36% de aumento: para as forças armadas não há corte de gastos

Enquanto o governo golpista de Michel Temer ataca a população com políticas de cortes nos programas sociais, com congelamento dos gastos públicos (com Saúde, Educação etc.) por 20 anos; com a reforma da previdência que, se aprovada, irá por fim a aposentadoria de milhões de brasileiro, com a desculpa de que é preciso reduzir as despesas; os golpistas aumentaram no último ano o dinheiro repassado para as forças armadas.

De acordo com dados divulgados pelo Ministério da Defesa, houve em 2016 um aumento de 36% do dinheiro repassado para os setores militares em comparação com 2015.

No último ano foram investidos R$ 9,15 bilhões, R$ 1,85 bilhão a mais do que estava previsto no orçamento,R$ 7,30 bilhão. A previsão para 2017 é que o valor investido seja aumentado para R$ 9,7 bilhões.

Ao mesmo, na Educação, por exemplo, foram investidos pelo governo R$ 5,7 bilhões dos R$ 13,8 bilhões previstos.

Esses dados demonstram a farsa do discurso utilizado pelos golpistas de que não há dinheiro, da necessidade do “ajuste fiscal”. Na realidade o dinheiro existe e muito, vale lembrar que somente em 2015 o Brasil pagou mais de R$ 350 bilhões para pagar os juros da dívida pública

Como se pode ver  a prioridade não são as áreas sociais, como a Saúde e Educação, não é a classe trabalhadora que hoje tem todos os seus direitos ameaçados, mas sim os bancos e o aparato repressivo estatal, como as forças armadas.

O governo golpista pretende com isso fortalecer os instrumentos de repressão diante de uma eventual mobilização da população, a qual cada vez mais repudia e se coloca contra o brutal pacote de destruição de todos os seus direitos

Fica claro também que  País caminha aceleradamente para uma ditadura, com o fortalecimento do aparato repressivo.

Velvet Underground & Nico e a Banana de Warhol completam 50 anos

Lançado em 1967, o disco “The Velvet Underground & Nico” completa seus 50 anos em 2017. Um dos álbuns mais influentes na música de todos os tempos. O disco abordava temas polêmicos como o uso de drogas, sadomasoquismo, e desvios sexuais de conduta através de suas letras. Em muito devido a estes temas pouco usuais, foi barrado em diversos estabelecimentos de venda e teve pouco sucesso comercial na época em que foi lançado. 

“Ainda que algumas poucas centenas de pessoas tenham comprado os discos do Velvet Underground, cada uma delas formou uma banda.” Atribuída a Brian Eno, a frase aí exagera, mas não muito. O disco de 1967, produzido por Andy Warhol, influenciou toda uma geração de bandas posteriores a ele, o que no final dos anos 70 foi chamado de Punk Rock. O experimentalismo de Lou Reed, John Cale, Maureen Tucker, Steerling Morrison e, por um breve período, a modelo junkie Nico, influenciou profundamente a estética infratora do punk e do glitter e space rock como David Bowie e Marc Bolan ao noise experimental do Sonic Youth, já quase vinte anos depois.

O aparecimento do primeiro disco do Velvet Uderground está para o surgimento do punk norte-americano, assim como a noite de 4 de julho de 1976, o concerto da jovem banda punk novaiorquina, The Ramones, levou ao London´s Roundhouse futuros membros do Damned, Sex Pistols, The CLASH e mais uma meia dúzia de bandas naquele que seria o o início do punk inglês.

Formado pelo então jovem Lou Reed, John Cale, Sterling Morrison e Maureen Tucker, o Velvet Underground teve o seu nome retirado de uma revista pulp sobre a contracultura sexual. Como empresário, tinha o expoente artista Andy Warhol, que conseguiu transmitir a sua notoriedade para a banda, que começava a despontar como uma interessante revelação musical.

Nico, do título do álbum, era uma cantora alemã que já havia participado de concertos e algumas gravações com o grupo e que, a pedido de Andy, se juntaria ao Velvet para seu primeiro LP. A criatividade do grupo residia, e muito, em John Cale, que se utilizava de diversos métodos e instrumentos alternativos de produção de som como a viola, por exemplo.

Lou Reed, outro grande fã de experimentação, desenvolveu o que se chamaria de Ostrich Guitar. Não se trata de um novo instrumento, mas de uma nova forma de afinar a guitarra, na qual todas as cordas são afinadas na mesma nota, como Ré, por exemplo. Tudo isso ganharia forma no disco.

Gravado em oito horas ao custo irrisório- até para a época- de dois mil dólares o disco é um retrato da Nova York sombria em contraponto com as melodias assobiáveis das bandas hippies predominantes no rock da época.

As músicas do disco: 1. Sunday Morning 2. I’m Waiting for the Man 3. Femme Fatale 4. Venus in Furs 5. Run Run Run 6. All Tomorrow Parties 7. Heroin 8.There She Goes Again 9. I’ll Be Your Mirror 10. The Black Angel Death Song 11. European Son

Novo julgamento político de Carlos, “O Chacal”, após 43 anos

Ilich Ramírez Sánchez, mais conhecido como Carlos, “O Chacal”, preso desde 1994, entrou no tribunal novamente para ser julgado. Ele está sendo acusado de ter executado um atentado com granada em Paris em 1974, que deixou dois mortos e dezenas de feridos, no interior da loja Drugstore Publicis, no centro de Paris.

O julgamento teve início nesta segunda-feira, dia 13, na capital francesa. Ele será julgado, durante 15 dias, por um tribunal penal por “atos de terrorismo”.

Carlos está preso na França desde 1994 quando foi detido no Sudão pela polícia francesa. Ele já foi condenado outras duas vezes à prisão perpétua pelo assassinato de três homens, entre eles dois policiais em 1975 em Paris, e por quatro atentados com explosivos que provocaram a morte de 11 pessoas e 150 feridos nos anos de 1982 e 1983, também em Paris.

Tribunal onde “O Chacal” será julgado com redoma de vidro blindado.

 

Esta nova acusação implica em nova condenação à prisão perpétua. Sendo que ele já foi condenado a esta mesma pena outras duas vezes.

O início do julgamento foi um espetáculo. Colocaram o réu, de 67 anos, atrás de um vidro blindado, acompanhado por três policiais.

O tom do julgamento foi político. Por parte da defesa de Carlos, a sua advogada, e atual esposa, Isabelle Coutant-Peyre, denunciou o caráter político do julgamento. “Vamos fazer paleontologia para benefício do museu da história política da justiça francesa. Este processo não faz sentido nenhum, está prescrito, não há razão para um novo julgamento”.

Durante o julgamento Carlos também denunciou a “falta de democracia na França” comparando-a à Venezuela, segundo ele, em seu país, “com a revolução bolivariana existe uma verdadeira democracia participativa”. Carlos nega as acusações deste julgamento.

De fato o julgamento é potencialmente político já que ele atuava na Frente Popular de Libertação da Palestina (FPLP) e as acusações são todas produto de atentados políticos contra o imperialismo, governos, a polícia, empresários etc.

A acusação declarou que Carlos teria confessado o atentado em entrevista concedida em 1979 para a revista Al-Watan Al-Arabi, mas o venezuelano nega ter feito a entrevista. A acusação liga o atentado de Paris à tomada de reféns na embaixada da França em Haia. Nesta ocasião, exigia-se a libertação de um dos membros da FPLP que estava detido pelo governo francês. O atentado na loja Drugstore Publicis, no centro de Paris, teria sido para pressionar o governo francês a libertar o membro da FPLP.

A advogada de Carlos afirmou que não tem a intenção de apresentar uma mera defesa judicial para este julgamento. Isabelle Coutant-Peyrela pretende destacar o caráter político do julgamento.

 

A serviço da causa Palestina

 

Três momentos da vida de Carlos, “O Chacal”.

Ilich Ramírez Sánchez, nasceu em 1949 na Venezuela, seu primeiro nome é uma referência direta a Vladimir Ilich Ulianov, o revolucionário Russo, Lênin. Nome dado pelo pai, um advogado comunista que nomeou os demais filhos com Lênin e Vladimir. Carlos teve uma atividade política intensa desde cedo. Em Caracas, aos 10 anos, integrou o movimento da juventude comunista. Ainda morou em Londres e na Rússia onde estudou na Faculdade Patrice Lumumba. Aos 24 anos ingressou na Frente Popular para Libertação da Palestina. Falava cinco idiomas, além do espanhol Carlos era versado em inglês, francês, russo e árabe.

Teve papel importante em diversas ocasiões, entre elas, o sequestro e assassinato dos atletas israelenses nas Olimpíadas de Munique, teve contato com o grupo guerrilheiro alemão Baader Meinhof, as Brigadas Vermelhas na Itália, realizou ações para os governos de Gadafi, Saddam Hussein, Assad e Fidel Castro.  Uma das maiores operações por ele realizadas foi o sequestro de 11 ministros de países membros da OPEP (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) em 1975, em Viena na Áustria. Houve também uma série de atentados contra figurões da política de Israel e de países que apoiavam o governo israelense como o presidente francês Jacques Chirac.

Seu codinome, Carlos, “O Chacal”, veio da imprensa britânica depois que policiais franceses encontraram em seu quarto de hotel um exemplar do livro “O Dia do Chacal” do escritor inglês Frederick Forsyth. Participava ativamente das operações e era extremamente habilidoso.

No final da década de 1970 e toda a década de 1980 realizou uma enormidade de ações financiadas por governos antiimperialistas, como Egito, Iraque, Síria, Cuba, Colômbia etc. Foi considerado o homem mais procurado pelas polícias secretas dos países imperialistas.

No começo da década de 1990 depois de pedir asilo político em vários países foi para o Sudão onde em 1994 foi preso, pelas forças especiais francesas, em situação altamente suspeita. Carlos, “O Chacal”, foi preso e levado para a França depois de ser medicado para a realização de uma cirurgia nos testículos. A prisão ocorreu dentro de um hospital no Sudão enquanto Carlos estava sedado.

Cena da minissérie “Carlos” (2010).

Em 2010, foi feita uma minissérie para a televisão muito bem produzida e bastante detalhada sobre a vida de Carlos “O Chacal”. A produção franco/alemã, “Carlos, de 5h30 de duração, foi dirigida pelo cineasta francês, Olivier Assayas e protagonizada pelo ator venezuelano Edgar Ramirez. Teve destaque mundial, pois foi exibida no Festival de Cinema de Cannes daquele ano, fora da competição principal.

O sentido do golpe

A cada dia que passa se torna muito claro o objetivo do golpe. A cada medida dos golpistas, fica mais claro sentido do golpe.

Do ponto de vista econômico, a Reforma da Previdência e a Reforma Trabalhista, leia-se destruição da Previdência e destruição da CLT, fica claro que a direita golpista, a serviço do imperialismo, está promovendo o roubo do século contra o povo brasileiro. Para tirar os capitalistas estrangeiros do atoleiro, a política é espoliar o povo brasileiro até que se cause uma devastação no País.

Do ponto de vista político, os ataques promovidos pelo Judiciário, dominado pela direita pró-imperialista, revelam que está em curso a modificação do regime político para uma ditadura, velada ou não. Os direitos democráticos mais básicos do cidadão estão sendo atropelados sem dificuldades pelos golpistas. A operação Lava Jato, que permite que um juiz de primeira instância passe por cima de direitos democráticos, intervenha no Congresso Nacional, coloque na cadeia lideranças políticos, é um dos aspectos desse ataque dos golpistas no sentido de transformar o regime político.

O mais recente ataque, que está nas páginas dos jornais golpistas, é a campanha contra os partidos políticos. Sob o pretexto do “caixa 2” iniciou-se a campanha que logo se estendeu para o “caixa 1”, ou seja, mesmo se uma doação foi feita legalmente, ela estaria sujeita, de acordo com as arbitrariedades do Judiciário, a investigações. Tudo pode se tornar “crime”, depende da imaginação dos juízes.

A partir daí, foi a vez das contas de 2011 de 23 partidos serem rejeitadas pelo TSE. Do PSDB até o PCO, guardadas as diferenças de milhões de um para outro, o TSE afirma que há irregularidades que na maioria dos casos são apenas exigências que mais do que absurdas são inconstitucionais. Claro que a presença dos partidos da direita servem aí para a cobertura para que o Tribunal ataque os partidos de esquerda. Mas o objetivo é muito claro: promover uma demolição do sistema partidário através da intervenção ilegal do Judiciário.

Soma-se a todo esse cenário ainda a possibilidade nenhum pouco remota de uma intervenção militar. A direita já colocou na mesa essa opção, caso as medidas tomadas até agora não sejam suficientes para garantir que os planos do imperialismo sejam colocados em prática.

Enquanto os golpistas aprofundam o golpe e suas medidas, a esquerda pequeno-burguesa se embriaga no éter chamado eleições. Uma parte dessa esquerda, como é o caso do PSTU e de boa parte do PSOL, até agora se nega a enxergar que estamos sob um golpe de Estado. Outra parte da esquerda, principalmente setores do PT, o PCdoB, abandonam a luta contra o golpe para uma política de conciliação com os golpistas, o que os leva ao apoio ao golpe. As eleições são a desculpa para essa política, que se expressa também no método extremamente errado de tentar mobilizar contra cada uma das medidas do governo, como se fosse um problema de reformar o regime golpista, influir no governo, e não de derrota-lo.

O único problema é que os golpistas não estão dispostos a jogar suas fichas nas eleições. A direita está tratando de garantir o seu domínio agora, à força, usando o Judiciário, a imprensa golpista e o Congresso reacionário. As eleições, se acontecerem, serão um terreno dominado pela direita e a vitória da esquerda, por mais que Lula seja popular e realmente é, será muito difícil.

É preciso derrotar os golpistas em primeiro lugar. Sem uma mobilização nas ruas, contra o golpe e suas medidas de conjunto, a direita vai continuar atropelando o povo e aprofundando todas as medidas de destruição do País.

Agora são os partidos, amanhã serão os sindicatos

Na última sexta-feira, dia 10, veio à tona uma lista de partidos de todos os matizes que tiveram suas contas de 2011 rejeitadas pelo parecer técnico do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). São nada mais nada menos do que 23 partidos.

Logo que o STE divulgou a lista, a imprensa golpista colocou em funcionamento sua metralhadora de mentiras e cinismo, acusando os partidos, ora insinuando ora dizendo abertamente que todos os partidos são corruptos e que fazem “mau uso do dinheiro público.” Por trás de toda a campanha há logicamente o ataque golpista com o objetivo de modificar o regime político. Atacam todos os partidos, exigem o controle estatal das contas partidárias e no final os que serão prejudicados serão os partidos de esquerda e oposicionistas.

Os motivos para a rejeição das contas de todos os partidos são vários. Tomando por base o caso mais gritante, que é justamente o do PCO, o partido que menos recebe fundo partidário e que é reconhecidamente um partido ideológico, os motivos são absurdos. Os técnicos do TSE exigem coisas como a descrição detalhada do que faz um advogado contratado pelo partido para defende-lo justamente no TSE. Ou seja, tomando por base isso, está claro que os motivos encontrados nos demais partidos também são absurdos, guardados à devida proporção. O que está no fundo dessa perseguição é o pretexto para que o Tribunal intervenha nos partidos políticos.

Toda a movimentação financeira de um partido deveria ser controlada pelo Tribunal. Isso acaba com a autonomia do partido político, que fica à mercê das arbitrariedades do Judiciário. Quem deve controlar as contas do partido são os próprios filiados. Os órgãos de controle devem ser estabelecidos pelo próprio partido, de acordo com os interesses dos seus membros.

O TSE está acabando com a autonomia e independência dos partidos políticos, que é a condição sine qua non para que se tenha um regime democrático.

Essa tentativa de sufocar os partidos financeiramente abre o caminho para que ocorra o mesmo com os sindicatos e organizações populares em geral. O objetivo do golpe é sufocar todas as organizações da população. Se os golpistas forem bem sucedidos nos ataques aos partidos, os sindicatos estão seriamente ameaçados. O País corre o risco de retornar à época dos sindicatos controlados pelo Estado e não pelos próprios trabalhadores, ou seja, os sindicatos estariam nas mãos dos patrões que são quem dominam o Estado.

 

Kirchner também era grampeada pelos golpistas

Neste domingo (12) um canal de TV argentino divulgou novos grampos da ex-presidente Cristina Kirchner. A conversa teria sido gravada em julho de 2016, nela, Cristina conversa com Oscar Parrilli, chefe da Agência Federal de Inteligência (AFI). Entre outras coisas, o assunto são os processos abertos contra o ex-espião Jaime Stiuso. Cristina pergunta quem são os juízes ligados à causa de Stiuso, e afirma que “é preciso sair para apertar os juízes”. Stiuso, que Cristina acusa na gravação de estar ligado a Macri, é apresentado pela imprensa como um “colaborador” da promotoria no caso Amia, relativo a um atentado a bomba em uma associação judaica na década de 90. O caso Amia foi usado para atacar Cristina Kirchner com acusações de que ela teria encoberto os autores do atentado para obter vantagens comerciais junto ao Irã.

O tom da conversa entre Cristina Kirchner e Parrilli é informal, mas a imprensa burguesa procura emprestar ao caso ares de conspiração contra Stiuso e os juízes. Chama atenção que esse caos mostra como o governo argentino também era vigiado, assim como aconteceu no Brasil. Mauricio Macri acabou vencendo as eleições no meio da campanha golpista, mas também na Argentina havia um golpe em curso, a eleição de Macri foi resultado da campanha golpista, Macri também é um golpista. Assim como no Brasil, o programa dos golpistas é o programa do imperialismo para os países atrasados. Não por acaso usaram os mesmos métodos.

O programa do imperialismo para os países atrasados, como Argentina e Brasil, é aumentar a exploração dos trabalhadores, atacar as condições de vida dos trabalhadores e liquidar o patrimônio nacional. Tanto lá como aqui, a perseguição aos partidos que estavam à frente dos governos nacionalistas burgueses derrubados é parte do plano para aplicar esse programa. Para a direita e o imperialismo, é fundamental quebrar qualquer possibilidade de resistência à sua política devastadora.

Novo referendo sobre independência da Escócia aprofunda a crise do Reino Unido

Nesta segunda-feira (13), a primeira-ministra da Escócia, Nicola Sturgeon, anunciou que o País realizará uma nova consulta à população sobre a permanência no Reino Unido. Um referendo como esse foi realizado em 2014, oficialmente com um resultado de 55% pela permanência contra 45% de votos pela saída, em meio a denúncias de fraude. Ano passado, o partido de Sturgeon, Partido Nacional Escocês (SNP), conquistou a maioria no Parlamento prometendo um novo referendo caso uma grande mudança como o “Brexit” acontecesse.

O “Brexit” (saída do Reino Unido da União Europeia) venceu um referendo no ano passado no conjunto do Reino Unido, mas na Escócia mais de 60% dos votantes foram contrários à mudança. Esse resultado alimenta a crise no Reino Unido e coloca novamente na ordem do dia a independência da Escócia. Sturgeon declarou que o referendo deve acontecer entre o outono de 2018 e a primavera de 2019, “antes que seja tarde demais” mas depois que os termos do Brexit já sejam conhecidos.

A vitória do Brexit, até então apresentada pela imprensa como muito improvável, foi um resultado da crise política no Reino Unido. Uma crise política que continua agora com o fortalecimento do separatismo na Escócia e com a reunificação da irlanda de volto à pauta. Apenas na Inglaterra e no País de Gales a maioria votou pelo Brexit, o que deu argumento para os defensores da independência na Irlanda do Norte e na Escócia.

Brexit: chegou a hora

A saída do Reino Unido da União Europeia (UE) está perto de começar. Com a regulametação terminando de passar pelo Parlamento, esperava-se que já na terça-feira (14) o processo começasse. Mas a primeira-ministra, Theresa May, adiou pelo menos até a semana que vem a ativação do Artigo 50, que iniciará formalmente o desligamento do Reino Unido do bloco europeu. A vitória do Brexit, a saída do Reino Unido da UE, no ano passado, expôs a dimensão da crise política britânica.

Diante da iminência do começo do processo de separação, nesta segunda-feira (13) a primeira-ministra da Escócia, Nicola Sturgeon, anunciou um novo referendo sobre a independência da Escócia. A maioria dos escoceses votou contra o Brexit. Na Irlanda do Norte a maioria também foi contrária a sair da UE e a reunificação da Irlanda colocou-se na ordem do dia. Uma crise total da unidade do Reino Unido, alimentada pelo Brexit.

Por ocasião da vitória do Brexit, a extrema-direita mostrou uma grande força eleitoral, depois de ter crescido em diversas eleições municipais e ter alcançado um grande número de votos absolutos, apesar de ter conquistado apenas uma cadeira no Parlamento. O partido de extrema-direita UKIP (Partido da Independência do Reino Unido) fez campanha sozinho pela saída da UE, contra os dois principais partidos do regime e contra os partidos mais importantes dos países menores do Reino Unido. O crescimento da extrema-direita é um resultado da crise do regime político e só pode ser enfrentado pela classe operária. Desde que os sindicatos impuseram seu candidato para comandar o Partido Trabalhista, Jeremy Corbyn, a extrema-direita tem sido forçada a recuar.