“Tá tudo pronto, é só vir pegar”

A política servil do governo golpista ao imperialismo acentua-se a cada passo. O ministro da fazenda Henrique Meirelles anunciou no dia 16 de fevereiro que pretende vender  terras a estrangeiros, ou seja, entregar a terra ao capital estrangeiro. A venda, segundo o golpista, começará em 30 dias. É sem dúvida uma política de entrega da riqueza nacional e de eliminação da soberania do País sem precedentes.

O governo golpista elabora os meios para fazê-lo, o mais provável, para que comece a valer imediatamente, é a publicação de uma MP (Medida Provisória), até que o congresso aprove ou não a medida, outra possibilidade é acelerar a tramitação de um PL de 2012 –  que trata da questão e que propõem, entre outras coisas, que o capital estrangeiro possa comprar 100 mil hectares de terras e arrendar mais outros em 100 mil.

A AGU, a pedido de Eliseu Padilha, o golpista da casa civil,  preparou o texto da MP, que sendo sancionada pelo presidente golpista terá validade de 120 dias e, posteriormente, deverá ser levado ao plenário do congresso. O governo golpista ainda não informou de que modo irão entregar as terras ao capital imperialista e nem a extensão desta entrega.

Porém, no texto do preparado pela AGU consta que seria atribuição do presidente estabelecer os limites, por meio de um regulamento, das áreas a serem vendidas: “A aquisição de direito real e o arrendamento de imóvel por pessoa natural residente ou jurídica estrangeiras autorizada a funcionar no País não poderá exceder os limites quantitativos globais e por operação dispostos em regulamento”.

Seja como for a política dos golpistas para o campo é de promover uma devastação. Entregar este setor fundamental para o imperialismo significa a destruição dos pequenos produtores rurais, transformando-os em operários agrícolas, o controle do setor econômico de exportação dos mais importantes do País, o chamado agronegócio, o aumento da especulação com a terra, o aumento da exploração do operário agrícola, controle da produção de alimentos pelo imperialismo.

A entrega dos setores fundamentais da economia nacional pelos golpistas leva, na prática, o Brasil a voltar a ser uma colônia, desta vez do imperialismo mundial.

Estes são apenas algumas das consequências da política dos golpistas em relação ao campo. Outra consequência evidente será o aumento da repressão ao MST, aos trabalhadores do campo e aos camponeses para que o imperialismo possa dominar a produção agrícola e as terras do País. É mais do que necessário criar comitês dos trabalhadores do campo e de camponeses contra o golpe de Estado e a política de terra arrasada dos golpistas.

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Aloysio Nunes, mais um capacho no Itamaraty

Na tarde dessa quinta-feira, 2, o senador tucano de São Paulo, Aloysio Nunes, foi indicado pelo presidente golpista Michel Temer, para ocupar a vaga deixada por outro calhorda, José Serra, também do PSDB de São Paulo, no Ministério de Relações Exteriores. Aloysio afirmou que aceitou a indicação e assumirá a partir da próxima terça-feira, dia 7.

Passado por diversos governos de direita, Aloysio chegou ao governo golpista. Iniciou a vida pública como líder do governo de Franco Montoro na Assembleia Legislativa de São Paulo (ALESP), depois como líder do governo de Quércia.

De 1991 a 1994 foi vice-governador de Fleury, tendo exercido o cargo na época do massacre do Carandiru, episódio em que a Polícia Militar do Estado invadiu e promoveu uma chacina dentro do presídio, deixando centenas de mortos.

Então em 1997 rachou com o PMDB e formou o PSDB, juntamente com outros conhecidos tucanos, como FHC, José Serra, Mário Covas, Franco Montoro.

O bandoleiro também ocupou dois ministérios do governo de Fernando Henrique Cardoso. Foi Secretário-Geral da Presidência e Ministro da Justiça, de 1999 a 2002. Justamente na época em que a fome e a miséria matava dezenas de pessoas por dia no Brasil.

Com a vitória do PT à presidência, Aloysio migrou para outros governos de direita, tendo passado pelo governo de José Serra em São Paulo e de Kassab na prefeitura de São Paulo.

Ferrenho opositor dos programas sociais petistas, como o Bolsa Família, Minha Casa Minha Vida, entre outros, o tucano defende medidas de austeridades para os dias de hoje, aquelas mesmas que jogou milhões de trabalhadores na miséria, a morrer de fome.

Um notório corrupto que se tornou golpista sob o argumento da luta contra a corrupção. Não por acaso foi escolhido para ocupar tal cargo, justamente no momento em que o PSDB busca controlar todo o governo golpista, inclusive Michel Temer.

Por que querem derrubar Pimentel?

Contra a privatização, demissão dos trabalhadores do serviço público e o ajuste fiscal; essas foram algumas das afirmações feitas pelo governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT), em entrevista concedida ao jornal golpista Valor. Perseguido pelos golpistas, o petista possui um processo no Supremo Tribunal de Justiça (STJ) que aguarda o Supremo Tribunal Federal (STF) permitir torná-lo réu.

O governador que foi eleito em 2014, saído do governo de Dilma Rousseff, sofre com a pressão da direita desde então. Nessa entrevista, afirmou ser opositor da privatização das empresas do Estado, como a Cemig, de energia elétrica ou Copasa, de saneamento, como fizeram no Rio de Janeiro, com a Cedae. Também garantiu que os funcionários públicos possuem estabilidade no emprego, sendo contrário a demissão em massa sob a justificativa de estar cortando gastos públicos.

Todas essas medidas que afirmou ser opositor são defendidas pela direita nacional. Isto é, os golpistas que derrubaram a presidenta Dilma Rousseff já fazem isso, demitindo em massa, cortando serviços públicos de apoio a população, privatização empresas estatais, ou seja, não à toa o governador sofre essa tentativa de derrubada.

A operação golpista acrônimo, que tenta acusar Pimentel de corrupção e lavagem de dinheiro enquanto ministro do governo federal petista, segue no Superior Tribunal de Justiça que tenta passar por cima da Assembleia Legislativa mineira através do STF, com Fachin como relator, para tornar réu o petista e seguir o mesmo molde do processo do mensalão: acusação fraca, sem sentido contra a corrupção; condenação sem provas e retirada do cargo para o qual foi eleito.

O governo do PT em Minas era um dos pilares que sustentavam o governo federal de Dilma Rousseff e com o aprofundamento do golpe continua bombardeado mesmo com o impeachment já realizado. O objetivo nesse momento é destruir o maior partido de esquerda no Brasil e, consequentemente, retirar do Poder todos os seus membros, como é o caso de Pimentel, que controla um dos principais Estados brasileiros.

Le Pen, censurada pela UE

Marine Le Pen, candidata da extrema-direita nas eleições presidenciais francesas e líder nas pesquisas, perdeu sua imunidade parlamentar nesta quinta-feira (2). Por ampla maioria, os deputados do Parlamento Europeu votaram pela perda da imunidade da líder da Frente Nacional. Com essa decisão, Le Pen poderá ser processada. O pedido para a suspensão de sua imunidade foi feito pela justiça francesa.

Agora, Le Pen poderá ter que responder na justiça por causa de uma postagem no Twitter. A candidata fez uma postagem em 2015 com uma foto de uma vítima decapitada do Estado Islâmico (EI). “Isso é o DAESH”, dizia a legenda da imagem, que mostrava o corpo de James Foley, fotojornalista norte-americano sequestrado e assassinado por membros do EI em 2014. A postagem era uma resposta a um jornalista, Jean-Jacques Bourdin, que comparou a retórica de Le Pen à violência do EI.

Depois de perder a imunidade por causa de uma foto postada na internet, Le Pen poderia, segundo as leis francesas, ficar até três anos presa e ser multada em até € 75 mil euros. Essa é a forma da democracia burguesa europeia combater Le Pen, que ameaça a unidade do bloco político e econômico europeu. Uma severa censura e a ameaça de uma punição desmedida por causa de uma postagem na internet.

Que o Estado possa censurar dessa forma, sob a ameaça de punições tão severas, já o caracteriza como totalmente antidemocrático. Nas mãos da própria Le Pen, o Estado francês já estaria pronto para a perseguição aos trabalhadores, às suas organizações e seus partidos. Contra a própria Le Pen, no entanto, esse não será um método eficaz de combate. A Frente Nacional representa a extrema-direita, e só poderá ser efetivamente combatida pela classe operária.

Contra Le Pen, essa perseguição pode acabar sendo favorável nas eleições de abril, colocando-a como uma candidata que se opõe ao atual regime falido. Em relação à UE, a extrema-direita também teve a oportunidade de se apresentar sozinha como contrária ao bloco, diante da confusão da esquerda europeia frente a esse problema. A perseguição totalmente desproporcional contra Le Pen por causa de uma foto postada na internet pode acabar fortalecendo sua candidatura e não servirá para combatê-la.

A Petrobrás nas mãos do imperialismo

No último dia 1º de março, foi formalizada a venda de campos do pré-sal já em operação. O negócio foi realizado com companhia francesa Total, e envolve os campos de Iara e Lapa. Este é o primeiro e fundamental passo na direção da completa privatização da maior empresa nacional que os golpistas deram. Esta venda constitui um enorme roubo da riqueza nacional e aponta para roubos ainda maiores.

Sob o comando de Pedro Parente – homem de confiança do governo golpista, que foi posto como presidente da empresa, justamente para levar adiante a política de privatização – a Petrobrás cederá direitos de 22,5% para o imperialismo Francês, na área de concessão Iara no Bloco – BM S-11. Neste caso, a Petrobrás permanecerá como operadora no local, já que, por enquanto, é detentora da maior parte, 42%. A Petrobrás cedeu ainda 35% do bloco da Lapa BM-S-09, onde a Total também será a operadora. O valor pago pela empresa Francesa foi de US$ 2,225 bilhões, Sendo 1,675 bi à vista, mais ativos, serviços e uma linha de crédito de 400 milhões.

A imprensa francesa festejou o acordo, sobretudo por ter sido um “negócio da china”, pois o nível de investimento do imperialismo Francês foi bem baixo a em relação ao potencial produtivo e ao lucrativo certo dos campos a serem explorados.

A Petrobrás sob o controle dos golpistas, vendeu também para a total 50% da Termobahia, incluindo as térmicas Celso Furtado e Rômulo de Almeida, segundo os golpistas da Petrobrás “ As duas térmicas estão ligadas ao terminal de regaseificação, localizado em São Francisco do Conde, na Bahia, onde a Total terá acesso a capacidade de regaseificação visando o suprimento de gás para as térmicas” e ainda “Essa iniciativa constitui-se em uma parceria inovadora no mercado térmico brasileiro”. Essa inovação na verdade significa que a parceria se dará em benefício total de um dos parceiros, e, certamente, não será o povo brasileiro o beneficiário.

Essa é a política dos golpistas e a lógica do golpe de Estado, a entrega dos recursos naturais, das riquezas do País ao capital estrangeiro, ao mesmo tempo em que submete amplos setores da população à miséria, à pobreza, à falta de direitos, à exploração e a uma brutal repressão, para que o imperialismo possa levar adiante seus interesses.

“Stand-up”, por Quinho

Publicado originalmente em sua página no Facebook