vigilância.

O próprio João Doria contrói a sua personalidade para ser cultuada pagando uma equipe de propaganda que o acompanha em todas as suas ações. Por mais ridícula que sua figura possa ser, o prefeito paulistano é salvo em alguma medida desse ridículo também pelo conjunto da imprensa burguesa. Mesma imprensa que criou uma realidade alternativa no Brasil para apoiar o golpe da direita, o tipo de imprensa que inspirou a criação do “Ministério da Verdade” do livro de Orwell.

Além de romancista, Orwell foi também jornalista e um militante político. Lutou na guerra civil espanhola contra o fascismo, uma luta que ele perdeu. Essa luta continua hoje, mas no mundo inteiro, o mundo que ele descreve no 1984 chegou.

O disco riscado da corrupção: golpe na Coreia do Sul

Nesta sexta-feira (9) a Corte Constitucional da Coreia do Sul confirmou o impeachment  contra a presidente Park Geun-hye. Desde dezembro a presidente da Coreia do Sul estava afastada por decisão do Parlamento. A decisão da corte causou confrontos nas ruas, com a morte de dois apoiadores de Park Geun-hye. O motivo, como em tantas outras partes do mundo, é o mesmo de sempre: um “escândalo” de corrupção. O escândalo é o barulho que se faz, o escândalo feito pela imprensa interessada em um determinado resultado na luta política.

O caso de corrupção que estampou as capas dos jornais sul-coreanos envolvia uma conselheira informal da presidente, uma amiga pessoal sem cargo no governo que supostamente influenciaria suas decisões. Choi Soon-sil, chamada de “Rasputina” pela imprensa local, daria também conselhos espirituais à presidente, enquanto tinha influência sobre seu governo. A amiga da presidente teria usado sua posição para tirar dinheiro de grandes empresas, como a Samsung, totalizando US$ 70 milhões.

A exemplo do que está acontecendo no Brasil, o escândalo montado para derrubar o governo também está atingindo as empresas nacionais. Mês passado, o vice-presidente e herdeiro da Samsung, Lee Jae-Yong, foi preso acusado de pagar US$ 37 milhões em propinas para ter apoio do governo na fusão de duas unidades da empresa.

O golpe atinge, portanto, diretamente a burguesia nacional da Coreia do Sul, ainda que essas empresas, no caso da Coreia do Sul, já estejam em grande medida sob controle direto do imperialismo. Esse controle, porém, já não é o suficiente diante da crise do capitalismo e da crise da dominação imperialista. Para o imperialismo colocou-se a necessidade de ampliar a exploração dos países atrasados, controlando a economia desses países, aumentando a exploração dos trabalhadores, liquidando o patrimônio nacional etc. Esse é o programa por trás de todos os golpes recentemente impulsionados pelo imperialismo.