Segurança privada é parte essencial na repressão contra os negros

“A carne mais barata do mercado é a carne negra”, como canta Elza Soares, a vida imita a arte. João Victor, menor que morreu em uma loja do Habib’s, vítima da violência de seguranças da lanchonete que arrastaram o corpo de João pela rua. Este é o triste enredo da realidade das crianças negras e pobres da periferia de nossas cidades.

Essa realidade não comove os filisteus. O jornalista Adriano Kirche Moneta, assessor de imprensa da SSP (Secretaria de Segurança Pública) de São Paulo, fez um post, em reposta a uma campanha nas redes sócias que chamava  a um boicote a rede de fast foot Habib‘s: “vou comer 50 esfihas, só para contrariar. E um Beirute”. A secretaria do governo em que Moneta trabalha como funcionário terceirizado da empresa CDN Comunicação é a mesma responsável pelas polícias Civil e Militar do Estado de São Paulo, que investigam a morte do menino.

O que deve ser criticado não é o fato de Moneta ter ser expressado, mas o conteúdo do que foi dito. É a política do tratamento de animal dado a população pobre das periferias pela a polícia. É a ideologia direitista, ou seja, coxinha, do “bandido bom é bandido morto”, ou que “a polícia prende é a justiça solta”. É o plano da burguesia para a submissão, humilhação de todo o povo pobre e negro.

Com a ascensão da ideologia de direita no Brasil, resultado do golpe de Estado, os setores mais oprimidos e vulneráveis são os mais suscetíveis a violência dos direitistas organizados dentro da Polícia Militar, ou fora dela, como são as seguranças privadas.

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Holiday se finge de Martin Luther King, mas é Mussolini

A última do direitista Movimento Brasil Livre (MBL) e de Fernando Holiday, vereador de São Paulo, pelo DEM, foi lançar uma camisa com uma imagem onde três pessoas negras aparecem com os dizeres “Três gerações. Um sonho.” estampado.

As três pessoas são: Martin Luther King Jr. líder negro de fama mundial e que levou adiante uma proposta de resistência pacífica diante do regime segregacionista norte-americano. Os protestos pacíficos, as marchas pacíficas que eram reprimidas sem resistência; os negros que se sentavam em lanchonetes racistas, como forma de protesto, eram linchados sem resistir. São algumas imagens que resultaram da política de King.

Contudo, nem mesmo esse tipo de manifestação era permitida pelo regime racista dos Estados Unidos. King, após ser investigado por quase a vida inteira, foi assassinado pelas forças de repressão do país, que até os dias de hoje não permite a resistência nem do negro pacifista, nem do negro organizado para a tomada violenta do poder.

A segunda personalidade estampada na camisa do racista MBL é o economista, defensor do capitalismo, Thomas Sowell. É um Holiday norte-americano, que foi financiado para defender o regime capitalista e, como negro, fazer um papel semelhante ao que Holiday faz no Brasil. Aparentemente estudou mais que Holiday, o que não é difícil tendo em vista o grau zero de conhecimento sobre qualquer coisa de Holiday. Sowell é da “escola” de Von Mises, ou “O Guru dos Imbecis”. (https://afonsoteixeira.wordpress.com/2014/08/20/von-mises-o-guru-dos-imbecis/

Por fim, dando a entender uma espécie de continuidade na foto, aparece Fernando Holiday. Já bem denunciado pelo movimento negro, Holiday é contra os direitos do negro, acredita que não existe racismo, e que o melhor jeito do negro sair de sua situação de esmagado da sociedade é colaborar com a opressão racial, lamber botas e servir de capacho. É o negro de alma branca.

É difícil saber qual seria a reação de King Jr, mesmo sendo pacifista, diante de Holiday, ou mesmo de Sowell. Isso sem mencionar outros, como Malcolm X, que chamaria Holiday de “negro da casa”, o negro servil, para dizer o mínimo.

É preciso destacar que, apesar dos métodos, King enxergava e buscava combater o racismo da maneira que lhe parecia correta. Dedicou boa parte de sua vida a esta luta e teve o final de tantos outros que ousaram se organizar contra o racismo. Inclusive, King foi favorável às chamadas ações afirmativas, ao contrário de Holiday.

Não é o caso de Holiday. Este está no polo exato oposto de King. No polo oposto, mas sem a mesma importância política, teórica, nem nada semelhante. Holiday não representa nenhuma luta do negro, nenhuma forma de resistência do negro. Não representa sequer uma determinada base social e política do negro. Sua política resume o que há de mais selvagem e bárbaro da política coxinha golpista. Na verdade, a camisa não deixa de mostrar o que Holiday representa: uma farsa. Holiday não tem sonho nenhum. Não está no contrato dele ter sonho. O que tem no contrato de Holiday é falar, em toda oportunidade, contra a luta, as organizações e os direitos do povo negro.

Acadêmicos do Tatuapé homenageia África e leva o título do samba de São Paulo

Levou o troféu do samba de São Paulo em 2017, do Grupo Especial, a Acadêmicos do Tatuapé, em decisão que levou em consideração os critérios de desempate, tendo em vista a mesma pontuação da escola com a Dragões da Real. O critério de desempate determinado para o desfile era a pontuação no samba-enredo. A Acadêmicos do Tatuapé havia sido vice-campeã em 2016.

A escola de samba teve como tema “Mãe África Conta a Sua História: Do Berço Sagrado da Humanidade à Abençoada Terra do Grande Zimbabwe” E somente nos últimos instantes os membros e torcedores da escola puderam comemorar o resultado, pois até o final quem liderava era a Dragões da Real.

Na página da escola, é possível ver a sinopse do desfile e do samba-enredo, do qual pode ser extraída a seguinte passagem:

“Da África do Sul ao Zimbabwe, meus filhos festejam e clamam com a sua cultura o amor e orgulho de serem a “África”! De serem os Filhos desta Mãe-África!

O elo que une nossos ancestrais nos unifica ao Brasil, e com os braços fortes de meus filhos, ergueram um gigante amigo, um mastodôntico que tem a forma de um coração e mora nas minhas mais profundas lembranças. Um pouco de mim existe nesse gigante varonil chamado Brasil!

Já fomos exaltados, louvados, aclamados por nossos amigos brasileiros, que há anos exaltam a mim e a meus filhos, em sua maior festa popular, e que com certeza é o maior espetáculo da Terra, e que muito honrosamente, entrego aos braços desse Brasil, mais um filho a ser exaltado: meu Zimbabwe!

Esse filho fiel, sofrido, e que hoje será exaltado…

Aplausos…”

Confira abaixo o samba-enredo da escola, em homenagem à Mãe África, e ouça aqui a composição:

RAIOU… NO HORIZONTE MEU DESTINO
A VIDA NESSE SOLO VI BROTAR
SOU EU …. A NEGRA MÃE DA HUMANIDADE
EM MEU VENTRE A VERDADE… HUMILDADE E AMOR
A FORÇA DE UM FILHO GUERREIRO
HERANÇA DE LUTA E DOR
ABRAÇA A LIBERDADE… A IGUALDADE EM COMUNHÃO
A REALEZA ESTAMPADA NA PELE
COROADA NUM SÓ CORAÇÃO
BATE O TAMBOR… DEIXA GIRAR
PRA EXALTAR MEUS ORIXÁS
UM CANTO LIVRE DE AMOR
NA FÉ… NA RELIGIÃO
SOMOS TODOS IRMÃOS
VEJO MEUS FILHOS TRILHANDO CAMINHOS
COM A PROTEÇÃO DE OBATALÁ
EM POESIA… BRILHA A CULTURA NO OLHAR
NA GINGA O BATUQUE ESPALHA MAGIA
MEU SAMBA HOJE VAI EXALTAR
TAÍ O MENINO DA TERRA DO OURO… UM VENCEDOR
LEVO A  MENSAGEM… LIÇÃO PARA O MUNDO
TOLERÂNCIA… PAZ E AMOR
É DE ARERÊ… ILÊ, IJEXÁ
ESSA KIZOMBA DE UM POVO FELIZ
EU SOU A ÁFRICA… DERRAMO MEU AXÉ
CANTA TATUAPÉ

Alckmin quer proibir diversão popular

No dia 17 deste mês, o governador de São Paulo, o tucano Geraldo Alckmin, editou norma que permite que a Polícia Militar intervenha nos chamados “pancadões”, autorizando o uso de força e repressão contra as pessoas que participam dessas festas.

O projeto foi de autoria do sinistro Coronel Telhada, responsável por dezenas de atrocidades contra a população negra e trabalhadora, como a participação ativa no Massacre do Carandiru. Telhada é um dos maiores propagandistas do aumento da repressão, das penas e das prisões.

As regras que foram aprovadas permitem que os carros possam ser multados e guinchados se estiverem participando de pancadões, além da aplicação ainda mais dura da “lei do silêncio”.

Para quem já transitou por blocos de carnaval de rua em 2017, em São Paulo, foi fácil perceber que Alckmin, em parceria com o prefeito playboy João Doria, aumentou o efetivo da polícia nas ruas, dando “gerais” nos foliões, parando carros em blitzes escondidas, fechando bares e blocos carnavalescos, etc.

A tentativa de reprimir os “pancadões” é mais uma medida para atacar o divertimento da população. Impedir que a população ocupe determinadas áreas para festas, e impedir que o povo organize festas fora dos esquemas oficiais, privatizados, mais caros.

É uma típica política dos golpistas, da direita: acabar com todo divertimento público, com toda manifestação popular. Não é só. Também da direita é a política de colocar cercas embaixo dos viadutos (para impedir moradores de rua), pedras pontiagudas em determinados locais, e aumentar a repressão como um todo.

O que o PSDB faz em São Paulo será exportado nacionalmente após o golpe de Estado. Por isso teve uma enorme crise no sistema penal no início do ano, e que deve aumentar no próximo período.

Tudo que os golpistas têm a oferecer é isso: aumento generalizado da repressão contra o povo e suas organizações e, também, contra seu divertimento.

Grupo Mães de Maio protestou contra o massacre policial

Na última semana, dia 22, o grupo Mães de Maio organizou um protesto contra o massacre cometido pela polícia militar contra a população negra. O ato foi realizado no Rio de Janeiro, e fez encenações de jovens negros mortos pela violência policial.

O grupo Mães de Maio surgiu após os chamados “Crimes de Maio”, que resultaram em mais de 500 execuções acontecidas entre 12 e 20 de maio de 2006, onde a polícia, supostamente em retaliação ao PCC (Primeiro Comando da Capital), saiu às ruas levando o terror e a morte para a população negra e trabalhadora.

A violência policial aumentou consideravelmente após a tomada do poder pelos golpistas, que derrubaram a presidente eleita Dilma Rousseff para levar adiante no País os planos dos golpistas. Os golpistas sempre estiveram no comando das forças de repressão, e com a tomada do Executivo Nacional, a repressão contra o povo pobre, negro e trabalhador os números das vítimas da PM estão se multiplicando. Confira algumas imagens do protesto, registradas por Fernando Frazão da Agência Brasil).

 

 

Camisa Verde e Branco fez homenagem a João Cândido, líder da Revolta da Chibata

A tradicional escola de samba paulistana, fundada em 1953, Camisa Verde e Branco, que desfilou pelo grupo de acesso do samba de São Paulo no Carnaval de 2017, homenageou em seu enredo, João Cândido, o líder da Revolta da Chibata, que em 1910 colocou de joelhos o regime.

A homenagem ao Almirante Negro e ao levante dos negros da Marinha já havia sido feita em 2003 e, em 2017 a escola decidiu reeditar o enredo: “A Revolta da Chibata Luta, Coragem e Bravura! JOÃO CÂNDIDO Um sonho de Liberdade”.

Terceira a desfilar nesse domingo, dia 26, a escola trouxe na comissão de frente uma encenação de tortura de João Cândido. A Revolta da Chibata nasce justamente no momento em que os marinheiros se revoltaram contra os castigos corporais da Marinha.

A comissão de frente denunciava o “Reconhecimento que Jamais Existiu”, por parte do Estado, que ainda hoje sequer reconhece João Cândido como um marinheiro. O líder negro terminou sua vida totalmente pobre e abandonado, depois de ter sido preso por conta do levante na Marinha.

Confira o samba-enredo da escola da Barra Funda:

“Orgulhosamente a Verde e Branco vai passar

Abram alas que a minha história eu vou contar

Sou o Almirante Negro, um bravo Feiticeiro,

O Grande Dragão do Mar

Não é ilusão o que vocês viram

A Marinha tinha preconceitos e injustiças

E nos Pampas minha infância foi trocada

Por batalhas imortais, me revoltando

No Navio Minas Gerais

 

Na batida do tambor ô ô ô

O lamento se escondia la laia } BIS

E na chibata do senhor

O movimento de revolta se expandia

 

Assim, o tal Catete enganava,

O mundo inteiro com a anistia aclamada

Na Ilha das Cobras a vingança foi voraz

Ignoraram a bandeira da paz

E o sofrimento rumo à Amazônia

Selava destinos, fim da vida ou escravidão

Glória ao nosso povo brasileiro

Meu sonho hoje é verdadeiro

Sou Mestre-sala, João Cândido, o guerreiro

 

Vou navegar – eu vou eu vou

Vem nesse mar de amor amor } REFRÃO

Sou Barra Funda sou samba no pé

Gira baiana seu gingado tem axé

No meio do carnaval, PM assassina jovem em Salvador

Morreu na madrugada deste domingo, 26, o folião que foi baleado pela PM durante o carnaval de Salvador na Bahia. O rapaz estava no meio do bloco carnavalesco quando foi atingido por um tiro disparado pelo sargento da PM, José Eduardo Neves Rodrigues.

O sargento foi preso logo após o ocorrido.  O rapaz foi socorrido e levado para o posto de saúde e depois para o Hospital Geral do Estado (HGE), mas não resistiu aos ferimentos e acabou morrendo. O disparo assustou as pessoas que participavam do desfile.

Esse fato revela mais uma vez o caráter repressivo e assassino da Polícia Militar. Mesmo em pleno carnaval, festa popular, a PM age de forma violenta contra o povo. São verdadeiros terroristas armados pelo Estado para intimidar a população pobre e negra.

Tal tendência repressiva tende a se acentuar ainda mais com o desenvolvimento do golpe de Estado no país. Contra a violência da Polícia Militar e o extermínio praticado por esta instituição contra o povo,  é preciso levantar a reivindicação de dissolução da PM

 

Crise nas penitenciárias é resultado da política da direita

O ano começou mostrando o resultado da política direitista nas penitenciárias. Mais de 100 pessoas foram assassinadas dentro de algumas penitenciárias brasileiras e outras dezenas de pessoas foram feridas em levantes, fugas, crises internas, etc.

A direita faz uma campanha permanente em defesa do aumento da repressão, das penas, da redução da maioridade penal. Faz campanha para que o regime seja endurecido, no sentido de multiplicar o número de detentos.
É uma campanha tradicional da direita, que é resumida no chavão fascista “bandido bom é bandido morto”, divulgado muito tempo antes do golpe de Estado. É uma das principais bandeiras da direita.

Acontece que o sistema penal é administrado diretamente pelos direitistas, que estão no judiciário, no ministério público e na administração dos presídios brasileiros e são eles que tocam todo o processo criminal.

Inclusive, quando algum juiz ou agente do estado se mostra mais esquerdista dentro desses órgãos, rapidamente é aberta uma verdadeira perseguição política.
Isso quer dizer que uma das principais medidas propostas pela direita golpista já está em prática, o encarceramento em massa, mas comprovadamente não possui nenhum resultado, pior, é um desastre social e humano e deve levar o país a um levante nacional contra o sistema penal e contra as penitenciárias, e com isso um saldo de mortes ainda maior.

Toda política direitista tem esse caráter, de desastre social total. Ao contrário do que afirmam através da sua imprensa, a política golpista é de destruição de tudo que existe, e o sistema penal é um primeiro sinal disto.

O que está acontecendo nas cadeias é um primeiro sinal do que vai acontecer com os demais setores abocanhados pelos golpistas, como, por exemplo, a economia.
O problema coloca na ordem do dia a luta por uma série de reivindicações democráticas para o sistema penal e que serve de luta contra os golpistas.

A eleição de todo judiciário e dos integrantes do Ministério Público é uma delas. A falta de eleição nesses órgãos faz com que fiquem ainda mais sob o controle da direita, que paga bem para obter seus resultados.

Não só. É preciso libertar todos os presos com penas vencidas ou que aguardam julgamento; revisar e anular os processos em andamento. Arquivar os mandados prisão expedidos. Libertar todo o excedente carcerário. Se o Estado não consegue manter presa uma pessoa, é obrigado a soltá-la imediatamente. Fechar presídios, fornecer condições humanas ao detido, com trabalho e assistência social.
São algumas reivindicações que precisam ser incorporadas ao movimento geral de luta contra o golpe. Trata-se de um dos mais desastrosos resultados da política direitista: a morte de negros e pobres, como se fossem insetos.

Plano Nacional de Segurança: mais prisões e repressão contra o povo

O massacre ocorrido no presídio de Manaus, que deixou dezenas de mortos, mostrou para todos a barbárie que a política de encarceramento em massa resulta. Diante deste fato, o governo golpista se aproveita da situação para antecipar o lançamento do Plano Nacional de Segurança, para janeiro deste ano.

O Plano está sendo elaborado pelo golpista Ministério da Justiça e já se sabe que terá como eixo a mesma política de encarceramento em massa. Supostamente para combater o crime organizado, a alta taxa de homicídios, a violência contra a mulher e o contrabando nas fronteiras, na realidade o que o governo golpista irá realizar com tal plano é elevar o já absurdo nível de repressão e encarceramento no País.

A política dos golpistas é a mesma que levou ao massacre em Manaus e a tantos outros que ocorrem todos os dias em presídios de todos os estados da União. Uma política para punir brutalmente os pobres, a prisão brasileira é e sempre foi um inferno, e querem estender este inferno para ainda mais pessoas.

O Plano Nacional de Segurança que os golpistas elaboram nada tem a ver com combate ao crime organizado e sim com a situação política do país diante da crise que o golpe enfrenta para impor seus planos e o possível ascenso de amplos setores na luta contra o golpe.

O responsável pelo plano é o golpista e fascista ministro da Justiça Alexandre de Moraes, este articula com a cúpula do regime golpista, a presidenta do STF, Cármen Lúcia, com quem se encontrou nessa quarta-feira (04), e o presidente do Senado, Renan Calheiros, para a viabilização dos recursos para colocar em marcha seu Plano.

O cinismo dos golpistas é extraordinário. Mesmo com todos os ataques aos direitos democráticos, trabalhistas e à economia do País, sobretudo com a PEC do Teto, eles anunciaram, em reunião que contou com Carmen Lúcia, Michel Temer e Renan Calheiros, em outubro do ano passado, quando do anúncio do Plano, que um dos pontos do Plano seria a melhoria do Sistema Penitenciário. O que evidentemente é uma mentira, o que pretendem é piorar o sistema penitenciário, pois estão retirando todas as verbas do sistema penitenciário, como a MP755 que transfere recursos do fundo penitenciário para a PM, por exemplo, dentre outras medidas do governo golpista em favor da política de encarceramento em massa.

O Plano Nacional de Segurança é mais um ataque contra a população pobre, negra e oprimida deste país. Este plano também será, certamente, uma arma para a repressão política aos opositores do regime golpista. O resultado da política repressiva dos golpistas é produção de mais massacres, seja nas prisões seja fora dela pelas forças de repressão.

Diminuir as penas, libertar presos, criar condições humanas

O acontecido em Manaus (AM), onde pelo menos 60 presos foram assassinados, foi retratado pela imprensa burguesa como conflito de organizações, e que, diante disso, era necessário separar essas organizações nos presídios nacionais.

O problema também gerou manifestação federal, através do ministro golpista da Justiça, Alexandre de Moraes, que está sendo pressionado a acionar a forças nacionais de segurança para os estabelecimentos penais, já que a polícia não estaria dando conta de lidar com o crime.

Na esquerda, as matérias são praticamente recortes da própria imprensa burguesa, e as organizações da esquerda não conseguem apresentar um programa definido para o problema.

Na verdade, boa parte da esquerda pequeno-burguesa defende o aumento da repressão como um todo, em busca de tornar crime uma série de condutas políticas, como machismo, racismo, crimes contra gays, etc. isso quando não defendem a prisão por corrupção, quer dizer, o reforço do aparato repressor do regime.

Os 60 mortos no presídio de Manaus e outros tantos mortos nos presídios espalhados pelos estados revelam uma política deliberada do regime de perseguição e massacre da população pobre, negra e trabalhadora.

Em grande medida, organizações como o Primeiro Comando da Capital (PCC) funcionam como sindicato dos presos, fornecem serviços básicos e garantem saúde, alimentação e segurança, tudo que o estado se nega a fazer. O sistema, na verdade, está completamente falido. Não consegue comportar seus presos, nem oferecer o mínimo de tratamento humano para os reclusos.

Assim, qualquer organização da esquerda que se preze deveria se colocar contra todo o sistema penal, na verdade, lutar pelo fim das penitenciárias, das casas de detenção, ou seja, lutar contra a repressão do regime.

Emergencialmente é preciso lutar pela libertação dos presos. Isso em virtude da grande maioria cumprir regime semiaberto, quando já poderiam ter progredido para o regime aberto; a libertação dos presos que aguardam julgamento; a libertação dos presos que já cumpriram sua pena mas foram esquecidos dentro destes depósitos humanos.

As penas, no geral, precisam ser encurtadas. Quem conhece o sistema sabe que um mês dentro dele já é capaz de destruir qualquer pessoa, esmagar o cidadão, acabar com qualquer expectativa.

A pessoa que cometeu um crime é alguém que foi esmagado pela sociedade, que não tem perspectiva alguma de desenvolvimento social. É preciso uma política séria de recuperação social, emprego, formação social e cultural para os detentos.

Também é preciso lutar pela legalização das drogas, de todas elas. A quantidade de pessoas presas por porte e tráfico de drogas no Brasil é gigantesca. Com a legalização, de pronto, pelo menos 350 mil pessoas seriam libertadas. O mercado de drogas é um dos mais rentáveis do mundo, e, por isso, tem seus representantes e sócios dentro do Estado, especialmente dentro das secretarias de seguranças e departamentos policiais. 

Esse é um programa minimamente democrático de luta contra a repressão do sistema penal, pelo fim da perseguição aos negros e pobres, para dar início ao fim dos estabelecimentos penais brasileiros.