Doria limpa a cidade com fogo

O segundo incêndio em menos de dez dias na favela de Paraisópolis coloca em dúvida se as causas do fogo são meros acidentes

No último dia 10 mais de trezentas famílias da comunidade de Paraisópolis, na Zona Sul da capital paulista, tiveram que enfrentar pela segunda vez, em 10 dias, um grande incêndio que destruiu os barracos e quase tudo que possuíam, do dia para a noite. Cerca de 30 casas foram consumidas pelo fogo, vizinhos das famílias comovidos pela tragédia, cederam carros para servirem de moradia para aqueles que perderam seus lares. O fogo, segundo os bombeiros, teria começado com a explosão de uma panela de pressão.

A tragédia acontece dez dias após um outro incêndio, que destruiu pelo menos 50 barracos. Cerca de 100 mil famílias vivem atualmente no local, considerada a segunda maior comunidade de São Paulo, atrás de Heliópolis. Os bombeiros informaram que, somente neste ano, já aconteceram 102 incêndio em favelas em todo o estado. Deste total, 43 estavam na capital e em cidades da Grande São Paulo. No ano passado foi registrado, em todo o estado, 325 incêndios, sendo 230 na capital e na região metropolitana.

Esses dados, principalmente os dois grandes incêndios em Paraisópolis, gera a desconfiança de que esses incêndios foram realmente causados por acidentes. Em 2014, Conrado Ferrato, um dos produtores do documentário “Limpam com Fogo”, já denunciou os incêndios em favelas e suas relações com a especulação imobiliária, o CPI dos incêndios e reurbanização.

Somado a isso, o novo prefeito tucano da capital, já é conhecido como o higienizador da cidade de São Paulo, aquele que pinta por cima dos grafites, cerca com grades os moradores de rua embaixo dos viadutos, e vende tudo que é possível, e mais rico, para empresários internacionais.

“Há aquela pulga atrás da orelha das pessoas, pelo fato de as favelas que mais pegam fogo são as melhores localizadas, com o terreno valorizado”, questiona o jornalista Conrado Ferrato. Segundo Ferrato, em entrevista ao Seu Jornal, da TVT, mesmo sem provas, os moradores afetados pelas tragédias acreditam que são alvos do mercado.

“Na favela do Piolho, poucos meses antes (do incêndio) havia sido organizado um abaixo-assinado dos moradores do entorno pedindo a remoção da favela. Um dos responsáveis pelo condomínio (próximo a comunidade) procurou a prefeitura pedindo para remover a favela, sendo que a remoção não é política utilizada mais. Então, ele foi negado, mas um mês depois a favela pega fogo e é completamente dizimada.”

Os incêndios nas favelas tem uma relação profunda com a especulação imobiliária. Existe uma análise da distribuição geográfica dos incêndios, e há uma relação direta entre a localização das favelas e frequência/gravidade dos incêndios. Os incêndios não são aleatórios, eles respondem a uma lógica seletiva.

Em resumo, em uma só palavra, é a “gentrificação”, que vem de gentry, uma expressão inglesa que designa pessoas ricas, ligadas à nobreza. O termo surgiu nos anos 60, em Londres, quando vários gentriers migraram para um bairro que, até então, abrigava a classe trabalhadora. Este movimento disparou o preço imobiliário do lugar, acabando por “expulsar” os antigos moradores para acomodar confortavelmente os novos donos do pedaço. O evento foi chamado de gentrification, que numa tradução literal, poderia ser entendida como o processo de enobrecimento, aburguesamento ou elitização de uma área

Ainda segundo Ferrato, “A cidade virou um negócio. O que move os processos de urbanização/reurbanização em São Paulo é a lógica da indústria de imóveis, que lucra mais quanto mais caro forem os preços. Assim, o que for indesejado, o que atrapalha a valorização, é eliminado. Isso afeta todos e a classe média começa a sentir os efeitos disso agora, mas as comunidades mais pobres sofrem com isso já tem muito tempo. Quando falamos que a especulação está por trás dos incêndios não estamos querendo dizer que construtoras e incorporadoras acenderam um fósforo, queimaram as favelas e construíram um prédio no lugar – isso é uma simplificação grosseira.”

“É algo mais sutil. Pense que um bairro que vem se valorizando está passando por muitas obras, que atraem mais interesses para essa região. Esses interesses envolvem coisas como melhorias de mobilidade, lazer e segurança – esse último quase sempre se traduz em uma vigilância sobre as favelas da região. Essa vigilância impede a consolidação dessas comunidades, que mantêm um caráter construtivo precário, com paredes de papelão e madeira e alta densidade de moradias, todos os fatores que contribuem para um grande incêndio. Não se trata de tacar fogo, mas de deixar queimar.”

Doria nada declarou sobre os incêndios, pelo contrário, ele simplesmente sumiu e não se posicionou de qualquer forma. O que já sabemos do prefeito tucano até hoje é que, seria bem conveniente incendiar barracos enquanto impulsiona e financia seu projeto de venda de São Paulo para os grandes capitalistas, além de outras políticas fascistas como “Cidade Limpa”.

Ainda não tem como comprovar a relação direta do direitista com as empreiteiras e os incêndios nas favelas, porém não causa nenhum incômodo a ninguém afirmar que Doria está limpando a cidade para o capital estrangeiro, e as favelas ele limpa com fogo.

 

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O “combate” ao “caixa 2” como pretexto para acabar com os partidos e intensificar a ditadura golpista

Em uma situação de aguda crise do regime golpista que fracassa em debelar a crise econômica, impulsiona recordes de desemprego e o aunei da miséria nacional e estipular á ameaçado de não conseguir emplacar a sua destruidora “reforma” da Previdência no Congresso Nacional, diante da revolta contra a liquidação das aposentadorias,  “super” poder do regime golpista, o judiciário, está colocando em marcha uma clara perseguição aos partidos políticos, sob os mais variados pretextos.

Obviamente que os maiores e principais alvos imediatos são – como há muito – os partidos que se opõem ao golpe (come se dá com o PT e o PCO) mas a perseguição avança cada vez mais contra  PMDB e outros que representam ameaças – ainda que limitadas – às mudanças defendidas pelos golpistas.

Fica claro que querem impor um controle ainda maior do poder mais reacionário do regime crise, que não precisa precisa do voto popular sobre as instituições representativas do regime pseudo democrático que vigora no País.

Mostram clara disposição de lançar mão do excesso de força e arbitrariedade do judiciário para conter a  rejeição dentro do PMDM e de outros partidos das propostas de liquidação total dos direitos trabalhistas e de destruição da economia nacional em favor dos tubarões internacionais.

Como não conseguem, nem mesmo com base em intensa chantagem, impor um “consenso” nas instituições políticas, principalmente daquelas que representam diretamente os atingidos pelas medidas (como a CUT, PT, principais sindicatos) ou até mesmo indiretamente (partidos, congressos), para impor as reformas, mostra clara disposição de atacar e até colocar na ilegalidade essas organizações e o próprio regime democrático de fachada.

O ataque as partidos é parte da política de cassar todo tip de manifestação política contra o regime, e se soma à tentativa de impedir a manifestação populares em todos os terrenos: política, carnaval, futebol, arte etc.

Trata-se do maior cretinismo político e jurídico, usar o modus operandi do regime democrático burguês,  financiamento dos partidos da burguesia pelos grandes capitalistas (seus verdadeiros donos) como pretexto para impor uma clara perseguição, limitação e até cassação dos direitos de políticos e dos próprios partidos. É claro que tanto os “caixa 1” como o “caixa 2” são parte do esquema de compra e controle dos partidos para atuarem como “escritórios de advocacia” dos interesses patronais contra os da maioria da população. O judiciário golpista já deu provas à exaustão de que não tem a menor condição (nem intenção) de atuar como órgão subordinado à Lei (que favorece o esquema empresarial) e que está à serviço dos interesses dos donos do golpe, o grande capital internacional, o imperialismo.

O ataque aos partidos, inclusive os partidos burgueses, é parte da ofensiva ditatorial – sendo defendido, entre outros, por aqueles que defendem a intervenção militar – e precisa der denunciado e enfrentado com tal.

A situação evidencia que o regime caminha, cada vez mais, para uma ditadura, que só pode ser barrada por meio da mobilização popular, nas ruas;na luta contra o golpe e sua ofensiva contra os trabalhadores e a economia nacional.

 

A greve nacional da Educação e a luta contra o golpe

Está prevista para começar neste dia 15 de março aquela que pode ser a maior e mais importante mobilização nacional dos trabalhadores da Educação – principalmente do ensino básico – das últimas décadas: a greve nacional da Educação.

A greve foi deliberada no maior congresso nacional de trabalhadores de uma só categoria, o Congresso Nacional dos Trabalhadores da Educação, realizado em janeiro passado (com mais de 2,2 mil delegados), organizado pela CNTE (Confederação Nacional dos Trabalhadores da Educação), filiada à CUT.

A mobilização tem enorme potencial e vem ganhando apoio entre os educadores de todo o País, tendo sido ratificada em assembleias da maioria dos sindicatos estaduais e em centenas de sindicatos municipais de trabalhadores do ensino público, bem como em diversas universidades e até mesmo em alguns setores das redes privadas, onde as ameaças de repressão patronal contra qualquer mobilização e o domínio dos sindicatos por sindicalistas pelegos é marcante. A disposição de luta dos educadores ficou evidente no último dia 8 de março, quando as professoras e trabalhadoras da Educação formaram os maiores contigentes nos atos do Dia Internacional de Luta da Mulher Trabalhadora.

Resgatando a tradição de luta do 8 de Março, dezenas de milhares de trabalhadoras da Educação participaram, juntamente com a minoria masculina da categoria, de assembleias que ratificaram a decisão do Congresso Nacional dos Trabalhadores da Educação de parar as escolas a partir de 15 de março.

A greve é uma clara expressa a revolta da categoria contra os ataques do governo golpistas contra o ensino público e tem com moto nacional a luta contra a “reforma da Previdência” que quer acabar com as aposentadorias de todos os trabalhadores. As trabalhadoras da Educação estão entre os principais alvos do ataque.

Sob a falsa alegação de há um “rombo”  nas contas da Previdência, o governo golpista usa de clara chantagem para que realizar um dos maiores roubos da história do País, assaltando a Previdência para defender os interesses dos banqueiros.

Querem aumentar o tempo mínimo de contribuições para aposentadoria das professoras, de 25 para 49 ano, eliminando até mesmo a diferença do tempo de mínimo entre homens e mulheres). Os professores teriam também que trabalhar 49 anos, para poderem se aposentar (contra os 30 atuais).

A greve presta serviço também contra o “congelamento” nos gastos públicos que ameaça promover uma devastação não só no ensino como em todos os serviços públicos. Os professores reivindicam o cumprimento da “meta 17” do Plano Nacional de Educação (PNE) que estabelece que o salário do professor deve ser equiparado à média dos salários dos profissionais com ensino superior, que hoje supera em mais de 100%  valor pago à esmagadora maioria dos mestres do País, situando-se em torno de R$ 6 mil.

Nos Estados e municípios também estão sendo aprovadas pautas locais contra o “congelamento” dos salários dos professores em quase todo o País, incluindo  não pagamento do piso salarial nacional dos professores de míseros R$ 2.298, em centenas de municípios e alguns estados.

A greve impulsiona também a mobilização de outras categoria e a CUT e milhares de sindicatos anunciam a realização de um dia nacional de luta contra a reforma da Previdência, no dia 15, primeiro dia da paralisação dos educadores, o que pode ser um passo importante no sentido da organização de uma greve geral que enfrente as “reformas” antioperárias e o próprio regime golpista.

Para que essa mobilização seja um passo importante no sentido de impulsionar uma luta unificada de todos s trabalhadores, é preciso  ampliar a agitação e propaganda entre os trabalhadores, nos seus locais de trabalho, de que a ofensiva contra seus direitos (“reformas” da previdência e trabalhista, lei da terceirização-escravidão etc.) só pode ser barrada – de fato – por meio de uma luta unificada pela derrota do golpe de estado (realizado justamente para atacar os trabalhadores e destruir a economia nacional em favor dos interesses do grande capital internacional e seus consorciados no Brasil).

A experiência recente (PEC 55, “reforma” do ensino médio etc.) já compraram que lutas isoladas e parciais não dão de derrotar os ataques do governo e que não é possível ter qualquer ilusão que estas sejam efetivamente barradas pelo congresso nacional golpista.

Assim a greve nacional da Educação e todo o movimento que impulsiona precisa se transformar – para sair vitoriosa – numa luta de todos os trabalhadores contra o golpe, pela anulação do impeachment e pela volta da presidenta derrubada pelos golpistas, para colocar abaixo a atual ofensiva e abrir caminho para novas conquistas.

Para impulsionar esta perspectiva, é preciso construir comandos de greve, de base; lotar as assembleias e realizar atos massivos em todos as principais cidades do País; parar as escolas e mobilizar nas ruas junto com pais e alunos, para derrotar o golpe e sua ofensiva contra o ensino público e contra todo o povo brasileiro.

PSOL defende o MPF, mas o MPF não defende o PSOL

Ministério Público Federal abre ação contra o Partido, no Ri de Janeiro, e também pedir o indiciamento do Sindicato, de professores e de reitor do Colégio Pedro II, sob alegação de dano moral coletivo

Em uma verdadeira operação de “caça às bruxas”, o  Ministério Público Federal no Rio de Janeiro (MPF-RJ) decidiu mover ação por improbidade administrativa contra o Sindicato dos Servidores do Colégio Pedro II (Sindscope), o Partido Socialismo e Liberdade – Rio de Janeiro (PSOL-RJ), o reitor do Colégio Pedro II, Oscar Halac, o professor do Colégio Pedro II e vereador, Tarcísio Motta de Carvalho, além de outros três professores e dois servidores do Colégio Pedro II.

A acusação do MPF é a de que os citados teriam cometido atos ilegais no interior, na unidade São Cristóvão II, daquela instituição de ensino, segundo denúncias de pais de alunos do Colégio.
Segundo os pais denunciantes,  “o Sindscope fundou um núcleo do PSOL dentro do colégio”, o que teria sido “comprovado durante a tramitação de procedimento administrativo” (Portal G1, 09⁄03⁄2017). Em clara perseguição política e eleitoral, o MPF-RJ também acusa  Partido de realizar propaganda eleitoral, nas eleições municipais em 2016, em favor do candidato a prefeito Marcelo Freixo e do professor Tarcísio Motta de Carvalho, eleito vereador da cidade do Rio de Janeiro.
A ação visa claramente também atacar o Sindicato sob a acusação de que a entidade dos trabalhadores ocupa, irregularmente, dependências da escola, uma vez que supostamente “o contrato de cessão de espaço terminou em janeiro de 2016 sem que houvesse renovação” e ainda aciona o reitor de não ter tomado providências para reincorporar o espaço.
O MPF adota o espírito da política reacionária da “escola sem partido” que está em discussão nas casas legislativas do Rio, como em diversos estados e no Congresso Nacional, sem que sequer a mesma tenha se tornado lei em terra as cariocas.

Fica evidente o caráter persecutório e conservador da iniciativa do MPF que atua com verdadeira polícia política, como um DOPS (Departamento de Ordem Política e Social) – órgão governamental utilizado na ditadura militar de 64 (e em outros períodos) para censurar e reprimir movimentos políticos e sociais de oposição ao regime.

A absurda ação do MPF propõe multas por dano moral coletivo ao Sindscope, ao PSOL, ao reitor e à diretora do sindicato, além da  e a condenação dos réus às penas previstas na Lei de Improbidade Administrativa (Lei nº 8.429/92), que entre outras sanções prevê “perda da função pública, suspensão dos direitos políticos de 5 (cinco) a 8 (oito) anos”.

O ataque, que deve ser amplamente repudiado por todo o movimento operário e estudantil, evidencia para que serve a política de defesa do fortalecimento do Ministério Público, que tem no PSOL um dos seus mais ardorosos defensores e que vem servindo ao fortalecimento da ditadura do Judiciário e sua atuação contra os direitos democráticos  de toda a população e, principalmente, contra os trabalhadores e sua organizações, os partidos de esquerda etc.

Para o PSOL este fortalecimento serviria ao fortalecimento do “combate à corrupção” e outras causas “moralizadoras” defendidas pela direita.

O PSOL apoiou e apoia  fortalecimento do MPF e suas ações arbitrárias contra o PT – na vã expectativa de que a perseguição aos petistas lhe renda ganhos eleitorais – mas o MPF-RJ está mostrando que sua ação reacionária e de perseguição política à organização política e sindical dos trabalhadores não se detém nos limites do partido do ex-presidente Lula e de seus aliados mais próximos.

O PSOL está provando do seu próprio veneno, vítima de suas tolas ilusões, pois o PSOL defende o MPF, mas o MPF não está disposto a defender o PSOL e os direitos democráticos dos trabalhadores e da juventude.

Caixa 2, Gilmar Mendes quer poupar os amigos

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, um dos principais representantes do imperialismo no País, escreveu recentemente, em uma nota em defesa do tucano golpista Aécio Neves, que deveria haver uma distinção jurídica entre caixa 2, recurso não declarado para fins de atividade político-eleitoral e recursos, cujo, o intuito é exclusivamente o enriquecimento ilícito de um determinado político. Ou seja, de diferenciar o recebimento de recursos de empresas para campanhas eleitorais não declarados, da propina. Seguindo a mesma cartilha o Ministro golpista do STF Gilmar Mendes fez exatamente a mesma defesa, ressaltando que juridicamente já existe essa distinção.

A motivação destas declarações foram as recentes delações da Odebrecht.  Em determinada delação aparece que o PSDB recebeu RS$ 9 milhões em caixa dois na campanha de 2014, ano em que o Senador Mineiro saiu candidato a presidente.  Na nota citada, o ex-presidente sai em defesa do colega tucano. Gilmar Mendes por sua vez também sai em defesa do PSDB.

Segundo FHC, tanto para a empresa quanto para o político é preferível fazer a doação legalmente, no caixa um, porém as empresas doam sem declarar a Justiça Eleitoral por pressão dos concorrentes, quer dizes: “Ela está sendo pressionada com coisas como ‘o candidato concorrente obteve, então eu também tenho que obter’, ou vai doar àquele candidato então não deve doar para aquele outro, coisas da vivência política da empresa.” Portanto, para o Ministro golpista, em entrevista a também golpista Folha de São Paulo: “Corrupção pressupõe ato de ofício, então alguém pode fazer a doação [por caixa dois] sem ser corrupção”.

É uma clara manobra. O ministro, que nutre grande desprezo pela legislação vigente, quer estabelecer as seguintes regras gerais: para o PSDB a prática de caixa dois, ou qualquer outro crime eleitoral, não deve ser considerada corrupção sob nenhuma circunstancia, para a esquerda, sobretudo, o PT é sempre corrupção, seja o que for. Já para o setor da burguesia golpista que se opõem, de alguma maneira, a totalidade da política do imperialismo para o País, pode ser corrupção sim, e passível da aplicação mais rigorosa da Lei. Esse é o sentido das declarações do Ministro e que expressam certo consenso no judiciário brasileiro, ou seja, a orientação política pró-imperialista do judiciário de conjunto.

O outro fato fundamental,  que fica oculto sobre uma discussão sem importância e vazia de conteúdo em torno de que se o “caixa 2” é crime mais ou menos grave, é o fato de que a burguesia comprar, as vistas de todos ou escondido, os candidatos e os partidos burgueses e pequeno-burgueses. Os capitalistas, nacionais e estrangeiros, não “doam” para campanhas, mas compram os partidos e os políticos para representarem seus interesses, pagando antes ou depois, legal ou ilegalmente. Disto decorre que os partidos e políticos burgueses representam antes os capitalistas que os compram do que a população que os elegem. Este fato fundamental da política deve ser denunciado amplamente.

Golpistas fecham agências dos Correios para favorecer franquias

O governo golpista de Michel Temer anunciou, através do presidente dos Correios, Guilherme Campos do PSD (Partido Social Democrata), que irá fechar mais de 250 agências dos Correios no País inteiro.

Com o argumento falso de que a ECT está passando por uma crise financeira, os golpistas estão dilapidando o patrimônio dos Correios para facilitar que os capitalistas possam se apoderar das atividades postais e da própria empresa.

O próprio Temer, antes de assumir a presidência do país através de um golpe de estado, defendia os interesses das agências franquiadas nos Correios, inclusive indicando o diretor regional dos correios de São Paulo.

Nos anos 90, o governo de Sarney, através então Ministro das Comunicações Antônio Carlos Magalhães, aprovou a criação de franquias no Brasil alegando que os Correios não conseguiam suprir a necessidade da população usuária dos Correios com as agências próprias da empresa.

Passado 30 anos e sem sequer ter aumentado de forma significativa o número de agências dos Correios no Brasil, os golpistas que estão no governo federal, querem fazer os trabalhadores dos ECT e a população usuário dos Correios de que existe um excedente de agências dos Correios.

No entanto, a verdade é que estão fechando agências para facilitar a capitação de grandes clientes dos Correios pelas agências franquiadas. Também tem o objetivo de reduzir gastos com a operação da ECT para tornar mais atraente a ECT para os capitalistas que podem comprar as ações da empresa.

Os golpistas fizeram o mesmo com as agências do Banco do Brasil, onde fecharam as agências e reduziram os salários dos bancários que recebiam gratificações de gerência.

Diante do desmonte dos Correios, visando à privatização da empresa, os trabalhadores dos Correios devem se mobilizar e se juntar ao movimento de luta contra o golpe no país, para por um breque em todas essas medidas privatizantes dos golpistas.

É necessários estatizar as agências franquiadas, que já somam mais de 1000 agências, onde as postagens feitas são na sua maioria sonegada para não repassar os seus percentuais  a ECT.

No lugar das agências franquiadas é necessário a abertura de agências próprias dos Correios, mantendo os trabalhadores que estão empregados nessas franquias, com os mesmos direitos dos atendentes das agências dos Correios.  

O programa do PCO para as forças armadas

Os acontecimentos do Espírito Santo, onde as Forças Armadas ocuparam o Estado, servindo de força policial, o caso do Rio de Janeiro, que está ocupado a tempos, colocaram para toda a esquerda o debate do que fazer com as Forças Armadas, como tratar o crescimento da intervenção destas na política.

No Estado burguês servem tanto para defender o país contra outros Estado, como no Brasil, caso extremamente autoritário, para garantir o controle do Estado. A revolução proletária sempre tem de lidar com o exército, a maneira como se lida é importante para o sucesso de qualquer tomada do poder.

Mesmo depois da revolução continua sendo necessário ter forças armadas. Mas então que caráter que elas teriam? É trabalho da esquerda intervir no exército, entre os soldados, como em qualquer fábrica, de acordo com a situação.

A luta para combater o controle da burguesia sobre o exército e os trabalhadores que nele estão servindo, que não desaparecerá até a derrota da própria burguesia, começa por exigir que os soldados tenham organizações representativas próprias, que tenham direitos de greve e direito de participação política, conectar os trabalhadores em serviço, com os que estão fora. Na Rússia de Lenin, onde o exército mobilizado englobava grandes números de pessoas, nasceu o Soviete de Operários, Soldados e Camponeses.

Uma coisa comum entre a esquerda é que esta seja contra o serviço militar, um crime contra o movimento dos trabalhadores. É importante que o serviço militar seja obrigatório, e universal, para homens e mulheres. É importante para que a população saiba se defender, em conjunto com a defesa incondicional do porte de armas, são passos importantes para que o povo deixe de ser indefeso, Marx colocou que a burguesia armará o proletariado contra si mesma, não devemos negar esse favor. Lenin no texto “Programa Militar da Revolução Proletária” colocou o problema da seguinte maneira :

 

“Uma classe oprimida que não busca aprender a usar armas, a adquiri-las, merece apenas ser tratada como escrava. Nós não podemos, a não ser que tenhamos nos tornado pacifistas ou oportunistas, esquecer que vivemos numa sociedade de classes da qual não há escapatória, e nem poderia ter, exceto através da luta de classes.”

 

Os revolucionários têm que lutar para que os oficiais sejam eleitos pela tropa, dando força aos trabalhadores que forem alistado, criando um contrapeso , para impor, já que não se pode acabar, um limite ao controle da burguesia sobre as Forças Armadas.

Como o exército, mesmo o mais democrático do mundo, continua sendo uma arma para atacar a população, é necessário lutar para que o estabelecer que as Forças Armadas não devem intervir na política nacional, elas existem para defender o país contra ameaças externas, nunca para fazer o papel sujo das polícias, de atacar a população de seu próprio país.

Crise na Coréia do Sul: mais mortes nas manifestações

Foi confirmado nesse sábado (11) mais uma morte causada pela repressão da polícia sul coreana em protestos contrários ao impeachment da presidenta Park Geun-hye. Segundo a polícia local, essa é a terceira pessoa que morre por causa da repressão às manifestações.

Os protestos se iniciaram após a Corte Constitucional confirmar o afastamento da presidenta, já aprovado pelo Parlamento sul coreano. Após a confirmação, os protestos começaram em frente ao Tribunal, com grande repressão policial.

O caso que afastou a mulher do cargo foi o mesmo pretexto usado no Brasil para derrubar a presidenta Dilma Rousseff: a luta contra a corrupção. Chamada de “rasputina” pela imprensa local, Choi Soon-sil supostamente influenciava as decisões da presidenta mesmo sem possuir cargo na gestão.

Mais um golpe promovido pelo imperialismo atinge em cheio a burguesia nacional e passa por cima das eleições que ocorreram e deveriam valer. No entanto, diante da crise, a burguesia internacional quer fazer os trabalhadores pagarem essa conta, justamente liquidando toda a economia nacional, o Estado e o governo.