A imprensa e a luta contra o golpe

Daqui alguns dias será o aniversário de 6 meses da votação final do impeachment. Durante toda a experiência que foi a campanha para derrubar Dilma, foi se clarificando o papel de proa que teve a imprensa monopolista no ataque ao governo, na convocação dos atos pró-golpe, em meio a toda a confusão daqueles momentos, em que setores da própria esquerda negaram o golpe em curso.

Essa última lição está sendo dada pelo governo de Temer, odiado por todos, até aqueles que votaram no PSDB, o governo vê-se sustentado pela imprensa, e vê-se ameaçado por ela também, a vontade da burguesia está expressa na política traçada pela imprensa. Foram os jornais e televisões que abriram caminho para a Lava Jato, que serviram como arma de pressão contra o Congresso, de mobilização de tropas para os atos, a agitação política, a confusão proposital causada pela sua propaganda, um instrumento essencial para o golpe de Estado, ganhando a alcunha de Partido da Imprensa Golpista.

É claro que a derrota do golpe passa pela demolição do monopólio golpista da imprensa, de dar acesso a rádios, televisões, a todas as organizações operárias e populares, mas um fato se destacou nesse último período: a falta de organizações de imprensa operárias e de esquerda no Brasil, de qualquer tipo.

No Brasil, as organizações populares, centrais sindicais, partidos de esquerda e movimentos não se mobilizaram para construir uma imprensa independente, para se opor à campanha gigante dos meios de comunicação.

É verdade, existiram alguns empreendimentos como os chamados blogs progressistas, como o Diário do Centro do Mundo, Brasil 247, O Cafezinho, todos têm uma grande quantidade de leitores, mas atendem a um público reduzido, em comparação aos monopólios, tem um público seleto e apenas pela internet, além de serem iniciativas relativamente independentes do conjunto do movimento.

A maior parte da esquerda dita “socialista” abandonou a construção de uma imprensa, mesmo na internet. Os partidos legalizados não têm um jornal impresso regular, desistiram de vender ou distribuir qualquer coisa, mesmo na internet o trabalho é precário, em alguns casos bem mais que isso.

Mas órgãos de imprensa independentes, como os primeiros, não têm como organizar a população, não tem como estar junto a ela, e ajudar na sua mobilização pelos seus próprios objetivos. E a mobilização de setores populares é essencial na luta contra o golpe.

A classe trabalhadora precisa de uma imprensa própria, própria de suas organizações, que seja construída pelos que estão no movimento, e que seja levada para mobiliza-los, numa relação de ida e volta, onde a imprensa se apoia nesse movimento e o movimento se organiza com sua imprensa.

Desistir de construir um órgão de imprensa para combater os grandes monopólios como a Globo e a Folha de S. Paulo é, sem dúvida, desistir de travar a batalha pela consciência das pessoas, pela sua opinião, entregando tudo para a direita.

Para fazer política com as massas trabalhadoras é preciso falar com elas. Um setor da esquerda acreditou por muito tempo que poderia fazer dos jornais burgueses seu palanque, casos recentes, como o de Guilherme Boulos, mostraram novamente que não.

Este Diário, já fazendo seu décimo quarto aniversário, junto com a jovem Causa Operária TV, todos originados do Jornal Causa Operária impresso, que completará 38 anos em junho, tem esse objetivo. Mantido por militantes do PCO numa luta para que um partido operário tenha uma imprensa de massas, tenha como se opor à campanha da direita, todas as iniciativas contra os golpistas são bem vindas, mas as organizações operárias não podem nunca abdicar de uma imprensa própria.

Anúncios

36% de aumento: para as forças armadas não há corte de gastos

Enquanto o governo golpista de Michel Temer ataca a população com políticas de cortes nos programas sociais, com congelamento dos gastos públicos (com Saúde, Educação etc.) por 20 anos; com a reforma da previdência que, se aprovada, irá por fim a aposentadoria de milhões de brasileiro, com a desculpa de que é preciso reduzir as despesas; os golpistas aumentaram no último ano o dinheiro repassado para as forças armadas.

De acordo com dados divulgados pelo Ministério da Defesa, houve em 2016 um aumento de 36% do dinheiro repassado para os setores militares em comparação com 2015.

No último ano foram investidos R$ 9,15 bilhões, R$ 1,85 bilhão a mais do que estava previsto no orçamento,R$ 7,30 bilhão. A previsão para 2017 é que o valor investido seja aumentado para R$ 9,7 bilhões.

Ao mesmo, na Educação, por exemplo, foram investidos pelo governo R$ 5,7 bilhões dos R$ 13,8 bilhões previstos.

Esses dados demonstram a farsa do discurso utilizado pelos golpistas de que não há dinheiro, da necessidade do “ajuste fiscal”. Na realidade o dinheiro existe e muito, vale lembrar que somente em 2015 o Brasil pagou mais de R$ 350 bilhões para pagar os juros da dívida pública

Como se pode ver  a prioridade não são as áreas sociais, como a Saúde e Educação, não é a classe trabalhadora que hoje tem todos os seus direitos ameaçados, mas sim os bancos e o aparato repressivo estatal, como as forças armadas.

O governo golpista pretende com isso fortalecer os instrumentos de repressão diante de uma eventual mobilização da população, a qual cada vez mais repudia e se coloca contra o brutal pacote de destruição de todos os seus direitos

Fica claro também que  País caminha aceleradamente para uma ditadura, com o fortalecimento do aparato repressivo.

Bancários deliberam lutar contra o golpe

Terminou na última sexta-feira (10) o Congresso Extraordinários da Contraf-CUT (Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro) realizado na quadra do Sindicato do Bancários de São Paulo. O encontro de três dias contou com a participação de 338 delegados eleitos em todo o País que teve como ponto central a aprovação de um plano de lutas contra os ataques do governo golpista contra os direitos fundamentas dos bancários e de toda a população.

Com o golpe de estado, que teve como um dos seus maiores patrocinadores a Fenaban (Federação Nacional dos Bancos), os banqueiros e seus governos partiram para uma ofensiva sem precedentes sob a categoria bancária. São dezenas de milhares de trabalhadores que já perderam os seus empregos somente neste ano de 2017, fechamento de centenas de agências em todo o País, arrocho salarial, descomissionamentos, reforma da previdência, reforma trabalhista, fim da CLT (Consolidação das Leis trabalhistas), privatização de tudo, etc. Sob todo esse ataques dos golpistas a direção da Contraf-CUT convocou um congresso extraordinário, “pressionada pela conjuntura brasileira, que mudou muito do ano passado, para este ano”, como afirmou o presidente da entidade,  Roberto von der Otten. Para ele, ” “com o golpe, que retirou a presidenta Dilma, a sociedade brasileira e os trabalhadores perceberam, rapidamente, que este golpe foi orquestrado, encomendado pelas elites empresariais brasileiras, justamente, para atacar os direitos dos trabalhadores e das trabalhadoras” (no site da Contraf).

Ainda segundo Osten, “o golpe foi encomendado para retirar direitos. Percebendo isso, a partir de agosto, quando o vice-presidente golpista, Michel Temer, construiu com seus parceiros o golpe, começamos a ver que era preciso nos reunir novamente num congresso. No final do ano, a Direção Nacional da Contraf-CUT apontou a construção do Congresso Extraordinário”.

Os ataques desferidos aos trabalhadores a toda a população e especificamente aos bancários é consequência única e exclusivamente do golpe de estado que destituiu da presidência da República um governo que foi eleito com 54,5 milhões de votos em um processo farsa quando 513 deputados decidiram por de milhões de eleitores.

Todos esses ataques somente serão barrados pela mobilização massiva dos trabalhadores através da sua unificação tanto da própria categoria bancária quanto as demais categorias, que também são vítimas dos golpistas, para derrotar as reformas dos golpistas, mas que tenha como palavra de ordem mais importante derrotar o golpe, anular o impeachmet e pela volta da presidente Dilma Roussef.

 

Velvet Underground & Nico e a Banana de Warhol completam 50 anos

Lançado em 1967, o disco “The Velvet Underground & Nico” completa seus 50 anos em 2017. Um dos álbuns mais influentes na música de todos os tempos. O disco abordava temas polêmicos como o uso de drogas, sadomasoquismo, e desvios sexuais de conduta através de suas letras. Em muito devido a estes temas pouco usuais, foi barrado em diversos estabelecimentos de venda e teve pouco sucesso comercial na época em que foi lançado. 

“Ainda que algumas poucas centenas de pessoas tenham comprado os discos do Velvet Underground, cada uma delas formou uma banda.” Atribuída a Brian Eno, a frase aí exagera, mas não muito. O disco de 1967, produzido por Andy Warhol, influenciou toda uma geração de bandas posteriores a ele, o que no final dos anos 70 foi chamado de Punk Rock. O experimentalismo de Lou Reed, John Cale, Maureen Tucker, Steerling Morrison e, por um breve período, a modelo junkie Nico, influenciou profundamente a estética infratora do punk e do glitter e space rock como David Bowie e Marc Bolan ao noise experimental do Sonic Youth, já quase vinte anos depois.

O aparecimento do primeiro disco do Velvet Uderground está para o surgimento do punk norte-americano, assim como a noite de 4 de julho de 1976, o concerto da jovem banda punk novaiorquina, The Ramones, levou ao London´s Roundhouse futuros membros do Damned, Sex Pistols, The CLASH e mais uma meia dúzia de bandas naquele que seria o o início do punk inglês.

Formado pelo então jovem Lou Reed, John Cale, Sterling Morrison e Maureen Tucker, o Velvet Underground teve o seu nome retirado de uma revista pulp sobre a contracultura sexual. Como empresário, tinha o expoente artista Andy Warhol, que conseguiu transmitir a sua notoriedade para a banda, que começava a despontar como uma interessante revelação musical.

Nico, do título do álbum, era uma cantora alemã que já havia participado de concertos e algumas gravações com o grupo e que, a pedido de Andy, se juntaria ao Velvet para seu primeiro LP. A criatividade do grupo residia, e muito, em John Cale, que se utilizava de diversos métodos e instrumentos alternativos de produção de som como a viola, por exemplo.

Lou Reed, outro grande fã de experimentação, desenvolveu o que se chamaria de Ostrich Guitar. Não se trata de um novo instrumento, mas de uma nova forma de afinar a guitarra, na qual todas as cordas são afinadas na mesma nota, como Ré, por exemplo. Tudo isso ganharia forma no disco.

Gravado em oito horas ao custo irrisório- até para a época- de dois mil dólares o disco é um retrato da Nova York sombria em contraponto com as melodias assobiáveis das bandas hippies predominantes no rock da época.

As músicas do disco: 1. Sunday Morning 2. I’m Waiting for the Man 3. Femme Fatale 4. Venus in Furs 5. Run Run Run 6. All Tomorrow Parties 7. Heroin 8.There She Goes Again 9. I’ll Be Your Mirror 10. The Black Angel Death Song 11. European Son

Novo julgamento político de Carlos, “O Chacal”, após 43 anos

Ilich Ramírez Sánchez, mais conhecido como Carlos, “O Chacal”, preso desde 1994, entrou no tribunal novamente para ser julgado. Ele está sendo acusado de ter executado um atentado com granada em Paris em 1974, que deixou dois mortos e dezenas de feridos, no interior da loja Drugstore Publicis, no centro de Paris.

O julgamento teve início nesta segunda-feira, dia 13, na capital francesa. Ele será julgado, durante 15 dias, por um tribunal penal por “atos de terrorismo”.

Carlos está preso na França desde 1994 quando foi detido no Sudão pela polícia francesa. Ele já foi condenado outras duas vezes à prisão perpétua pelo assassinato de três homens, entre eles dois policiais em 1975 em Paris, e por quatro atentados com explosivos que provocaram a morte de 11 pessoas e 150 feridos nos anos de 1982 e 1983, também em Paris.

Tribunal onde “O Chacal” será julgado com redoma de vidro blindado.

 

Esta nova acusação implica em nova condenação à prisão perpétua. Sendo que ele já foi condenado a esta mesma pena outras duas vezes.

O início do julgamento foi um espetáculo. Colocaram o réu, de 67 anos, atrás de um vidro blindado, acompanhado por três policiais.

O tom do julgamento foi político. Por parte da defesa de Carlos, a sua advogada, e atual esposa, Isabelle Coutant-Peyre, denunciou o caráter político do julgamento. “Vamos fazer paleontologia para benefício do museu da história política da justiça francesa. Este processo não faz sentido nenhum, está prescrito, não há razão para um novo julgamento”.

Durante o julgamento Carlos também denunciou a “falta de democracia na França” comparando-a à Venezuela, segundo ele, em seu país, “com a revolução bolivariana existe uma verdadeira democracia participativa”. Carlos nega as acusações deste julgamento.

De fato o julgamento é potencialmente político já que ele atuava na Frente Popular de Libertação da Palestina (FPLP) e as acusações são todas produto de atentados políticos contra o imperialismo, governos, a polícia, empresários etc.

A acusação declarou que Carlos teria confessado o atentado em entrevista concedida em 1979 para a revista Al-Watan Al-Arabi, mas o venezuelano nega ter feito a entrevista. A acusação liga o atentado de Paris à tomada de reféns na embaixada da França em Haia. Nesta ocasião, exigia-se a libertação de um dos membros da FPLP que estava detido pelo governo francês. O atentado na loja Drugstore Publicis, no centro de Paris, teria sido para pressionar o governo francês a libertar o membro da FPLP.

A advogada de Carlos afirmou que não tem a intenção de apresentar uma mera defesa judicial para este julgamento. Isabelle Coutant-Peyrela pretende destacar o caráter político do julgamento.

 

A serviço da causa Palestina

 

Três momentos da vida de Carlos, “O Chacal”.

Ilich Ramírez Sánchez, nasceu em 1949 na Venezuela, seu primeiro nome é uma referência direta a Vladimir Ilich Ulianov, o revolucionário Russo, Lênin. Nome dado pelo pai, um advogado comunista que nomeou os demais filhos com Lênin e Vladimir. Carlos teve uma atividade política intensa desde cedo. Em Caracas, aos 10 anos, integrou o movimento da juventude comunista. Ainda morou em Londres e na Rússia onde estudou na Faculdade Patrice Lumumba. Aos 24 anos ingressou na Frente Popular para Libertação da Palestina. Falava cinco idiomas, além do espanhol Carlos era versado em inglês, francês, russo e árabe.

Teve papel importante em diversas ocasiões, entre elas, o sequestro e assassinato dos atletas israelenses nas Olimpíadas de Munique, teve contato com o grupo guerrilheiro alemão Baader Meinhof, as Brigadas Vermelhas na Itália, realizou ações para os governos de Gadafi, Saddam Hussein, Assad e Fidel Castro.  Uma das maiores operações por ele realizadas foi o sequestro de 11 ministros de países membros da OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) em 1975, em Viena na Áustria. Houve também uma série de atentados contra figurões da política de Israel e de países que apoiavam o governo israelense como o presidente francês Jacques Chirac.

Seu codinome, Carlos, “O Chacal”, veio da imprensa britânica depois que policiais franceses encontraram em seu quarto de hotel um exemplar do livro “O Dia do Chacal” do escritor inglês Frederick Forsyth. Participava ativamente das operações e era extremamente habilidoso.

No final da década de 1970 e toda a década de 1980 realizou uma enormidade de ações financiadas por governos antiimperialistas, como Egito, Iraque, Síria, Cuba, Colômbia etc. Foi considerado o homem mais procurado pelas polícias secretas dos países imperialistas.

No começo da década de 1990 depois de pedir asilo político em vários países foi para o Sudão onde em 1994 foi preso, pelas forças especiais francesas, em situação altamente suspeita. Carlos, “O Chacal”, foi preso e levado para a França depois de ser medicado para a realização de uma cirurgia nos testículos. A prisão ocorreu dentro de um hospital no Sudão enquanto Carlos estava sedado.

Cena da minissérie “Carlos” (2010).

Em 2010, foi feita uma minissérie para a televisão muito bem produzida e bastante detalhada sobre a vida de Carlos “O Chacal”. A produção franco/alemã, “Carlos, de 5h30 de duração, foi dirigida pelo cineasta francês, Olivier Assayas e protagonizada pelo ator venezuelano Edgar Ramirez. Teve destaque mundial, pois foi exibida no Festival de Cinema de Cannes daquele ano, fora da competição principal.

Atividade policialesca e de espionagem contra os partidos

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) rejeitou as contas relativas à 2011 de 23 partidos, entre eles, o PCO. Para se ter uma ideia, as contas do partido foram rejeitadas por que o TSE inventou que há uma exigência de que cada detalhe da movimentação do partido deveria ser especificada. Na prática, o que o TSE está fazendo é acabar com a autonomia dos partidos políticos.

A intervenção do Judiciário nos partidos chegou a tal ponto que a atividade do Tribunal se tornou policialesca. Ao controlar cada passo do partido o Tribunal, ou seja, o Estado, está efetivamente espionando os partidos. As atividades políticas que deveriam ser decididas pelos membros do partido que deveria ter total independência para deliberar o que melhor convêm à sua política está nas mãos do Estado.

Se os partidos não têm garantia de que serão independentes do Estado, a democracia é inviável. O regime político democrático pressupõe que existam partidos e que esses partidos possam ter completa autonomia em relação às instituições estatais, como o Judiciário e a polícia. Por exemplo, um partido de oposição, mesmo sendo ele burguês, não terá nenhuma garantia se sua ação está controlada pelo Estado dominado prelos seus inimigos. É um princípio democrático que os golpistas estão destruindo justamente porque o regime político em decomposição não permite mais partidos de oposição como o PT. Por isso estão modificando o regime político, tornando-o antidemocrático, atacando os partidos políticos. O alvo principal são justamente os partidos de esquerda, por isso o ataque ao PCO.

É preciso denunciar a atividade policial e inconstitucional que o TSE está tentando impor aos partidos.