Holanda: atual primeiro-ministro lidera pesquisa de boca de urna

A extrema-direita não venceu as eleições gerais holandesas, segundo as pesquisas de boca de urna divulgadas nesta quarta-feira (15). Durante todo o dia, os holandeses teriam dado a vitória novamente ao partido no governo, do primeiro-ministro Mark Rutte, VVD (Partido Popular pela Democracia e Liberdade), de direita. O VVD teria ficado com 31 assentos no Parlamento, dos 150 disponíveis. Uma coalizão com pelo menos quatro partidos seria necessária, com a possibilidade, assim, de que Rutte continue no cargo.

A grande novidade das eleições, apesar da derrota, foi o ascenso eleitoral da extrema-direita. O PVV (Partido da Liberdade), partido de Geert Wilders, teria ficado em segundo lugar no número de assentos no Parlamento, ao lado de outros dois partidos, todos com 19 cadeiras. Com o avanço da extrema-direita, o Partido Trbalhista (PvdA) teve um desempenho desastroso, segundo as pesquisas, despencando de 38 para nove cadeiras, uma expressão do deslocamento à direita de conjunto no regime político holandês.

Esse deslocamento à direita se expressou também nas medidas do governo. Rutte passou a adotar parte da política de Wilders, em uma tentativa de disputar com a extrema-direita. Aparentemente, junto com outras manobras eleitorais, essa política funcionou no momento, mas a tendência de tal postura é só fortalecer ainda mais a extrema-direita enquanto o regime se desloca todo em sua direção. Uma tendência que tem aparecido em muitos países da União Europeia diante do colapso eleitoral de 2008 e do consequente aprofundamento da crise capitalista.

Trump e o velho golpe da corrupção

Na noite desta terça-feira (14), a Casa Branca divulgou dados relativos aos impostos pagos pelo presidente Donald Trump em 2005. A divulgação ocorreu minutos antes de um formulário vazado com o mesmo conteúdo ser apresentado na rede de TV MSNBC. O documento foi apresentado na TV pelo jornalista David Cay Johnston, em entrevista ao programa “The Rachel Maddow Show”. O formulário mostra que, em 2005, Trump teve uma renda de US$ 150 milhões, e que teve que pagar US$ 38 milhões em impostos, 80% dos quais graças à Taxa Mínima Alternativa, lei criada para evitar deduções excessivas. Durante a campanha, Trump prometeu acabar com essa lei.

Trump foi o primeiro candidato em décadas a não apresentar suas declarações de imposto de renda, o que é explorado pela imprensa de forma a insinuar que o presidente seria corrupto. Pior do que corrupto, Trump é um grande capitalista. Mas não é por corrupção, muito menos por ser capitalista, que a imprensa burguesa dos EUA começa a esboçar uma campanha “contra a corrupção” para tingir Trump. Trata-se de mais uma frente da campanha para derrubar Trump, ou encurralá-lo até que ele adapte totalmente sua política.

Já há outros motivos levantados que poderiam levar a um impeachment, como uma suposta ligação de Trump com os russos e nepotismo, entre outras acusações feitas contra Trump. Enquanto estiver no governo, Trump continuará alimentando a crise do regime político do principal país imperialista do mundo, a mesma crise que possibilitou que ele se elegesse contra o aparato de seu próprio partido e contra o conjunto da imprensa burguesa.

Novo julgamento político de Carlos, “O Chacal”, após 43 anos

Ilich Ramírez Sánchez, mais conhecido como Carlos, “O Chacal”, preso desde 1994, entrou no tribunal novamente para ser julgado. Ele está sendo acusado de ter executado um atentado com granada em Paris em 1974, que deixou dois mortos e dezenas de feridos, no interior da loja Drugstore Publicis, no centro de Paris.

O julgamento teve início nesta segunda-feira, dia 13, na capital francesa. Ele será julgado, durante 15 dias, por um tribunal penal por “atos de terrorismo”.

Carlos está preso na França desde 1994 quando foi detido no Sudão pela polícia francesa. Ele já foi condenado outras duas vezes à prisão perpétua pelo assassinato de três homens, entre eles dois policiais em 1975 em Paris, e por quatro atentados com explosivos que provocaram a morte de 11 pessoas e 150 feridos nos anos de 1982 e 1983, também em Paris.

Tribunal onde “O Chacal” será julgado com redoma de vidro blindado.

 

Esta nova acusação implica em nova condenação à prisão perpétua. Sendo que ele já foi condenado a esta mesma pena outras duas vezes.

O início do julgamento foi um espetáculo. Colocaram o réu, de 67 anos, atrás de um vidro blindado, acompanhado por três policiais.

O tom do julgamento foi político. Por parte da defesa de Carlos, a sua advogada, e atual esposa, Isabelle Coutant-Peyre, denunciou o caráter político do julgamento. “Vamos fazer paleontologia para benefício do museu da história política da justiça francesa. Este processo não faz sentido nenhum, está prescrito, não há razão para um novo julgamento”.

Durante o julgamento Carlos também denunciou a “falta de democracia na França” comparando-a à Venezuela, segundo ele, em seu país, “com a revolução bolivariana existe uma verdadeira democracia participativa”. Carlos nega as acusações deste julgamento.

De fato o julgamento é potencialmente político já que ele atuava na Frente Popular de Libertação da Palestina (FPLP) e as acusações são todas produto de atentados políticos contra o imperialismo, governos, a polícia, empresários etc.

A acusação declarou que Carlos teria confessado o atentado em entrevista concedida em 1979 para a revista Al-Watan Al-Arabi, mas o venezuelano nega ter feito a entrevista. A acusação liga o atentado de Paris à tomada de reféns na embaixada da França em Haia. Nesta ocasião, exigia-se a libertação de um dos membros da FPLP que estava detido pelo governo francês. O atentado na loja Drugstore Publicis, no centro de Paris, teria sido para pressionar o governo francês a libertar o membro da FPLP.

A advogada de Carlos afirmou que não tem a intenção de apresentar uma mera defesa judicial para este julgamento. Isabelle Coutant-Peyrela pretende destacar o caráter político do julgamento.

 

A serviço da causa Palestina

 

Três momentos da vida de Carlos, “O Chacal”.

Ilich Ramírez Sánchez, nasceu em 1949 na Venezuela, seu primeiro nome é uma referência direta a Vladimir Ilich Ulianov, o revolucionário Russo, Lênin. Nome dado pelo pai, um advogado comunista que nomeou os demais filhos com Lênin e Vladimir. Carlos teve uma atividade política intensa desde cedo. Em Caracas, aos 10 anos, integrou o movimento da juventude comunista. Ainda morou em Londres e na Rússia onde estudou na Faculdade Patrice Lumumba. Aos 24 anos ingressou na Frente Popular para Libertação da Palestina. Falava cinco idiomas, além do espanhol Carlos era versado em inglês, francês, russo e árabe.

Teve papel importante em diversas ocasiões, entre elas, o sequestro e assassinato dos atletas israelenses nas Olimpíadas de Munique, teve contato com o grupo guerrilheiro alemão Baader Meinhof, as Brigadas Vermelhas na Itália, realizou ações para os governos de Gadafi, Saddam Hussein, Assad e Fidel Castro.  Uma das maiores operações por ele realizadas foi o sequestro de 11 ministros de países membros da OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) em 1975, em Viena na Áustria. Houve também uma série de atentados contra figurões da política de Israel e de países que apoiavam o governo israelense como o presidente francês Jacques Chirac.

Seu codinome, Carlos, “O Chacal”, veio da imprensa britânica depois que policiais franceses encontraram em seu quarto de hotel um exemplar do livro “O Dia do Chacal” do escritor inglês Frederick Forsyth. Participava ativamente das operações e era extremamente habilidoso.

No final da década de 1970 e toda a década de 1980 realizou uma enormidade de ações financiadas por governos antiimperialistas, como Egito, Iraque, Síria, Cuba, Colômbia etc. Foi considerado o homem mais procurado pelas polícias secretas dos países imperialistas.

No começo da década de 1990 depois de pedir asilo político em vários países foi para o Sudão onde em 1994 foi preso, pelas forças especiais francesas, em situação altamente suspeita. Carlos, “O Chacal”, foi preso e levado para a França depois de ser medicado para a realização de uma cirurgia nos testículos. A prisão ocorreu dentro de um hospital no Sudão enquanto Carlos estava sedado.

Cena da minissérie “Carlos” (2010).

Em 2010, foi feita uma minissérie para a televisão muito bem produzida e bastante detalhada sobre a vida de Carlos “O Chacal”. A produção franco/alemã, “Carlos, de 5h30 de duração, foi dirigida pelo cineasta francês, Olivier Assayas e protagonizada pelo ator venezuelano Edgar Ramirez. Teve destaque mundial, pois foi exibida no Festival de Cinema de Cannes daquele ano, fora da competição principal.

Kirchner também era grampeada pelos golpistas

Neste domingo (12) um canal de TV argentino divulgou novos grampos da ex-presidente Cristina Kirchner. A conversa teria sido gravada em julho de 2016, nela, Cristina conversa com Oscar Parrilli, chefe da Agência Federal de Inteligência (AFI). Entre outras coisas, o assunto são os processos abertos contra o ex-espião Jaime Stiuso. Cristina pergunta quem são os juízes ligados à causa de Stiuso, e afirma que “é preciso sair para apertar os juízes”. Stiuso, que Cristina acusa na gravação de estar ligado a Macri, é apresentado pela imprensa como um “colaborador” da promotoria no caso Amia, relativo a um atentado a bomba em uma associação judaica na década de 90. O caso Amia foi usado para atacar Cristina Kirchner com acusações de que ela teria encoberto os autores do atentado para obter vantagens comerciais junto ao Irã.

O tom da conversa entre Cristina Kirchner e Parrilli é informal, mas a imprensa burguesa procura emprestar ao caso ares de conspiração contra Stiuso e os juízes. Chama atenção que esse caos mostra como o governo argentino também era vigiado, assim como aconteceu no Brasil. Mauricio Macri acabou vencendo as eleições no meio da campanha golpista, mas também na Argentina havia um golpe em curso, a eleição de Macri foi resultado da campanha golpista, Macri também é um golpista. Assim como no Brasil, o programa dos golpistas é o programa do imperialismo para os países atrasados. Não por acaso usaram os mesmos métodos.

O programa do imperialismo para os países atrasados, como Argentina e Brasil, é aumentar a exploração dos trabalhadores, atacar as condições de vida dos trabalhadores e liquidar o patrimônio nacional. Tanto lá como aqui, a perseguição aos partidos que estavam à frente dos governos nacionalistas burgueses derrubados é parte do plano para aplicar esse programa. Para a direita e o imperialismo, é fundamental quebrar qualquer possibilidade de resistência à sua política devastadora.

Venezuelanos atravessam a fronteira e Globo culpa Maduro

Em 2016, ano do golpe, 3.252 brasileiros foram presos tentando entrar de forma ilegal nos EUA. Ou seja, sem contar imigrantes que entraram de forma legal, e todos os que tentaram entrar ilegalmente e conseguiram, 3.252 brasileiros deixaram o Brasil para tentar morar nos EUA. Nos últimos dois meses, mais 940 casos do tipo, um aumento em relação ao ano passado. Nenhuma manchete da imprensa burguesa atribuiu esse fenômeno ao governo do golpista Michel Temer, que está destruindo o país a serviço do imperialismo e em benefício de monopólios econômicos. Nenhuma reportagem para destacar gente que diga que passava fome no Brasil.

Se Nicolás Maduro, presidente da Venezuela, governasse o Brasil, o ângulo da imprensa golpista seria totalmente diferente. Em 2016, 2 mil venezuelanos pediram refúgio na Polícia Federal em Roraima. O sítio da Rede Globo G1 publicou uma matéria sob a seguinte manchete: “Pedidos de refúgio de venezuelanos em RR cresceram 22.000% em 3 anos”. A partir daí, a reportagem tira a conclusão de que a crise econômica da Venezuela provocou um surto de imigração de venezuelanos para o Brasil por causa da fome. Entrevistados confirmam que passam fome, embora as fotos, escondendo os rostos, estejam longe de mostrar pessoas magras e esfomeadas.

Um dos bem nutridos entrevistados conta que, para chegar ao Brasil, vendeu um dos dois carros que tinha na garagem de sua casa própria em Caracas. A suposta fome na Venezuela é um factoide, e apresentar o deslocamento de 2 mil pessoas (a Venezuela tem mais de 30 milhões de habitantes) como algo extraordinário é uma maneira forçada de abastecer a campanha contra o governo venezuelano. A imprensa burguesa continua em sua campanha golpista para tentar derrubar Maduro. O objetivo é substituí-lo por um lacaio do imperialismo, com um programa capaz de causar fome de fato para uma parcela da população, mas sem a comoção dos golpistas confortavelmente instaladas nas redações dos jornais.

 

Novo referendo sobre independência da Escócia aprofunda a crise do Reino Unido

Nesta segunda-feira (13), a primeira-ministra da Escócia, Nicola Sturgeon, anunciou que o País realizará uma nova consulta à população sobre a permanência no Reino Unido. Um referendo como esse foi realizado em 2014, oficialmente com um resultado de 55% pela permanência contra 45% de votos pela saída, em meio a denúncias de fraude. Ano passado, o partido de Sturgeon, Partido Nacional Escocês (SNP), conquistou a maioria no Parlamento prometendo um novo referendo caso uma grande mudança como o “Brexit” acontecesse.

O “Brexit” (saída do Reino Unido da União Europeia) venceu um referendo no ano passado no conjunto do Reino Unido, mas na Escócia mais de 60% dos votantes foram contrários à mudança. Esse resultado alimenta a crise no Reino Unido e coloca novamente na ordem do dia a independência da Escócia. Sturgeon declarou que o referendo deve acontecer entre o outono de 2018 e a primavera de 2019, “antes que seja tarde demais” mas depois que os termos do Brexit já sejam conhecidos.

A vitória do Brexit, até então apresentada pela imprensa como muito improvável, foi um resultado da crise política no Reino Unido. Uma crise política que continua agora com o fortalecimento do separatismo na Escócia e com a reunificação da irlanda de volto à pauta. Apenas na Inglaterra e no País de Gales a maioria votou pelo Brexit, o que deu argumento para os defensores da independência na Irlanda do Norte e na Escócia.

Brexit: chegou a hora

A saída do Reino Unido da União Europeia (UE) está perto de começar. Com a regulametação terminando de passar pelo Parlamento, esperava-se que já na terça-feira (14) o processo começasse. Mas a primeira-ministra, Theresa May, adiou pelo menos até a semana que vem a ativação do Artigo 50, que iniciará formalmente o desligamento do Reino Unido do bloco europeu. A vitória do Brexit, a saída do Reino Unido da UE, no ano passado, expôs a dimensão da crise política britânica.

Diante da iminência do começo do processo de separação, nesta segunda-feira (13) a primeira-ministra da Escócia, Nicola Sturgeon, anunciou um novo referendo sobre a independência da Escócia. A maioria dos escoceses votou contra o Brexit. Na Irlanda do Norte a maioria também foi contrária a sair da UE e a reunificação da Irlanda colocou-se na ordem do dia. Uma crise total da unidade do Reino Unido, alimentada pelo Brexit.

Por ocasião da vitória do Brexit, a extrema-direita mostrou uma grande força eleitoral, depois de ter crescido em diversas eleições municipais e ter alcançado um grande número de votos absolutos, apesar de ter conquistado apenas uma cadeira no Parlamento. O partido de extrema-direita UKIP (Partido da Independência do Reino Unido) fez campanha sozinho pela saída da UE, contra os dois principais partidos do regime e contra os partidos mais importantes dos países menores do Reino Unido. O crescimento da extrema-direita é um resultado da crise do regime político e só pode ser enfrentado pela classe operária. Desde que os sindicatos impuseram seu candidato para comandar o Partido Trabalhista, Jeremy Corbyn, a extrema-direita tem sido forçada a recuar.

Crise na Coréia do Sul: mais mortes nas manifestações

Foi confirmado nesse sábado (11) mais uma morte causada pela repressão da polícia sul coreana em protestos contrários ao impeachment da presidenta Park Geun-hye. Segundo a polícia local, essa é a terceira pessoa que morre por causa da repressão às manifestações.

Os protestos se iniciaram após a Corte Constitucional confirmar o afastamento da presidenta, já aprovado pelo Parlamento sul coreano. Após a confirmação, os protestos começaram em frente ao Tribunal, com grande repressão policial.

O caso que afastou a mulher do cargo foi o mesmo pretexto usado no Brasil para derrubar a presidenta Dilma Rousseff: a luta contra a corrupção. Chamada de “rasputina” pela imprensa local, Choi Soon-sil supostamente influenciava as decisões da presidenta mesmo sem possuir cargo na gestão.

Mais um golpe promovido pelo imperialismo atinge em cheio a burguesia nacional e passa por cima das eleições que ocorreram e deveriam valer. No entanto, diante da crise, a burguesia internacional quer fazer os trabalhadores pagarem essa conta, justamente liquidando toda a economia nacional, o Estado e o governo.

Vazamentos da CIA: 1984 chegou

A distopia descrita pelo inglês George Orwell no romance 1984, publicado em 1949, revelou-se otimista sob um determinado aspecto na comparação com o presente. Terça-feira (7) o sítio WikiLeaks fez novas revelações sobre a CIA (Agência Central de Inteligência). Os documentos foram obtidos pelo WikiLeaks das mãos de uma empresa privada contratada pela Agência, e mostram que a Agência desenvolveu um pacote gigantesco de programas para invadir dispositivos eletrônicos como computadores, celulares e televisores, transformando-os em microfones secretos da CIA para espionar qualquer um em qualquer parte do mundo.

O otimismo de Orwell aqui consiste no fato de que as Teletelas de seu romance, que funcionavam como TV ao mesmo tempo em que filmavam o ambiente, não podiam ser desligadas, enquanto os computadores, celulares e TVs são aparelhos que nós queremos deixar ligados. Esse tipo de Teletelas em que a CIA converteu nossos aparelhos eletrônicos mantêm grande parte da população mundial sob vigilância permanente de uma agência do estado norte-americano que funciona com relativa independência diante de seu próprio governo.

Com seu enorme orçamento, a CIA montou sua própria NSA (outra agência norte-americana que vigia todo o mundo por meio dos aparelhos eletrônicos consumidos em massa). Assim o Estado norte-americano transformou o presente em um inferno sistematicamente vigiado ininterruptamente.

O presente se parece com a distopia de Orwell sob outros aspectos. Como em 1984, há um incentivo constante para que os cidadãos dedurem uns aos outros, com números de telefone especiais para denúncias de todo tipo em todos os lugares. Um exemplo recente foi dado pelo atual prefeito de São Paulo, João Doria, que fechou um acordo com taxistas para que esses denunciem pichadores acionando a Guarda Civil. Mais um nível de vigilância.

O próprio João Doria contrói a sua personalidade para ser cultuada pagando uma equipe de propaganda que o acompanha em todas as suas ações. Por mais ridícula que sua figura possa ser, o prefeito paulistano é salvo em alguma medida desse ridículo também pelo conjunto da imprensa burguesa. Mesma imprensa que criou uma realidade alternativa no Brasil para apoiar o golpe da direita, o tipo de imprensa que inspirou a criação do “Ministério da Verdade” do livro de Orwell.

Além de romancista, Orwell foi também jornalista e um militante político. Lutou na guerra civil espanhola contra o fascismo, uma luta que ele perdeu. Essa luta continua hoje, mas no mundo inteiro, o mundo que ele descreve no 1984 chegou.

O disco riscado da corrupção: golpe na Coreia do Sul

Nesta sexta-feira (9) a Corte Constitucional da Coreia do Sul confirmou o impeachment  contra a presidente Park Geun-hye. Desde dezembro a presidente da Coreia do Sul estava afastada por decisão do Parlamento. A decisão da corte causou confrontos nas ruas, com a morte de dois apoiadores de Park Geun-hye. O motivo, como em tantas outras partes do mundo, é o mesmo de sempre: um “escândalo” de corrupção. O escândalo é o barulho que se faz, o escândalo feito pela imprensa interessada em um determinado resultado na luta política.

O caso de corrupção que estampou as capas dos jornais sul-coreanos envolvia uma conselheira informal da presidente, uma amiga pessoal sem cargo no governo que supostamente influenciaria suas decisões. Choi Soon-sil, chamada de “Rasputina” pela imprensa local, daria também conselhos espirituais à presidente, enquanto tinha influência sobre seu governo. A amiga da presidente teria usado sua posição para tirar dinheiro de grandes empresas, como a Samsung, totalizando US$ 70 milhões.

A exemplo do que está acontecendo no Brasil, o escândalo montado para derrubar o governo também está atingindo as empresas nacionais. Mês passado, o vice-presidente e herdeiro da Samsung, Lee Jae-Yong, foi preso acusado de pagar US$ 37 milhões em propinas para ter apoio do governo na fusão de duas unidades da empresa.

O golpe atinge, portanto, diretamente a burguesia nacional da Coreia do Sul, ainda que essas empresas, no caso da Coreia do Sul, já estejam em grande medida sob controle direto do imperialismo. Esse controle, porém, já não é o suficiente diante da crise do capitalismo e da crise da dominação imperialista. Para o imperialismo colocou-se a necessidade de ampliar a exploração dos países atrasados, controlando a economia desses países, aumentando a exploração dos trabalhadores, liquidando o patrimônio nacional etc. Esse é o programa por trás de todos os golpes recentemente impulsionados pelo imperialismo.